A crença nos Orixás
O princípio básico da Umbanda é a caridade, aliada à fraternidade e ao desejo de ajudar ao próximo. Outro ponto bastante importante na crença da Umbanda é que não deve haver cobrança pelos serviços prestados. E é isto que faz Gilberto da Silva Munis, de 38 anos, mais conhecido como Pai Gilberto de Iemanjá, Pai de Santo há seis anos em Pomerode
Uma crença que deriva de uma religião secular, que surgiu como uma vertente do Candomblé e chegou ao Brasil junto dos africanos que foram trazidos para cá para servirem como escravos. A Umbanda é uma religião afro-brasileira que sincretiza o catolicismo, espiritismo e as religiosidades africana, indiana e indígena. De forma geral, as manifestações divinas se dão por meio dos Orixás, que são chamadas de guias ou entidades, tendo como Oxalá, que representa Jesus Cristo, como principal.
O princípio básico da Umbanda é a caridade, aliada à fraternidade e ao desejo de ajudar ao próximo. Outro ponto bastante importante na crença da Umbanda é que não deve haver cobrança pelos serviços prestados. E é isto que faz Gilberto da Silva Munis, de 38 anos, mais conhecido como Pai Gilberto de Iemanjá, Pai de Santo há seis anos em Pomerode.
“Eu vim de uma família católica, inclusive fui frei e estudei por um tempo no seminário, para ser padre, mas aos 16 anos não podia mais ignorar os sinais e a vocação para ser Pai de Santo”, relata o Pai Gilberto. Mas, a história começou bem antes disso, quando ele tinha apenas 11 anos, e começou a apresentar os sinais da mediunidade.
Os pais o levaram para se consultar com um Pai de Santo, para que pudesse retardar os sinais e não prejudicasse o desenvolvimento nesta fase de transição. Mas, aos 16 anos, a mediunidade voltou a dar os seus sinais e Munis foi estudar para seguir este caminho. Hoje, ele exerce a função de Pai de Santo em Pomerode e é credenciado à Federação da União dos Cultos Afro-Brasileiros (Fuca).
Segundo Pai Gilberto, não foram poucas as vezes que sofreu com o preconceito, já que Pomerode é uma cidade tradicionalista e, por isso, a população tem um pouco de dificuldade na aceitação de culturas e religiões diferentes. “Uma vez que me marcou muito foi em 2014, quando fui assaltado. Tenho certeza de que foi um ato de vingança, puramente de preconceito por eu ter uma crença diferente”, conta o Pai de Santo.
A parte mais difícil em seguir uma religião afro-brasileira, de acordo com Pai Gilberto, é “dar a cara a tapa”, mostrar quem é, para tirar a visão da sociedade de que quem pratica Umbanda é macumbeiro. “Uma das coisas que desejo muito fazer é incentivar práticas que ajudem as pessoas a conhecerem melhor crenças e costumes diferentes, como por exemplo, estimular mais atividades no Dia da Consciência Negra. É importante estarmos no meio da sociedade e sermos vistos como religião, pois já é reconhecida como tal há 108 anos”.
Mesmo com todas as dificuldades de aceitação, Pai Gilberto nunca teve vergonha de mostrar no que acreditava, sempre assumiu a sua religião com orgulho e exerce a função de Pai de Santo simplesmente por amor, pelo gosto em seguir o princípio básico da Umbanda, que é a caridade. Ele conta que as pessoas vêm buscar sua orientação e conselhos, principalmente para questões de saúde, financeiras e amorosas.
Mas, ele ressalta que não pratica nenhum ritual estranho ou que envolva sacrifício, como o que foi registrado em Testo Alto há algumas semanas. “Quero ser reconhecido pelo meu trabalho, pelo meu auxílio às pessoas e não como ‘macumbeiro’. A Umbanda não admite sacrifício e o episódio de Testo Alto não teve nenhuma ligação com a nossa religião. Inclusive, é importante destacar que somos autorizados por lei a exercer nossas práticas em qualquer lugar, incluindo os cemitérios, mas que aquele tipo de coisa, com sacrifícios, não faz parte dos rituais da Umbanda”, reitera Pai Gilberto.
Para ser reconhecido oficialmente como Pai de Santo, é preciso ter o certificado de alguma federação, reconhecendo que, além de ter o dom, a pessoa também tenha estudado para exercer a função. Pai Gilberto, como citado anteriormente, é credenciado à Fuca, também fazendo parte da diretoria da federação, que possui 180 credenciados no Brasil e mais dois em outros países. “É importante que tenhamos essa regulamentação para que as pessoas saibam que é um trabalho sério e para que confiem nele”, finaliza.