Geral

A volta dos caramujos

Problema recorrente em alguns bairros de Pomerode alerta para perigos de saúde pública

24 de fevereiro de 2015

Eles voltaram. Assunto decorrente durante o ano passado, os caramujos africanos, novamente estão aparecendo na região de Testo Alto. Nesta semana uma leitora do Jornal de Pomerode entrou em contato com a redação para relatar o foco de uma possível infestação da praga. Segundo a moradora, o caramujo começou a aparecer em grande escala, no quintal de sua casa, há cerca de uma semana. Ela afirma que antes o aparecimento era pouco, recolhia em seu jardim um ou dois a cada dia, mas agora é possível encontrá-los passeando aos montes no muro, entre as flores e arbustos de dia e de noite.

Devidamente protegida com luva de borracha na mão, para evitar o contato direto, a dona da casa mostrou uma sacola de plástico com caramujos recolhidos em menos de 24 horas. Além dos mosluscos estragarem a plantação eles representam danos à saúde humana. 

Em abril do ano passado, cansados da falta de solução para o problema, os moradores exigiram uma atitude da prefeitura e em resposta foram convocados para uma reunião extraordinária com representantes do poder público e da vigilância sanitária. A medida para o controle foi a disponibilização de bombonas comunitárias, que seriam recolhidas assim que ficassem cheias de caramujos e, portanto, os moradores ficaram responsáveis pelo recolhimento dos caramujos dentro de suas respectivas residências. O uso de pesticidas foi vetado e meses depois o caramujo ainda era visitante frequente em algumas residências.

De acordo com o Gerente de Vigilância Sanitária de Pomerode, Jader Luís Fischer, o caramujo africano está sob controle, no entanto, em épocas de maior umidade é comum haver um aumento do molusco. Segundo ele, o recolhimento ainda está sendo feito por meio de mutirão e que os latões fornecidos pela Secretaria de Obras ainda estão nos endereços Rua Ana Achtberg, na altura do número 705, e na Rua Carlos Belz, no número 880. 

Jader afirma que os moradores foram orientados em palestras sobre como coletar e manipular os caramujos, por meio de luvas e sacos plásticos. Os caramujos devem ser recolhidos e depositados nos endereços citados acima. O gerente ainda recomenda que os moradores não deixem lixos e entulhos acumulados em terrenos baldios, pois isso ajuda na proliferação dos caramujos.

Caramujo persistente – O problema já havia acontecido em 2012 e foi controlado desta forma. A Vigilância Sanitária adverte aos moradores para que não utilizem pesticidas no combate a praga, para não haver o risco de contaminação do solo. Também não recomendam o uso de sal ou pó de café. Essas ações funcionam em algumas localidades, como no interior de São Paulo, onde também existem infestações dentre outras regiões brasileiras. Reconhecer o caramujo africano é simples. Possui concha em formato cônico, com borda afiada de cor cinza escuro e estrias castanha.

O grande perigo do caramujo provém da transmissão de um verme nematoide, o Angiostrongylus, causador da angiostrongiliase meningoencefálica, que paralisa o sistema nervoso central com extrema gravidade. Pode causar também o angiostrongiliase abdominal, doença caracterizada pelo comprometimento dos órgãos abdominais, especialmente da região do intestino grosso.

O caramujo africano introduzido de modo clandestino no Brasil em 1988, como alternativa ao cultivo do escargot e que acabou virando praga. Sua concha mede entre 15 e 20 centímetros de altura e entre 10 e 12 de comprimento, podendo pesar 200 gramas.

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