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Ajudando a construir o futuro

A psicóloga Roseli Weh realiza grupo de interação entre adolescentes que ajuda no desenvolvimento profissional e pessoal

1 de junho de 2015

Dentro da sala, o ambiente é animado. Os jovens brincam, falam, se expõe e se divertem. Tudo, para criar um clima descontraído e deixa-las à vontade para expressar-se da maneira que desejarem. Assim, é possível compreendê-los e entender muito a respeito da sua vida, família e meio social.

Este é o trabalho realizado pela psicóloga da Associação pelo Bem-Estar da Família (Abefam), Roseli Weh, em uma sala na E.E.B Presidente Prudente de Morais. O programa Sempre Viva Teen foi criado com a intenção de fazer os jovens se sentirem mais confiantes e responsáveis com relação a si mesmos. Como atendemos crianças e aqui nós só recebemos até 12 anos, e dentro da demanda que nós recebemos aqui de adolescentes, nós sabemos que tem muita coisa que é trabalhada com a família, ou individualmente. Entretanto, como eu trabalho muito em grupos, surgiu a ideia de atende-los em grupo e não de maneira individual. Assim, atendemos adolescentes em grupo, e assim, torna a técnica terapêutica diz Roseli.

Às vezes, em sala de aula, o aluno não consegue se expressar da maneira que deseja ou compreender-se no meio em que vive. Assim, a ideia de Roseli foi montar o grupo, para fazê-lo ter noção da realidade e deixa-lo mais responsável e autônomo perante a sociedade. Os temas que trabalhamos são basicamente, convivência em grupo, família, amizades, sexualidade, violência, drogas, ou seja, todas as demandas que envolvem os adolescentes. E o trabalho em grupo possibilita que eles possam formular o seu próprio conhecimento.

A sociedade vive uma grave crise de valores. As oportunidades proporcionadas nem sempre são benéficas, entretanto, os jovens se encontram em uma fase muito influenciável, e por isso, devem seguir caminhos que sejam saudáveis. A proposta é trabalhar com crianças de 13 a 17 anos, e pretende prepará-los para o mundo profissional. Há em Pomerode escolas de formação profissional, que preparam os jovens para a seu desenvolvimento técnico. Mas é preciso também alguém que os mostre valores sociais, que permitam o êxito em sua vida profissional e pessoal. Segundo Roseli, a sociedade acaba por julgar demais os adolescentes e não param para entender o que eles estão passando. Eu tento me colocar junto deles para compreendê-los. Eu não posso querer que eles me entendam, pois eu já vivi mais que eles, tenho ais experiências em anos vividos. Eu preciso voltar a idade deles para que eles se sintam confortáveis. Tento falar a ‘linguagem deles e me aproximar.

É importante que os jovens de hoje possuam sonhos, e por isso, Roseli tenta resgatá-los e incentivá-los a sonhar. De acordo com a psicóloga, é importante que eles tenham anseios pois, assim podem construir um futuro promissor. Do contrário, poderão seguir para o mundo da criminalidade. Esse projeto visa, é claro, ajudar o adolescente. Mas em consequência, acabamos por ajudar também a sociedade, pois se começarmos a orientar esses jovens a tomar decisões certas, estaremos também construindo um cidadão de bem, que conviverá em sociedade fazendo o seu papel e se tornando exemplo para os outros. Isso é importante exalta.
Eu trabalho com uma metodologia chamada construção coletiva do conhecimento, ou seja, eles também constroem e são responsáveis pelo conhecimento adquirido. Realizo atividades para que eles possam interagir entre si e perceber, por si próprios as atitudes que eles concordam e discordam e assim perceber o que é certo ou errado. Eles acabam fazendo e experimentando e assim, descobrem através da experiência criam seus conceitos afirma Roseli. Segundo ela, esta técnica faz com que o adolescente entenda o porquê que existe uma regra, para que trabalhar em equipe, e no final da atividade, é realizado um debate onde eles apontam falhas e acertos seus e dos outros integrantes.

Além do adolescente descobrir e aprender novas relações consigo mesmo e com os outros, conhecer melhor suas dificuldades e como superá-las, poderá desenvolver habilidades muito necessárias ao ambiente profissional como o trabalho em equipe, liderança, pró-atividade, ética, responsabilidade e compromisso cidadão.

O nome do projeto, Sempre Viva, foi dado devido à flor que leva o mesmo nome e que, segundo Roseli, consegue sobreviver nas condições mais adversas, encontrando formas de se adaptar ao ambiente. Há crianças que são encaminhadas pelo Secretaria de Assistência Social e crianças que optam pelo programa por indicação de outros participantes. Algumas dessas crianças têm problemas em casa, que já tem denúncias no Conselho Tutelar e são trazidas para tentar amenizar o impacto desses problemas, Já outras crianças procuram o programa para conseguirem superar problemas como timidez, relacionamentos, amizades, ansiedades entre outras coisas afirma Roseli.

Para colocar o programa em prática, é utilizada a metodologia de arteterapia, que utiliza modalidades de Artes Plásticas, Música e Canto, Jogos, Dança e Teatro. Desta forma, é possível entender o sujeito como cidadão autônomo, único, respeitando suas atitudes e ações em relação ao meio. Através da técnica de arteterapia, eu consigo, através das atividades, perceber qual a personalidade, os medos, os anseios de cada um deles. Nas terças-feiras, eu faço uma atividade individual, onde realizo algum trabalho de expressão com eles. Às quintas-feiras, é feito um trabalho em grupo, onde eles determinam algumas normas de comportamento para que o a atividade funcione de maneira adequada explana Roseli.

Para os alunos, o programa já vem surtindo efeito. Quando perguntados se perceberam alguma mudança nos seus próprios hábitos de comportamento, alguns dos alunos que frequenta o projeto já se dispuseram a falar. Aprendi qual a importância de trabalhar em equipe. Estou mais calma, não ando tão ansiosa o quanto eu era. Eu era muito tímida quando entrei para o grupo, hoje eu desenvolvi mais confiança e já consigo falar em público. Aprendi aqui que devemos respeitar os outros, que devemos saber nos expressar de maneira correta e ordenada e vencer os nossos medos.

Dizer o que acham do programa e fácil! É muito legal! dizem todos em coro. Os resultados já estão sendo obtidos, e os alunos estão satisfeitos com o que estão descobrindo e conquistando através da iniciativa. Muitos já procuram o programa por conta e outros, recomendam para amigos com boas indicações.

O programa tem duração de dez meses. Ele iniciou em fevereiro e tem término previsto para novembro. Por se tratar de um piloto, a intenção é levar este projeto adiante para os próximos anos. Ao final do programa, o jovem receberá um certificado de participação em ocasião solene de evento, com presença de família e comunidade.

O programa é aberto a todos os jovens que desejam participar, sem necessidade de inscrição prévia nem encaminhamento formal. Basta orientar o adolescente a comparecer no local e horários do programa.

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