Geral

A fé como remédio

Mesmo após o diagnóstico de câncer, pela terceira vez, família agarra-se no amor e na fé, em busca pela cura.

1 de junho de 2015

A fé não costuma faiá

Na casa de Rosana Scheidt Penteado e de seu filho Emanuel, não falta fé, aliás é o que tem de sobra. Fé e força. E disso eles precisam. Emanuel é um garotinho, dono de uma bela cabeleira negra, um pouco tímido, mas sempre com um belo sorriso despontado no seu rostinho. Tem nove anos e viveu a maior parte da vida dentro de hospitais, e quando tinha apenas quatro anos, foi diagnosticado com leucemia. A mãe recebeu a notícia como um choque Foi como se tivessem me tirado o chão.

Naquele instante Rosana não questionou o fardo recebido e colocou nas mãos de Deus. Ela tinha que agir rápido e o tratamento logo foi iniciado. Durou dois anos e funcionou, porém alguns meses após a finalização, quando todos pensavam que poderiam respirar aliviados, o pesadelo retornou. Houve uma reincidência nos testículos do jovem e veio a necessidade de mais doses de hospitais e de brinde, sessões de radioterapia. Na segunda vez, Rosana, que já conhecia bem o drama de um tratamento contra o câncer se viu novamente numa situação de correr contra o tempo. Na segunda vez foi pior do que a primeira, mas precisei ter forças para superar. Não dá nem tempo de reclamar, desabafa.

No dia 16 de janeiro de 2013 acabaram as quimioterapias. Emanuel já estava bem e assim permaneceu até janeiro deste ano, quando começou a ter febre alta sem explicações, pois ele não estava doente. Foram ao médico, que já conhecia o caso, fizeram o hemograma e a biópsia da medula. A leucemia havia voltado. Isso é algo relativamente comum na vida de quem tem câncer. É um risco constante que preocupa e aconteceu com Emanuel.

Sua rotina é no hospital. Rosana conta que ele sofre muito com a quantidade de vezes que tem o braço perfurado por agulhas. Em uma das suas piores fases, teve que ficar internado por dez dias seguidos em Curitiba. Precisou enfrentar uma maratona de 36 horas de quimioterapia. Neste mês de abril chegou a fazer três sessões na mesma semana. As reações não são nada agradáveis. Enjoo, cansaço, amargo na boca. Além disso, as sessões baixam a imunidade e Emanuel precisou fazer transfusão de sangue, na semana passada.

Emanuel passa por tudo isso. Passou a maior parte da vida nesse cenário. Ele não reclama. Até faz piada. É sinônimo de força e luta, a família orgulha-se de sua consistência. Para se distrair, os pais lhe presentearam com muitos jogos. Adora os quebra-cabeças e o seu vídeo game. Agora está se dedicando a colecionar figurinhas da Copa. A vida ainda não está sendo fácil para Emanuel. Agora ele vai se cadastrar para tentar achar uma medula compatível com a dele e assim poder fazer um transplante. A família não é. Fica um chamado a população que se sensibilize e doe medula óssea, não apenas para o pequeno Emanuel, mas para outras pessoas que se encontram nessa situação de incerteza. Enquanto isso Rosana reza, pois como disse Gilberto Gil Andar com fé eu vou que a fé não costuma faiá.

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