Amizade, respeito e aceitação ? convivência no espaço escolar
E.B.M. Prof. Vidal Ferreira
E.B.M. Prof. Vidal Ferreira
Nossa equipe deseja contribuir com os colegas da escola e reforçar os laços de amizade e respeito que já existem, mas precisam sempre ser lembrados para continuarem existindo. Nesse espaço queremos partilhar o belo poema de Fernando Pessoa com nossos colegas.
Poema do amigo aprendiz (Fernando Pessoa)
Quero ser o teu amigo.
Nem demais e nem de menos.
Nem tão longe e nem tão perto.
Na medida mais precisa que eu puder.
Mas amar-te sem medida e ficar na tua vida,
Da maneira mais discreta que eu souber.
Sem tirar-te a liberdade,
Sem jamais te sufocar.
Sem forçar tua vontade.
Sem falar, quando for hora de calar.
E sem calar, quando for hora de falar.
Nem ausente, nem presente por demais.
Simplesmente, calmamente, ser-te paz.
É bonito ser amigo, mas confesso é tão difícil aprender!
E por isso eu te suplico paciência.
Vou encher este teu rosto de lembranças,
Dá-me tempo de acertar nossas distâncias.
Texto para Reflexão
O corre-corre do dia-a-dia faz com que os educadores pensem e reflitam sobre o comportamento da criança e do adolescente no âmbito escolar e também em seu meio familiar. Muitas vezes tentamos procurar meios para ajudar e outras vezes nos questionamos, onde estamos errando. As mídias mostram em todos os horários o comportamento do jovem de hoje, não importando a sua classe social.
E dentre estes questionamentos e procura, lendo a revista “Mundo Jovem” junho/2009, me chamou atenção o texto do qual gostaria de compartilhar com você, pai/mãe, muitas vezes dizem não saber o que fazer com seus filhos.
Bater ou Dialogar?
Indiscutivelmente, nós sabemos que crianças e adolescentes testam seus pais ou qualquer outra pessoa responsável por sua educação. O primeiro importante teste ocorre quando o bebê, sem querer, dá uma mordidinha no seio da mãe. O que ele espera com isso? Que ela lhe dê um tapinha? Não! Que ela diga: “Não, não pode! Machuca!”.
Tanto as crianças quanto os adolescentes realizam essas pequenas experiências para perceberem se o terreno familiar é seguro ou se estão pisando em areia movediça. Na verdade, eles querem testar se os pais lhes dão limites que tanto precisam e se a relação é enriquecida com carinho, amor e confiança.
Sabemos que os pais são muito diferentes na forma de educar e que isso depende da forma que foram educados. Desse jeito, alguns reagem aos testes com paciência, conversam com seus filhos, questionam, dizendo não e explicam o porquê, ou seja, preferem o diálogo como forma de aproximação, negociação e manutenção de uma relação bem bacana entre pais e filhos.
No entanto, outros pais mais esquentadinhos, sem paciência para escutar, preferem dar um tapa a dialogar. Bater é o caminho mais curto entre o que se pode ou não fazer, não porque educa e ensina o certo e o errado, mas porque amedronta. A criança que leva umas palmadas realmente fica quieta, obedece momentaneamente, porque o tapa dói e aprende que, para conseguir alguma coisa, precisa bater. Então, na escola, passa a bater nos colegas, a exigir o que quer batendo nos outros. Geralmente, seus pais não sabem porque seus filhos agem assim, não se dão conta de que estão de certa forma, contribuindo para tudo isso.
Bate ou dialogar é uma discussão da nossa época. Quando meus avós eram crianças, o diálogo não existia da forma que existe hoje, mas ninguém precisa de um tapa para aprender alguma coisa. Na verdade, o que valia era uma cara feia, um olhar sisudo mandando obedecer, porque os pais, agindo dessa maneira, ensinavam respeito aos mais velhos, davam limites às crianças, afinal eram as autoridades da casa. Contudo, nos nossos dias, os tapas até estão virando motivo de deboche. Quem nunca viu uma criança dizendo “Pode bater que não dói”? Com tal provocação aos pais, podem passar das contas, bater mais do que queriam. Há casos em que o descontrole emocional é tanto que o tapinha acaba em espancamento. Assim, os pais que batem e são revidados pelos filhos não são mais as autoridades da casa, mas sim os reais agressores.
Crianças e adolescentes não precisam de um tapa. Precisam de um não, seguro e firme, e de pais assertivos e carinhosos, que lhes deem continência e limites, regras claras, que lhes digam pode, não pode, está certo, está errado… Mais do que tudo, eles precisam de palavras associadas às ações que lhes ensinem valores e atitudes, para que, a partir desta aprendizagem, possam sozinhos fazer suas próprias escolhas.
Texto retirado da Revista Mundo Jovem. Junho/2009 (Rosiara Andrade, Orientadora Educacional).