Meio Ambiente

Acidentes com animais marinhos exigem atenção no verão

Médica Veterinária comenta o acidente com mordida de tubarão ocorrida no fim de semana, em Navegantes

30 de janeiro de 2021

O empresário blumenauense Wilson Gevard Júnior, de 43 anos, passou por um grande susto no fim de semana passado, enquanto surfava em Navegantes. No domingo, 24 de janeiro, ele praticava o esporte que considera um hobby, quando foi surpreendido com uma mordida de um tubarão-mangona. A mordida provocou uma ferida no pé do surfista, além do enorme susto.

Em entrevista ao Jornal de Santa Catarina, o empresário relatou que estava na água por volta das 8h, e que ela estava mais suja do que o normal, com pequenos peixes. Segundo Júnior, ele havia pegado uma onda e depois sentou na prancha, colocando os pés para baixo. Foi neste momento que sentiu a mordida no pé.

Casos como o ocorrido em Navegantes não são comuns em Santa Catarina, que não tem histórico de acidentes envolvendo tubarões. Segundo a Médica Veterinária do Oceanic Aquarium, de Balneário Camboriú, Veronica Takatsuka, pelas características da espécie, a hipótese é que o tubarão não tenha tentado atacar o surfista.

“Provavelmente o tubarão-magona procurava por comida e a mordida no surfista foi como uma ‘investigação’, para saber o que era. Muitas vezes, como aconteceu, ele dá a mordida e vai embora, então podemos considerar o que houve um acidente”, pondera.

 

Também vale lembrar que a possibilidade de ser atacado por um tubarão é extremamente remota: 1 chance a cada 300 milhões! Para se ter uma ideia de quão raro é esse acontecimento, a população brasileira é de, mais ou menos, 210 milhões de pessoas. Inclusive, de acordo com o Arquivo Internacional de Ataques de Tubarões, existe uma probabilidade muito maior de morrer em um acidente de carro ou caindo em um buraco na areia do que sendo atacado por um tubarão. Os tubarões-mangona também são considerados extremamente pacíficos.

A Médica Veterinária comenta, também, que não é comum aparecerem tubarões do litoral catarinense, mas que algumas poucas espécies podem ser encontradas aqui, como o tubarão-mangona, o tubarão-tigre, além dos tubarões de pequeno porte, como o cação e o tubarão-martelo.

Por ser incomum encontrarmos tubarões em nosso litoral, é difícil prever quando um tubarão pode aparecer. Mas Veronica comenta que em locais de maior incidência, como Pernambuco, por exemplo, as recomendações são não entrar sozinho no mar e evitar entrar na água ao entardecer. “Mesmo assim, são casos raros aqui em Santa Catarina”, reforça a Médica Veterinária.

 

Outros acidentes

Para quem gosta de curtir uma praia, é preciso estar atento a outros acidentes que podem ocorrer, envolvendo animais marinhos, mais comuns do que os com tubarões. A Médica Veterinária comenta que é comum ocorrerem em nosso estado acidentes com águas-vivas e com ouriços-do-mar, principalmente.
“Os acidentes com águas-vivas são mais comuns, embora casos envolvendo ouriços-do-mar também aconteçam. As águas-vivas normalmente utilizam o ataque como uma forma de buscar alimentação e causam queimaduras na pele. Já os ouriços-do-mar acabam sendo vítimas, pois são pisoteados, na maioria dos casos. Quando isso acontece, o espinho se quebra e, para algumas espécies, pode liberar alguma toxina”, explica Veronica.

 

(Foto: Reprodução / Instagram)

 

O que fazer caso o acidente aconteça?

Caso você seja vítima de uma mordida de tubarão, a exemplo do empresário blumenauense, a recomendação é pedir imediatamente por ajuda e buscar ajuda médica o mais rápido possível, para evitar lesões maiores e contaminação bacteriana no ferimento.

O mesmo vale para acidentes envolvendo águas-vivas e ouriços-do-mar. O ideal é procurar logo o atendimento médico, pois soluções como colocar água salgada ou doce podem piorar a situação, já que cada ferimento terá uma reação diferente, dependendo do animal que a causou.

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