Abrigo sem animais e sem respostas
Desde 2014 o Abrigamento Temporário de Animais segue como promessa a ser cumprida. Dois anos depois, a Prefeitura de Pomerode também se abstém de respostas
Nos últimos dois anos, quantos animais você já viu abandonados em nosso município? O número, ao certo, é impossível de obter, mas, certamente, ultrapassam ao que imaginamos.
Em nosso município, desde 2014 a promessa é que um Abrigamento Temporário de Animais minimize esta realidade. Porém, prestes a completar dois anos do primeiro anúncio do espaço, o local abriga somente mato, poeira e folhas secas.
A assessoria de imprensa da Prefeitura de Pomerode, no fim do mês passado, foram enviados alguns questionamentos, como qual a data para conclusão das obras, a situação da entidade capacitada para administrar o espaço, se um novo investimento foi ou ainda será efetuado no local e, também, se o abandono do local não prejudicaria as obras já efetuadas.
Como resposta, na sexta-feira (29/07) o seguinte comunicado: “estamos elaborando uma resposta ao vereador Rafael Pfuetzenreiter, a qual será enviada na segunda-feira(01/08). A mesma resposta será encaminhada para vocês na próxima semana”.
Até o fechamento da edição, após contato diário, nenhuma resposta nos foi encaminhada.
Um abrigo de empecilhos – Em setembro de 2014 o destaque dado pela Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento da Cidade (Seplan) foi ao prazo de, aproximadamente, 30 dias para a conclusão da reforma da estrutura que receberá o Centro de Abrigamento Temporário de Animais. A reforma do local iniciou no dia 25 de junho daquele ano.
De acordo com a Secretaria de Planejamento, a obra teria como prazo de conclusão contratual 28 de outubro e custo total de R$ 69.024,51.
O Centro de Abrigamento ocupará o antigo prédio da Escola Municipal Professora Nilza Silva Guenther, localizado à Rua Vale do Selke Grande, nº 5527, no Bairro Vale do Selke.
Ainda segundo a Secretaria, “o local será destinado para o abrigamento provisório e temporário para animais de pequeno porte, como cães e gatos abandonados em via pública, ficando no aguardo de adoção”, informou na época.
Janeiro de 2015. O prazo foi adiado e outra questão surgiu. “Antes da inauguração ainda há necessidade de serem aprovadas a legislação Municipal que trata dos procedimentos de cadastro de animais, chipagem, castração, SOS animal, bem como uma lei que trata da punibilidade para quem abandona ou maltrata os seus animais. Esta legislação deve ser encaminhada à apreciação da Câmara de vereadores até o final de fevereiro”, explicou a Secretaria à época. A nova data para inauguração seria divulgada e realizada ainda no primeiro semestre de 2015.
Em março de 2015, a Secretaria de Meio Ambiente estava em busca do credenciamento de uma entidade que fosse responsável pelo estabelecimento, além de analisar o horário de atendimento, plantões nos fins de semana e outras pendências.
Três meses depois, em junho do ano passado, a justificativa ao atraso foi vinculada ao corte no orçamento. “A Secretaria de Desenvolvimento Rural está com dificuldades orçamentárias em razão da redução do orçamento de 2015. Diante disso, não há previsão de inauguração, pois a Secretaria depende de dotação orçamentária para contratação da empresa credenciada que irá, além de recolher os animais abandonados, abrigá-los por determinado período, e terá que ter em seu quadro de funcionários um médico veterinário para realizar os procedimentos pertinentes à saúde e bem-estar do animal”, explicou o Secretário de Meio Ambiente à época.
No fim do ano passado, além dos problemas apontados, a falta de prazo, algumas exigências legais e um investimento de cerca de R$ 50 mil foram apontados como empecilhos à inauguração do espaço.