A serviço dos mares brasileiros
Viajar por águas brasileiras por dias, sem ver a família e estando propenso a quaisquer tipos de imprevistos.
Viajar por águas brasileiras por dias, sem ver a família e estando propenso a quaisquer tipos de imprevistos. A vida de marinheiro envolve diversas atividades, desde resgate, salvamento, atendimento, proteção e outras formas de defesa e cuidados com o povo brasileiro. Entretanto, poucos sabem qual a função da Marinha Brasileira em território e em alto mar.
No dia 19 de setembro, a equipe do Jornal de Pomerode participou de uma viagem de instrução organizada pelo Capitão de Fragata da Marinha do Brasil, Rafael Lopes de Matos, juntamente com a turma do oitavo semestre do curso de Jornalismo do Ibes Sociesc, que foi realizada no Navio Corveta Imperial Marinheiro, que é o navio mais antigo que o Brasil possui.
A Corveta Imperial Marinheiro leva este nome em homenagem aos marinheiros do Brasil. Este navio é um, dos dois que permanecem em atividade nas águas brasileiras, que o país comprou da Holanda, no ano de 1955. As corvetas classe Imperial Marinheiro foram idealizadas para atuarem como navio guarda-costas, rebocador, mineiro e varredor. Porém, nos anos de 1990, as unidades remanescentes mantinham apenas as características de unidade de patrulha (guarda-costas) e salvamento (rebocador). O navio, embora não seja usado em batalhas, possui um canhão duplo e quatro metralhadoras. Em vezes, é usado para operações com aeronaves para recebimento de alimentos e remédios ou outros subsídios. O navio mede em torno de 56 metros e pesa, sem os equipamentos, em torno de 1.007 toneladas. Possui uma lancha e um bote inflável, além de cinco balsas salva vidas.
Segundo o Comandante Cássio, ainda não são permitidas mulheres na tripulação, mas a Marinha já está se adequando a presença das mulheres no Corpo Naval. A Marinha ainda não permite que mulheres venham em viagens, pois os navios não são estruturados para a presença delas, uma vez que só homens serviam a marinha até tempos atrás. Entretanto, elas estão presentes no corpo administrativo e na intendência em terra. Alguns navios mais modernos já apresentam corpo necessário e, às vezes, já levam mulheres a bordo, como o caso do Escola Brasil. Estas adequações são indispensáveis para manter a Marinha cada vez mais igualitária explana.
Dentre os tripulantes, um médico sempre se faz necessário a bordo. O médico, dentro do navio da Marinha é chamado de Doc. Na ocasião, estava presente o médico Ramon Córdova Santos, que está acompanhando o grupo desde a saída do Rio Grande do Sul e já conta com 30 dias de mar. Ele explica que o trabalho do Doc. dentro do navio é cuidar e manter a saúde da tripulação. O médico de bordo, que viaja junto com a tripulação, fica responsável por cuidar da saúde dos tripulantes e o bem-estar deles. Além disso, realiza o primeiro atendimento numa missão de resgate. Mas o médico pode atuar em outras áreas também, como no Ambulatório Naval, onde ele cuida não só dos integrantes da Marinha, como também de suas famílias relata.
A Marinha exerce diversas funções, entretanto, as tarefas são divididas nos distritos, que são encarregados de determinados desempenhos. Conforme o 2° Tenente Travassos, a Marinha é dividida em distritos, o nosso, no caso, é do Rio Grande do Sul. Somos encarregados por fazer patrulha, caso algum navio não esteja em situação regular. Também fazemos resgates e salvamentos, onde somos acionados devido a alguma embarcação que tenha afundado em alto mar. Neste procedimento, nós temos até quatro horas para desatracar o navio. Analisa-se o ocorrido e então, monta-se uma estratégia de como irá se decorrer.
Ele ainda explica como funciona o ingresso na Marinha. O mais comum é ingressar através do Colégio Naval, onde são sete anos de formação e um ano de viagem. No colégio são oferecidos três cursos. O de Fuzileiro Naval, Fuzileiro de Armada e o de Intendência. Há também o ingresso por meio de concurso, principalmente para as áreas de Administração, Engenharia e Medicina. E também tem o RM2, que é através da mostra de currículo afirma Travassos.
Uma das principais funções dentro do navio é a função de vigia. Ele tem o desempenho de checar os navios próximos à embarcação da Marinha, içar as bandeiras e apitar conforme o navio realiza as manobras. O marinheiro vigia Erasmo, conta que dentro do Colégio Naval, há um curso especial para vigias, que dura uma semana. No curso, eles aprendem a função e como lidar com certas situações. Erasmo ainda conta que decidiu entrar na Marinha, pois ela já faz parte de sua família. Meu pai e meu tio serviram à Marinha. Como já está na minha família, decidi seguir este caminho também e estou satisfeito com o que faço.
Uma missão de bravura – Os marinheiros são parte da proteção que o país oferece, concedendo confiança e desenvoltura em momentos críticos. Servir à Marinha é questão de patriotismo, onde a segurança dos mares brasileiros é a questão. Por fim, o Comandante Cássio diz que quem quiser ingressar na Marinha será sempre bem-vindo. Precisamos cada vez mais do interesse dos jovens e da população em geral nos assuntos navais. Necessitamos de novos integrantes e estamos de portas abertas para quem desejar fazer parte de nossa equipe termina.