Apenas bons amigos
A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) é conhecida por dar apoio a pessoas com deficiência, prioritariamente intelectual e múltipla e foi lá, na Apae de Pomerode, que encontrei quatro educandos que dividiram comigo suas experiências com animais de estimação.
A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) é conhecida por dar apoio a pessoas com deficiência, prioritariamente intelectual e múltipla e foi lá, na Apae de Pomerode, que encontrei quatro educandos que dividiram comigo suas experiências com animais de estimação. Ao chegar na sala encontrei uma grande mesa cercada pelos alunos. Fui bem recebida pela professora Juliane, que logo me apresentou a turma. A mais falante de todos, Elisiane Wirth, de 40 anos, conhecida como a campeã de vendas de rifas da região (já alcançou o mérito de vender 200 blocos, com 10 números cada), foi a primeira a dar a palavra e falar sobre sua cachorrinha Pinscher, uma raça que não cresce mais do que 30 centímetros e tem fama de encrenqueira. Não é o caso de Xuxinha, uma cachorrinha de cinco anos que alegra a vida da estudante, além do gato Luque e da outra cachorra, a Keli.
O dia de Elisiane começa cedo. Faz as tarefas domésticas e vai até a Apae, lá ela faz várias atividades, como educação física, dança e jogos. Ela participa dos Parajasc, pela modalidade de Bocha, ano passado ficou em 4º lugar. Admitiu que apenas não gosta muito é das aulas de colagens (a professora se surpreendeu com a confissão…xiiii). Brincadeiras a parte, toda essa energia tem um fundamento. No fim do dia quando chega em casa lá estão os animais prontos a recebê-la. Xuxinha toda carinhosa e sapequinha, brinca com o gato. Puxa-o pela orelha Ele não liga diz Elisiane. Luque, o gato de pelagem branca, foi encontrado filhotinho no meio do mato, pelo primo da estudante. Ela se diverte e mostra uma foto que carrega consigo na mochila. Na foto ela segura a Xuxinha. Perguntou se eu queria trazer a foto para colocar no jornal. Recusei e tirei uma nova foto dela segurando a antiga foto na mão.
O simpático Gilson Ciusz, de 27 anos, também tem dois animais de estimação que enchem sua vida de amor e alegria. São o Max e o Pepe. O Max é o brincalhão que está sempre abanando a cauda. Pepe nem tanto. Gilson acabou de conseguir seu primeiro emprego, vai trabalhar com tecidos e está bastante animado com a notícia. Na Apae, ele treina futsal (a professora afirma que ele tem um chute certeiro) e tênis de mesa. É um atleta prendado. Em casa ajuda a mãe com as tarefas do lar, lava louça e cozinha. A mãe elogia. Ele faz arroz, carne, dentre outros.
Outro educando prendado é Elmo Frank Blaeser Jr., de 39 anos. Ele carpina e roça a grama de sua casa. Na Apae gosta de educação física e adora um bom jogo de dominó, do qual costuma vencer com frequência. Vai participar neste ano, pela 1ª vez do Parajasc na categoria Bocha. Em casa recebe o carinho da Lupinha e do Lupi, dois cãezinhos bonzinhos. Ele afirma que não mordem e são brincalhões, adoram buscar brinquedinhos. Já Valdir Hackbarth de 29 anos, mora em um pequeno sítio e é cercado por animais. Tem vacas, porcos, ganso e pato. Ele gosta muito de cortar o trato e sempre limpa o local. Tem também um cachorro chamado Hanton e uma cachorra chamada Rebeca. Todos os dias brinca de jogar bola com os dois. Hanton pega a bolinha e traz ao dono. Valdir também sabe tirar leite da vaca e aconselha manter certa distância dos gansos, ele são bem invocadinhos.
Para a psicóloga Cláudia Martins Kinzel Baptista, um animal de estimação pode ser bastante útil na vida de pessoas com deficiências. Existe uma troca de grande afeto que beneficia o lado emocional da pessoa. O animal distrai, você pode levá-lo para passear e enquanto caminha o corpo se revitaliza. Há um estimulo a diversão, faz bem a saúde e ao coração, além de abrir precedentes a maior socialização, explica a psicóloga.