O dom da vida
O relógio marcava 23h35min do dia 11 de abril quando Isabella deu seu primeiro choro. No entanto, antes que isso acontecesse uma longa espera se deu.
O relógio marcava 23h35min do dia 11 de abril quando Isabella deu seu primeiro choro. No entanto, antes que isso acontecesse uma longa espera se deu. A história da família Hein começa quando a matriarca Débora executou um exame para detectar a causa de sua infertilidade. Infertilidade esta que foi descartada duas semanas depois do exame, quando Débora descobriu que estava grávida. Daí em diante, nove meses de espera e expectativas se passaram até que Isabella chegasse ao mundo.
Foram 37 semanas e cinco dias, acompanhadas pelo Dr. Alexandre Dantas Lopes, até que Isabella nascesse através da cesárea que estava programada para segunda-feira, dia 15 de abril.
A necessidade de fazer à cesárea se deu por conta do procedimento anterior que Débora foi submetida há nove meses e, por questão de segurança e recuperação, foi a opção mais adequada, explica o obstetra Dr. Alexandre.
Débora conta que estava em casa quando percebeu que sua bolsa havia estourado. Notei que algo estava diferente e viemos para o Hospital. Foi quando descobrimos que a bolsa havia estourado e que Isabella iria nascer antes da data prevista, fala.
Depois da surpresa, os minutos pareciam horas e a ansiedade começou a tomar conta do casal. O pai, Carlos, esteve presente em todos os momentos e, junto com a mãe, aguardava o relógio marcar 23h para que Débora fosse encaminhada ao Centro Cirúrgico.
O casal chegou ao Hospital e Maternidade Rio do Testo por volta das 20h30min. A equipe do Jornal de Pomerode, às 21h. E, acompanhando de perto os momentos mais íntimos e que antecederam o nascimento, o sentimento que tomava conta do lugar era um só: o amor.
Quanto mais próximo os ponteiros do relógio chegavam das 23h, maior era a ansiedade. E quando a hora finalmente chegou, uma equipe inteira se pôs a postos para efetuar o último nascimento do dia e o primeiro do casal.
A anestesia aplicada pelo Dr. Carlos Alberto Takei deu início a um processo que dura pouco mais de 40 minutos. Com a sala cheia de profissionais, os primeiros passos foram efetuados e, em questão de cinco minutos, a pequena Isabella deu o ar de sua graça.
Com os olhos marejados, a mãe pediu para vê-la, enquanto o pai permanecia quieto, quase em choque, e observando cada detalhe.
O pediatra responsável por Isabella, Dr. John Marcos Kielwagen, efetuou os procedimentos necessários para então liberar a pequena para os braços de seus pais.
Depois que Isabella nasceu Débora permaneceu no Centro Cirúrgico para terminar os procedimentos habituais. Pouco mais de meia hora depois de seu nascimento, Isabella pôde ser encaminhada ao quarto para ficar junto de seus pais.
Com apenas .45 centímetros e pesando 2,420 quilos, Isabella já representava tanto na vida de seus pais.
O novo dia já havia iniciado, pois passava da meia noite quando todos se encaminharam para o quarto, e o sentimento no ar permanecia inexplicável. Alegria incontrolável e amor imensurável, talvez pudessem definir, de maneira mínima, o que tudo isso representa.
Os momentos que antecedem um nascimento são únicos. A primeira experiência de parto, as angústias, as dúvidas e as incertezas são deixadas de lado quando o choro pode ser escutado, o rosto observado e o primeiro contato efetuado.
O primeiro filho e tudo que ele representa na vida carregam também as mudanças da rotina. Uma rotina regada a fraldas, mamadas, sonos interrompidos, mas que tem todos os momentos difíceis compensados a cada conquista, a cada sorriso dado, a cada centímetro crescido.
Hoje, Isabella está em casa com a mamãe e recebe visitas constantes de parentes e amigos. E Débora afirma que não há nada que possa ser comparado ao amor de uma mãe para com seu filho. Tudo que foi vivido até o dia em que Isabella nasceu, torna-se pequeno diante da magia que gira em torno desse sentimento que nos une, conta.
O papai Carlos tirou férias para acompanhar o primeiro mês de Isabella. E tem exercido suas funções de maneira muito eficiente, conta Débora. Sabemos que a mãe é fundamental para o desenvolvimento da criança, mas o pai também tem a sua função e precisa participar desse crescimento. O Carlos tem efetuado isso e a Isabella também sabe que pode contar com ele. O papai dá banho e a troca sempre, relata.
Um bebê tão pequeno, tão inocente, tão necessitado de proteção e carinho. Há quem diga que não nasceu para exercer essa função de educar, cuidar e se doar de maneira integral a um ser humano tão dependente.
No entanto, essa função não é adquirida quando se nasce, ela brota da alma quando se descobre que outra pessoa dependerá de você. É quando o coração se divide e passa a bater dentro e fora de você, que se tem a certeza de que ser pai e mãe é mais do que um dom, é um presente.