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A idade do conhecimento

Com 65 anos morador de Pomerode forma-se em universidade e fala sobre a importância da informação

1 de junho de 2015

“Como se diz na marinha ‘O tempo é o tempo que se tem’. A idade não impede que se aprenda algo novo, tampouco a situação financeira. Hoje em dia existem muitas facilidades, livros, cursos online, só não faz quem não quer” – Comandante Matos
As premissas da educação contribuem para a construção de valores e por consequência, para uma convivência mais harmônica entre indivíduos. A mente de quem agrega conhecimento constantemente é mais ativa e os benefícios são percebidos por diversos meios. Por meio dela, desenvolvemos vertentes sociais, econômicas e culturais. O raciocínio melhora, o rendimento se torna mais direcionado e até mesmo as relações interpessoais ganham um sentido mais apurado.

 
Infelizmente, a situação da educação no Brasil ainda está longe de ser considerada um modelo. A OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) mantém um ranking da educação em 36 países, no qual o Brasil atualmente amarga a penúltima posição, à frente somente do México. Como critérios avaliados pela organização estão o desempenho dos alunos no PISA, a média de anos que os alunos passam na escola e a porcentagem da população que está cursando ensino superior.

Alguns brasileiros, no entanto, fogem desta realidade e levam uma vida dedicada aos estudos. É o caso de Rafael Lopes de Matos, mais conhecido por Comandante Matos, hoje reserva da marinha, amante do conhecimento e prova viva de que a idade em nada impede de continuar estudando. No auge de seus 65 anos, cocluiu recentemente a graduação no curso de Jornalismo, pelo IBES, mas esta é apenas uma de suas muitas outras formações.

A primeira faculdade cursada não tinha muito a ver com a profissão que teria pelos próximos 28 anos. Sua entrada na USP (Universidade de São Paulo) aconteceu quase sem querer. O jovem Rafael, muito antes de ser tornar Comandante (ou Capitão-de-Fragata, oficialmente) queria entrar para a Academia Militar das Agulhas Negras, mas o processo de seleção era bastante rigoroso. Disposto ao ingresso, o jovem dedicou-se aos estudos e passou pelas inúmeras etapas seletivas. No entanto, na última delas, uma entrevista fez com que os sonhos do jovem ruissem. Não compreendeu as razões de não ter sido aprovado e ficou bastante desapontado. Contudo um amigo lhe informou que o curso de matemática da USP estava com vagas disponíveis e convenceu Rafael a prestar o vestibular. Passou com êxito e concluiu a graduação em 1973 a duras penas.

 Precisava pagar o aluguel da pensão em que vivia e para isso, além de estudar, trabalhava como professor. Embora tenha se tornado bacharel em matemática, seu enfoque era a carreira militar. Conseguiu passar no concurso para a marinha e disse ‘tchau’ para as equações, fórmulas de Bhaskara, matrizes, ângulos, catetos e hipotenusas.

Já conhecia o conceito de disciplina e ao ingressar na marinha percebeu o quanto o adjetivo era importante para o bom desenvolvivento das funções exercidas.

A profissão lhe permitiu mobilidade e conheceu vários estados brasileiros, mas os estudos sempre seguiram. Na marinha, os oficiais estão sempre se aprimorando e o Comandante efetuou os cursos de “Aperfeiçoamento de Administração de Pessoal e Transporte”, “Básico de Guerra Naval” e “Superior de Guerra Naval, necessários para habilitar comandos. Além desses foram mais de 16 outros cursos que abrangem temas desde a “Gerencia de Qualidade” à “Informações”.

O Comandante explica que ao alcançar uma posição de superior, é necessário saber executar as funções de quem vai acatar as ordens. “O conhecimento é fundamental para exercer um cargo de comando. Os cursos da marinha são necessários para a aplicação prática, a medida que se sobe um degrau, sobem as responsabilidades. Quem dá a especificação precisa saber como se faz para fazer junto”, explica.

Após tantos anos de atividades relativas ao intelecto, quando o Comandante passou para a reserva da Marinha, sentiu falta da vida militar e voltou para as salas de aula.

 Cursou pós-graduação em Administração Pública no INPG e pós-graduação em Relações Internacionais na Universidade Federal do Paraná. Também cursou radialismo pelo Senac Lapa Scipião em São Paulo e hoje atua como radialista na estação Cultura Riograndina.

Com tanta experiência, o Comandante é uma pessoa bem informada e solícita, quando inicia um curso vai com a cabeça aberta, como se fosse o primeiro, disposto a absorver o máximo de informações. Ele acredita que não existem desculpas para abandonar os estudos. “Como se diz na marinha ‘O tempo é o tempo que se tem’. A idade não impede que se aprenda algo novo, tampouco a situação financeira. Hoje em dia existem muitas facilidades, livros, cursos online, só não faz quem não quer”, enaltece.

Por hora, o Comandante, está de Reserva, mas nem por isso está parado. Seus dois novos companheiros são feitos de papel. Tem efetuado a leitura das obras “A Soma e o Resto – Um Olhar Sobre a Vida aos 80 Anos” de Fernando Henrique Cardoso e “Todo Imperio Perecera – Teoria das Relacoes Internacionais” de Jean-Baptiste Duroselle.

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