Geral

Amadorismo ou Profissionalismo?

Pomerode, berço adormecido de jogadores.

24 de março de 2007


Pomerode, berço adormecido de jogadores.


Todos sabem que o futebol é o esporte mais popular do mundo, e que se tornou uma língua universal. Com isso também, se tornou um esporte com investimentos incalculáveis. Em Pomerode, não é diferente. O esporte pomerodense é movido pelo futebol, e os valores gastos ou investidos são na mesma proporção. Preocupado com o futuro do futebol da cidade, considerado até então “amador”, Valcides Pedrini, mais conhecido como Cide, ex-presidente e hoje conselheiro da S.E. Floresta sugere uma profunda mudança nas fórmulas de inscrições e uma valorização maior das categorias de base e dos atletas de Pomerode.


O valor pago hoje para os atletas está fora da realidade e muitas equipes desistiram de disputar o campeonato da LPD. “Primavera, Nacional, Caxias, 25 de Julho, Vasquinho e Cruzeiro, são alguns exemplos de equipes que já não fazem mais parte das disputas locais, e que gostaríamos de resgatar”. Cide ainda enfatiza a falta de revelações de atletas da cidade. Anos anteriores revelávamos muitos jogadores que foram convidados por times profissionais como Selvino Anderson, Gilmar Knaesel, Reno Konell, Lauro Volkmann, Carlos Pinho, Carlito Beck, Weguinha, Kika (ex-prefeito), Wilson Klemann, Xexa, Neguinho, Ronald Krahn, Marinho, recentemente Elton Belz, entre outros.


Hoje em dia, só temos jogadores vindos de outras regiões, quase sempre ex-profissionais e que tiram todas as possibilidades dos atletas locais. Só para se ter uma idéia, em cada campeonato regional amador de Pomerode são gastos em torno de R$ 270 mil só para pagamento de jogadores de cidades vizinhas. Isso não inclui compra de uniformes, chuteiras, alimentação e bebidas, transporte, gastos com lavação do material e outras despesas. Esse valor poderia ser revertido em aplicações nas escolinhas de futebol nos clubes da cidade para revelação de futuros atletas, em melhorias das sedes dos clubes, e tranqüilamente ainda haveria alguma sobra.


Relata Cide, que não pretende se eximir da responsabilidade, pois foi solidário em cometer esse erro no passado. Entretanto, o pensamento atual é de mudança de comportamento em prol do futuro do futebol, da oportunidade de esportistas do município e da economia. Esta postura deve ser urgentemente tomada enquanto ainda é possível, e a demora, trará ainda mais clubes desistentes e menos patrocinadores.


Em relação às mudanças nas inscrições, Cide sugere a criação do Campeonato Municipal de Pomerode, com a participação do maior número possível de atletas da cidade. “Existem várias maneiras de você comprovar a real situação de um atleta. Uma delas é o título de eleitor, que é o maior comprovante de residência no município, de um cidadão”, afirma Cide. Poderíamos ainda, estipular um número máximo de atletas de fora da cidade e a cada ano, diminuir esse número. Com essa atitude e incentivando os atletas locais teríamos um respaldo bem maior com as autoridades locais, que também poderiam dar sua parcela de contribuição.


A S.E. Floresta possui mais de 300 atletas de base, divididos entre o futsal e o futebol de campo, com quatro profissionais formados. “Atendemos dos quatro aos 17 anos, e a maior dificuldade é dar continuidade após essa idade, pois praticamente os atletas não são absorvidos pelas equipes locais. Por esse motivo que muitos optam pelos campeonatos paralelos da cidade como o de bairros, de torcidas e outros”, relata Cide. Precisamos renovar e dar totais condições para que os jovens continuem a praticar esporte e somos nós, conselheiros dos clubes, presidentes das equipes e autoridades locais responsáveis para que essa mudança aconteça. Cide ainda complementa que está à disposição para discutir o assunto e tentar mudar os rumos do futebol pomerodense.

Notícias relacionadas