Águas que castigam
A água começou a cair na sexta-feira, dia 06 de junho, na parte da manhã. Algo que seria apenas mais um dia chuvoso se tornou um pesadelo para muitas famílias.
A água começou a cair na sexta-feira, dia 06 de junho, na parte da manhã. Algo que seria apenas mais um dia chuvoso se tornou um pesadelo para muitas famílias. A chuva começou a engrossar, e o rio, a subir. Os olhares começavam a ficar preocupados. Afinal, não é de hoje que Santa Catarina sofre com enchentes, enxurradas e quedas de barreira. O histórico do estado é assustador e as lembranças ainda vivem na memória de muitas pessoas que perderam seus bens, ou até mesmo, seus entes queridos.
A chuva não parou, e o rio continuou subindo. Os locais mais próximos das encostas começaram a pegar água ainda na sexta-feira no final da tarde. Algumas cidades já decretavam estado de atenção com relação ao aguaceiro que caia torrencialmente e persistente na região.
Veio a madrugada e nada da chuva parar. Muitas pessoas perderam o sono, enquanto torciam para que sua residência não fosse atingida pela força da natureza. O Vale do Itapocu foi o primeiro que declarou estado de emergência. As cidades de Jaraguá do Sul e Corupá viram o rio que as corta subir rapidamente e inundar a cidade. Outras cidades do Planalto Norte também ficam em estado de alerta. A região do Vale do Itajaí vê o Rio Itajaí Açú e seus afluentes subirem.
Em Pomerode, algumas localidades sofreram alagamentos. Segundo a Epagri/CIRAM, até domingo, o grande volume de chuva em Santa Catarina provocou alagamentos em áreas vulneráveis.
De acordo com o Coordenador da Defesa Civil, Edson Gotzinger, até o momento, nenhuma ocorrência grave foi registrada, apenas ocorrências pontuais como quedas de árvores e pequenos alagamentos. Entretanto, a situação foi tranquila na cidade, já que foram apenas algumas situações.
Segundo Edson, no Wunderwald, a água chegou a ultrapassar o nível do rio, atingindo alguns pontos. Também houve alagamentos no Centro e Testo Central na noite de sábado, mas a água começou a baixar.
A Rua dos Atiradores ficou interditada na altura do número de 9200 devido a alagamentos na localidade. A passagem de veículos ficou interrompida, já que não dava para passar devido a água na estrada. Também a Rua Emília Doege, transversal entre a Rua Testo Alto e Progresso ficou interditada.
Na Rua Alberto Rahn houve queda de árvore com barreira. Equipes da Defesa Civil estiveram no local para liberar a passagem, o que ocorreu poucas horas depois. A SC-110 sentido Jaraguá do Sul ficou interrompida nas imediações da Sociedade Aliança. A passagem continuou interrompida até terça-feira, dia 10.
A Defesa Civil continua o atendimento aos catarinenses afetados pelas chuvas. Até agora, são 33 municípios atingidos pelas chuvas. São 16 cidades em Situação de Emergência e duas em Estado de Calamidade Pública. A Defesa Civil do Estado registrou dois feridos em Guaramirim, devido a um desmoronamento e uma morte, em Mafra. Um homem de 56 anos foi encontrado afogado no interior da residência. A vítima havia sido retirada do imóvel pela Defesa Civil local, mas retornou para a casa.
Ainda há risco de inundações no Planalto Norte, Vale do Itapocu, Alto e Médio Vale do Itajaí. Estas regiões registraram acúmulos de chuva significativos até a noite de domingo, dia 8, e a maioria dos níveis dos rios estabilizaram, descendo de forma lenta. Porém, alguns continuam subindo devido a característica de suas bacias hidrográficas. O solo está encharcado e foram registrados deslizamentos em cidades do Vale do Itajaí, Planalto Norte e no Vale do Itapocu, Litoral Norte de Santa Catarina.
Macrodrenagem e Desassoreamento em Pomerode – Entre tantas cidades que sofreram com enchentes e fortes alagamentos, Pomerode registrou poucos casos de problemas devido às chuvas. Tirando alguns pontos de alagamentos, a maior parte da cidade não teve grandes danos. Dentre alguns fatores, obras que foram realizadas pela Prefeitura há alguns anos ajudaram a proteger regiões da cidade que eram mais vulneráveis as chuvas, evitando estragos.
Em 2010, a fim de evitar problemas com alagamentos na cidade, a Prefeitura iniciou trabalhos de macrodrenagem, microdrenagem, além do desassoreamento do Rio do Testo e ribeirões da cidade. De acordo com Ademar Marquardt, diretor da Defesa Civil na época, ao total, 48 km foram desassoreados, estando entre eles os ribeirões do Vale do Selke Grande, Vale do Selke Pequeno, Pomerode Fundos e Ribeirão Souto, além dos trabalhos realizados no Rio do Testo.
Foram instaladas também tubos de macrodrenagem no C.C.T Clube Testo Central, incluindo o estádio do Vera Cruz, na entrada do Ribeirão Souto, no Centro de Educação Waltraut Siewert (prox. ao Restaurante dos Amigos), no Jardim Pomerânia, Clube Pomerode, no Centro de Educação Nossa Senhora de Fátima e Associação da Porcelana Schmidt, explica Ademar.
Após as catástrofes de 2008, o Executivo Municipal solicitou ao Ministério das Cidades verbas para a realização das obras. Ao total, mais de cinco milhões foram investidos. O objetivo foi obter recursos do Governo Federal para amenizar os estragos causados pelas enxurradas. O recurso veio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Foi realizado um estudo para mapear as áreas de maior vulnerabilidade nos períodos de chuva e assim, vindo o recurso, realizamos as obras, que duraram cerca de um ano e meio, e desde lá, essas localidades nunca mais pegaram água, explica Ademar.
Também foram realizadas obras com outros recursos a fim de evitar a queda de barreiras. Fizemos obras de contenção de barrancos e deslizamentos nas Ruas Frederico Weege, Rua Massaranduba, entre outros locais, termina.