A compreensão pelas mãos
Há quem diga que não é compreendido pela sociedade. No entanto, ao revelar o que pensa a sociedade, de imediato, responde à sua colocação.
Há quem diga que não é compreendido pela sociedade. No entanto, ao revelar o que pensa a sociedade, de imediato, responde à sua colocação. Já imaginou não conseguir se comunicar? É assim que os surdos se sentem ao chegar a um local onde ninguém saiba entendê-los.
A maior dificuldade relatada por eles é esta, ouvintes que não conhecem a linguagem dos sinais e, com isso, passam a ser estranhos numa sociedade que se diz tão adepta da inclusão.
No dia 26 de setembro é comemorado o Dia Nacional do Surdo. Esta data poderá ser, verdadeiramente, comemorada no dia em que não houver mais olhares preconceituosos com quem se comunica através de Libras.
Em um encontro que reuniu um grupo de surdos, a equipe do Jornal de Pomerode deu ouvidos, voz e vez a estes que são, sem dúvidas, verdadeiros lutadores pela inclusão social.
Alex Rosa, Elenice Raduenz e Daniela Werner são estudantes do Colégio Sinodal Doutor Blumenau e possuem intérpretes em sala de aula, inclusive em nossa conversa. A tradicional rotina de escola não é abalada pelo fato deles serem surdos, pelo contrário, a vida deles é mais ‘normal’ e agitada do que de muitas outras pessoas.
Alex já estuda no colégio há algum tempo e possui uma rede social escolar ampla. Ao contrário de Elenice e Daniela que, quando entraram na escola, não conheciam ninguém no Ensino Médio e notaram olhos curiosos durante as aulas. Essa reação já faz parte do cotidiano desses alunos que, agora, já estão enturmados e possuem diversos amigos em sala e também fora dela.
Elenice e Daniela estão no segundo ano do ensino médio, mas suas duas melhores amigas, e intérpretes nas horas vagas, estão na turma do primeiro ano. Waleska Schroeder sempre demonstrou interesse pela linguagem dos sinais e foi este interesse que a uniu a Elenice e Daniela. Katerine Krüger afirmou ter conhecido as meninas através de Waleska e se interessar por Libras apenas depois deste contato. Hoje, as duas amigas comunicam-se através da linguagem de sinais e até são requisitadas para realizar a tradução, seja para outros amigos ou em locais públicos.
Por outro lado, o casal Ino Pucc e Michele Klowaski conheceram-se em uma festa há seis anos. Desde lá o casal está junto e também frequenta um grupo com aproximadamente 20 surdos. Os encontros são realizados nas casas dos amigos. Atualmente ambos trabalham em empresas locais, mas a comunicação é feita através da escrita, pois a linguagem dos sinais ainda não faz parte da rotina.
A falta de intérpretes no mercado pode ser vista em diversos meios como escolas, empresas e comércio. A necessidade desta mão de obra especializada a valoriza. No entanto, mais do que uma necessidade comercial, o conhecimento da linguagem dos sinais é a forma de transformar a comunicação e entendimento entre surdos e ouvintes completa.
O diagnóstico
Um exame de três minutos pode garantir uma vida normal para crianças com deficiência auditiva. O chamado teste do ouvidinho é capaz de detectar precocemente problemas auditivos no bebê e deve ser realizado até dois dias após o nascimento. A importância do teste é enorme. De acordo com dados do Grupo de Apoio à Triagem Auditiva Neonatal (Gatanu), de cada mil nascimentos de bebês normais três terão alguma dificuldade para ouvir.
O teste é muito simples. Com o bebê dormindo, o fonoaudiólogo coloca um fone na orelha externa da criança, que emite um estímulo sonoro conhecido como click. O teste é sensível e, por isso, deve ser realizado em bebês com menos de 15 dias. O exame mostra a deficiência, mas o grau dessa dificuldade só será determinado nos testes complementares.
A realização do teste da orelhinha precocemente auxilia no desenvolvimento da criança. Portanto, quanto antes realizar o exame, melhor para quem recebe o diagnóstico positivo.
A data
O Brasil comemora, em 26 de setembro, o Dia Nacional dos Surdos. A data foi criada pela Lei nº 11.796/2008, há apenas dois anos. E tem um histórico baseado no Segundo Império, com a chegada do educador surdo francês Hernest Huet, que trouxe o alfabeto manual e a Língua Francesa de Sinais. Foi solicitado então ao Imperador Dom Pedro II, um prédio para fundar, em 26 de Setembro de 1857, o Instituto dos Surdos Mudos no Rio de Janeiro, hoje o atual INES (Instituto Nacional de Educação dos Surdos). Deveríamos aproveitá-la para refletir sobre a inclusão das pessoas com deficiência auditiva na sociedade brasileira e perguntar se elas estão tendo seus direitos respeitados.
Uma das melhores formas de incluir os surdos na sociedade é tornando possível a comunicação deles com as demais pessoas. Para isso existe a Língua Brasileira de Sinais (Libras). Você provavelmente já viu na TV um intérprete de Libras fazendo sinais com as mãos para traduzir as informações faladas para aqueles que não podem ouvir. É principalmente por meio da Libras, e também da leitura labial, que os surdos podem entender o que é dito ao seu redor.
O Decreto 5.626/2005 torna obrigatório o ensino da Língua Brasileira de Sinais nos cursos de formação de professores e a educação bilíngue nas escolas onde estejam matriculados alunos com deficiência auditiva. Ele também obriga os órgãos públicos a terem intérpretes de Libras para facilitar o atendimento aos cidadãos surdos. Mas, infelizmente, muitas dessas medidas, que deveriam ajudar na inclusão dos surdos, ainda não foram implantadas. Se você já perdeu a oportunidade de ser amigo de um surdo porque não sabia como se comunicar com ele, que tal fazer um curso para se tornar intérprete de Libras?
Lembrando que a nomenclatura correta é surdo e não surdo-mudo, pois eles tem suas cordas vocais preservadas, só não falam por não ouvirem e assim não conseguem repetir as palavras.
Projeto “Falar com as mãos”
Diante da dificuldade que a comunidade surda encontra em poder se comunicar, foi lançado um projeto que tem o intuito de disseminar o conhecimento em Libras para os pomerodenses.
A 2ª edição do curso de Libras – Básico, possui o patrocínio da Associação Pomerodense dos Deficientes (Apodef). O público alvo deste curso são pessoas interessadas em aprender a linguagem dos sinais.
As aulas iniciam no dia 05 de outubro e seguem até o dia 07 de dezembro de 2012. As aulas serão ministradas na sede da Apodef, no centro da cidade. O investimento é de R$ 180, sendo três parcelas de 60.
As inscrições podem ser feitas na Apodef no dia do curso, necessitando haver os seguintes documentos: Xerox do CPF, RG e comprovante de residência.Cada aula terá três horas de duração, sendo nas sextas-feiras, das 18h às 21h.
Lembrando que o curso possui número máximo de inscritos, corra para garantir sua vaga. Mais informações podem ser adquiridas nas segundas e quartas-feiras, das14h às 16h ou nas quintas-feiras, das 9h às 11h na Apodef, pelo telefone 3387-0465 ou 9189-3391 e 8423-9392.
“Quando aceito a Língua de outra pessoa, eu aceito a pessoa, quando rejeito a língua, eu rejeito a pessoa porque a língua é parte de nós mesmos. Quando eu aceito a Língua de Sinais, eu aceito o surdo e é importante ter sempre em mente que o surdo tem o direito de ser surdo. Nós não devemos mudá-los, devemos ensiná-los, mas temos que permitir-lhes ser surdo” Terje Basillier ( Psiquiatra surdo norueguês)