Geral

A preservação da tradição

A história da família Siewert, de Testo Alto, começou no Brasil em 1868.
Hoje, a preservação da tradição e da cultura ainda são marcas da família

22 de julho de 2015

Uma verdadeira viagem ao passado. Assim pode ser considerada a visita à Casa Siewert, localizada na rua Testo Alto, 8019 e que faz parte da Rota do Enxaimel desde 2011, além de ser considerada patrimônio histórico.

No local, uma simpática família, representada pelo patriarca Vendelin, pelo filho Rogério, e pelos netos Júlia e Matheus, mostra aos visitantes um pouco da história de seus antepassados, que iniciaram sua trajetória no Brasil por meio de Carl Friedrich Ferdinand Siewert, vindo da Alemanha, em 1868. Com uma explicação bastante simples, eles revelam pouco da vida dos seus antepassados, ainda preservada nos dias de hoje, como eles chegaram e se estabeleceram em Pomerode.

“Mostramos todas as dependências da casa, o rancho, as carroças que eram utilizadas como meio de transporte até Blumenau. As pessoas que vem de grandes cidades se encantam, pois não conhecem essa realidade”, conta Vendelin. Cabe ao filho Rogério e ao neto Matheus falar sobre a história da família, por meio de um banner que mostra a árvore genealógica.
A família Siewert ganhou seu lote de colonização de número 166 no ano de 1896, onde foi construída uma casa de enxaimel no ano de 1913.

A casa também faz parte da decisão do Iphan de chancelar a primeira Paisagem Cultural Brasileira em Santa Catarina, sendo este um marco para as políticas públicas de patrimônio cultural: desde a sua instituição há quatro anos, é a primeira vez que se utiliza o instrumento da chancela.

A chancela da Paisagem Cultural Brasileira é um instrumento novo de preservação do patrimônio cultural, diferente do tombamento. Segundo a Portaria Iphan 127/09, constitui Paisagem Cultural Brasileira “uma porção peculiar do território nacional, representativa do processo de interação do homem com o meio natural, à qual a vida e a ciência humana imprimiram marcas ou atribuíram valores”.

Quem chega ao local também pode conferir fotos dos familiares, enaltecendo as diferenças da realidade atual. Em uma delas, de 1904, algumas dezenas de crianças aparecem na frente da antiga Escola Amadeu da Luz. “Se vocês perceberem, todas as crianças estão descalças. Em outro retrato, de 1942, os alunos já possuíam uniforme, mas também continuavam sem calçados. Seja qual fosse a condição climática, eles iam para a escola desse jeito. Isso mostra o quão rústica era a vida antigamente, bem diferente da atual”, enfatiza. Esse contraste permeia toda a explicação, para que os visitantes possam conhecer os costumes dos antigos colonos. Por isso, a família procura manter a casa muito parecida com o que era há alguns anos, para que a “essência” do século passado não se perca.

Rogério explica que, atualmente, há três coisas essenciais para que o ser humano possa sobreviver: dinheiro, para a compra de alimentos e bens; combustível, para o transporte; e a energia, que move a industrialização. No entanto, no tempo dos primeiros colonizadores, não havia tais elementos e, nem por isso, deixaram de evoluir. Segundo o morador de Testo Alto, há 70 anos, a força motriz para o desenvolvimento era a criatividade e o trabalho árduo, que serviram para superar as dificuldades. “Hoje em dia, se não houver pelo menos uma dessas três coisas o mundo seria um caos, mas teríamos que sobreviver de algum jeito, assim como fizeram os imigrantes. Não havia muito dinheiro, pois o comércio era realizado na base da troca escambo. Combustível não era necessário, porque havia a tração animal. Já a energia elétrica chegou somente na década de 70. Por isso, ressaltar a força do povo alemão é muito gratificante”, relata. Vendelin acrescenta que, apesar de não existir estes elementos, as pessoas viviam mais, uma vez que os mantimentos eram mais naturais e havia mais esforço físico no trabalho. “Era praticamente uma academia. E também nós comíamos alimentos sem aditivos ou venenos, preservando suas vitaminas e propriedades naturais”, revela.

Outro fator importante era que tudo “girava” em torno da produção de milho, a qual Rogério explana com uma ilustração que mostra o quanto esse cereal era importante. “Se havia milho, a sobrevivência estava garantida, pois todas as outras coisas dependiam dele. Como a sua colheita se dava no início de janeiro, o ano estava atrelado a uma boa produção. Não havia comércio ou agropecuária para comprar farelo ou carolo, tudo era produzido por meio do milho”, enfatiza. A família ainda possui uma grande cultura, com cerca de cinco mil m². Houve até um episódio que o patriarca da família Siewert conta, sobre a produção. Nos primeiros dois anos de casados, houve vendaval e enchente, o que prejudicou a colheita. “Mas tivemos que nos ‘virar’ para sobreviver. Toda a programação anual era em função do milho”, acrescenta. 

Os visitantes, que chegam a 50 por semana, ficam fascinados com esta verdadeira viagem no tempo. Além das explicações dadas por Rogério sobre a vida dos antepassados, os visitantes podem conferir outros ambientes, como o museu de implementos agrícolas, no qual, mais uma vez, as diferenças entre o passado e presente ficam evidenciadas.

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