A arte de fazer rir
Palhaço há oito anos, Kelvin Tillmann relata verdadeiro amor pela profissão. “É preciso resgatar a inocência da infância”
Nariz vermelho, cara pintada e chapéu colorido. Uma chance para você adivinhar de qual personagem estamos falando. Fácil, não é mesmo? O palhaço é uma figura bastante conhecida, em especial pela criançada. E eles mexem e remexem. Brincam e agitam. Com suas roupas cheias de cores, eles pulam de um lado para outro, buscando sempre um único objetivo: o riso.
Fazer rir. Uma arte secular. Desde a época das antigas Grécia e Roma e na Idade Média, estes personagens já eram conhecidos por levar alegria para as pessoas. Alguns trabalhavam nas ruas, em busca de dinheiro para se alimentarem.
Outros, trabalhavam para autoridades para não perder a cabeça e são conhecidos como bobos da corte. Ao longo dos anos, os palhaços foram evoluindo, entrando para o mundo dos espetáculos e do circo. Também ingressaram nas telinhas e hoje, são figuras carimbadas de qualquer infância.
No começo, uma necessidade. Hoje, sua profissão e grande amor. Kelvin Tillmann, também conhecido como Palhaço Cenourinha, tem na arte de arrancar risadas das pessoas uma enorme paixão. “No começo, eu entrei para esta área para tirar um dinheiro extra num tempo de dificuldade, mas hoje, faço por prazer, porque eu realmente amo minha profissão. Comecei quando eu tinha 15 anos e logo me apaixonei por trabalhar com crianças. Hoje tenho uma equipe que me ajuda. Já faço isso há oito anos, não me vejo fazendo outra coisa. Eu acordo todo dia sabendo que meu dia será bom”, comenta.
Sempre com um sorriso no rosto, Kelvin conta que no começo a recreação não era tão comum, mas que hoje levam alegrias a muitas festas. “Muitas pessoas procuram pelo palhaço. Geralmente são festas infantis, mas eu já cheguei a fazer o aniversário de uma senhora de 72 anos. E tem também eventos esporádicos e específicos que também somos contratados. Sempre é uma experiência muito legal”.
A função do palhaço vai além de divertir. A ideia é resgatar a infância dentro de cada pessoa, independente da idade, e levar a elas toda a delícia que é viver e reviver esses momentos. “Levamos brincadeiras antigas, daquelas que nós brincávamos quando éramos pequenos, que hoje estão se perdendo a fim de fazer as crianças se divertirem a aprenderem também. Pois afinal, toda brincadeira vem junto com um aprendizado. Queremos sempre brincadeiras interativas, que resgatem o contato das crianças entre elas e os pais. Por isso, também colocamos pai e mãe no meio, para fazer eles também voltarem ao tempo de infância e curtir esse momento com seus filhos”, conta.
Entretanto, o mundo vem evoluindo rapidamente, o que em alguns aspectos preocupa Kelvin. “Eu percebo que cada vez mais, os pais estão muito ausentes em casa, e automaticamente a criança fica mais refém da tecnologia. Não há problema em ela ser tecnológica, não é isso, mas como dizem, tudo que é demais, não é bom. O adulto tem que incentivar a criança a brincar e ele mesmo exercitar a criança que está dentro dele. Porque os adultos perdem o dom de brincar? Que não deixemos morrer a infância que existe em nós”. Ele também acha que muitas crianças estão se tornando mini adultos. “Estão tirando cada vez mais cedo o direito da criança de brincar. Por isso o papel do palhaço é tão importante, pois ele resgata na criança esse desejo por brincadeiras, e elas acabam, muitas vezes, levando isso para a infância inteira”, exalta.
Uma profissão linda, divertida e apaixonante. Um símbolo de inocência e bondade e alegria. O palhaço é um personagem que carrega a personalidade de alguém que nunca deixou a infância morrer. Kelvin, ou melhor, Palhaço Cenourinha quer continuar alegrando crianças por muitos anos. E a cada som de uma gargalhada, quer ter a certeza do dever cumprido.