A festa da Páscoa mais Alemã do Brasil recebeu Associação de Cegos do Vale do Itajaí
A festa da Páscoa mais Alemã do Brasil recebeu uma visita mais do que especial na manhã desta quinta-feira, 06 de abril. 21 associados da Acevali, a Associação de Cegos do Vale do Itajaí, convidada pela organização, estiveram presentes na Osterfest para conhecer a Maior Árvore de Páscoa do Mundo e se divertir com as outras atrações da festa, como oficinas de produção de bolachas e a culinária local.
A festa da Páscoa mais Alemã do Brasil recebeu uma visita mais do que especial na manhã desta quinta-feira, 06 de abril. 21 associados da Acevali, a Associação de Cegos do Vale do Itajaí, convidada pela organização, estiveram presentes na Osterfest para conhecer a Maior Árvore de Páscoa do Mundo e se divertir com as outras atrações da festa, como oficinas de produção de bolachas e a culinária local.
Acompanhados pelos monitores voluntários da Associação, eles caminharam pelas dependências da festa, conhecendo o ambiente. E, se engana quem pensa que um deficiente visitar uma festa altamente visual, como a Osterfest, é algo sem sentido. É algo completamente normal, pois eles possuem uma percepção extremamente aguçada do ambiente e conseguem sentir a atmosfera.
Vários deles, durante a visita, destacaram que é uma sensação incrível estar ali, que conseguem sentir a beleza do local, o ar puro, a energia positiva que emana da festa. E, como não poderia ser diferente para qualquer visitante que passa pela Osterfest, eles faziam perguntas sobre a montagem e se admiravam com a grandeza da nossa Osterbaum.
Odila Zilke, de 54 anos, ficou encantada com a visita e conta que foi uma realização. “Eu ouvia as matérias que apareciam na televisão e ficava imaginando como seria, pensando em vir visitar e conseguir estar aqui e sentir toda a beleza deste local. É como realizar um sonho, para mim”, revela.
E, para reforçar que a cegueira não é uma barreira para que eles ficassem encantados com a nossa festa, Noemi Pereira confirma. Ela é uma das associadas do grupo que possui cegueira total, o que não a impediu de ficar maravilhada e elogiar a beleza da Osterfest. “Para mim, pela descrição, deve estar tudo muito bonito, estou adorando. Gostei de tudo. É a primeira vez que viemos, mas se nos convidarem nas próximas, com certeza, viremos de novo”, promete, animada.
É natural que quem perde algum sentido comece a desenvolver mais os outros e é isto que a Acevali procura estimular. Na sede são realizadas atividades relacionadas ao tato e audição, como por exemplo, os exercícios de descrição audiovisual.
Este foi o principal mecanismo utilizado para que os deficientes visuais pudessem visualizar em sua mente como era a aparência da decoração da Osterfest. Enquanto conduziam os passeios, os monitores falam sobre o local, descrevendo com detalhes o ambiente ao redor. Os associados, prestando atenção e montando o cenário ao redor em sua cabeça, comentavam a todo instante o quanto estavam achando tudo muito bonito. Para quem acompanhava a visita, era uma lição emocionante.
O estímulo ao tato, fazendo-os tocar nas coisas, sentir o seu formato e textura também fez parte das ações para a absorção da atmosfera da festa. As exclamações de admiração durante estes momentos surgiam a todo o momento.
A monitora responsável pelas atividades que buscam aguçar os outros sentidos, a assistente social Patrícia Isabel, ressalta que um aspecto que facilita a percepção é o fato de que muitos dos associados não nasceram com a cegueira ou seja, já possuíam uma imagem da realidade gravada na memória.
“Visitas como estas têm como objetivo principal a inclusão. Nós trabalhamos para criar mecanismos e formas para incluí-los em eventos como esse, que é extremamente visual e é possível perceber que há um resultado, que eles conseguem sentir toda a beleza do local e ficam extremamente felizes com a visita”, reitera.
Ela destaca, também, que é importante este tipo de passeio para que eles tenham o contato com este locais abertos, que possuem a beleza física como principal atrativo, para que inúmeras barreiras que se criam devido à deficiência sejam desconstruídas.
A visita foi, com certeza, uma lição de humildade para todos que puderam presenciá-la e que pretende ser repetida nos próximos anos.