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Brasil tem cinco candidatos ao cargo de “Papa”

Bento XVI confirmou nesta segunda-feira, 11 de fevereiro, que deixará o Pontificado no dia 28 deste mês. Ele não é o primeiro papa a renunciar na história da Igreja Católica. O último, há quase 600 anos, foi Gregório XII (1406-1415). Quando o chefe da Igreja católica renuncia a sua função ou morre, seu sucessor é eleito pelos cardeais reunidos em conclave na Capela Sistina, onde ficam isolados.

1 de junho de 2015

Bento XVI confirmou nesta segunda-feira, 11 de fevereiro, que deixará o Pontificado no dia 28 deste mês. Ele não é o primeiro papa a renunciar na história da Igreja Católica. O último, há quase 600 anos, foi Gregório XII (1406-1415).
Quando o chefe da Igreja católica renuncia a sua função ou morre, seu sucessor é eleito pelos cardeais reunidos em conclave na Capela Sistina, onde ficam isolados do mundo exterior.
Durante seus dois mil anos de história, a Igreja Católica modificou várias vezes as modalidades para a designação de um Papa até chegar tardiamente à fórmula atual do conclave. Nada no Evangelho indica como escolher o sucessor do Santo Padre.
A intervenção de soberanos, de grandes famílias, ou até da força armada na escolha dos Papas levou Nicolau II a reagir publicamente em 1060, publicando a bula In Nomine Domini. Este texto codificou permanentemente a eleição dos Papas, que ficou a cargo exclusivamente dos cardeais.
Em 21 de novembro de 1970, Paulo VI definiu as características atuais do colégio eleitoral: a idade limite de um cardeal para participar da eleição é de 80 anos, e no número máximo de cardeais eleitores é 120. João Paulo II confirmou essas regras em fevereiro de 1996 em sua constituição apostólica 'Universi Domini Gregis'.
Nos últimos anos, a internacionalização crescente do colégio de cardeais tornou cada vez mais aleatório qualquer previsão sobre a escolha do conclave.
A eleição de um Papa deve acontecer distante de toda pressão externa, para isso, o enclave (cum clave) fica isolado do mundo exterior.
Este isolamento existe desde 1271 quando, em Viterbe (Itália), os cardeais, sem conseguir chegar a um acordo para escolher o sucessor de Clemente IV, foram presos pelos cristãos, que os mantiveram apenas com pão e água, para incitá-los a eleger rapidamente um novo Papa.
O eleito, Gregório X, institui esta prática como regra, a exceção do regime de pão e água.
Atualmente, mudanças especiais foram realizadas no Vaticano a fim de assegurar o isolamento dos 'grandes eleitores', mas também para permitir o mínimo de conforto durante a duração do conclave, já que vários deles são idosos.
Os cardeais entram em conclave em, no mínimo 15 dias, e no máximo, 20 dias após a morte ou renúncia de um Papa. Eles passam em cortejo da Capela Paulina até a Sistina. Em seguida, as portas são fechadas, as chaves retiradas, e o isolamento é assegurado pelo cardeal carmelengo no interior, e pelo prefeito da Casa Pontifícia no exterior.
Os cardeais não têm o direito de votar em si mesmo e devem, um de cada vez, prestar juramento de respeito ao voto secreto e de aceitar o resultado. Eles juram igualmente que aquele entre eles que for eleito não renunciará jamais a reivindicar a plenitude dos direitos de pontífice romano.
A eleição acontece na Capela Sistina, com duas votações de manhã e duas à noite. As cédulas de voto são queimadas. O cardeal eleito é aquele que recebe, pelo menos, dois terços dos votos. Em caso de impasse, uma votação pela maioria absoluta é possível.
Quando o resultado é alcançado, o decano dos cardeais imediatamente pergunta ao eleito se ele aceita a eleição. Se este for o caso, torna-se Papa e sua jurisdição estende-se imediatamente para o mundo católico. O novo Papa deve declarar o nome que ele escolheu como pontífice.
Durante o processo de votação, uma espécie de fogareiro é instalado na Capela Sistina para informar a multidão de fiéis, tradicionalmente reunida na Praça de São Pedro junto com o batalhão da imprensa, sobre o resultado da votação. Se a fumaça é preta, não há eleito. Se a fumaça é branca, um novo Papa foi escolhido.

Cardeais brasileiros podem assumir papado – O bispo auxiliar da Arquidiocese de Aparecida e ex-reitor do Santuário Nacional, monsenhor Darci Nicioli, de 53 anos, afirmou que a decisão do Papa Bento XVI de renunciar ao cargo 'dói no coração'. Bento XVI fez o anúncio pessoalmente, falando em latim, durante um encontro de cardeais.
Segundo Nicioli, cinco cardeais brasileiros são candidatos a ocupar o posto: dom Raymundo Damasceno, atual arcebispo de Aparecida e Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB); dom Cláudio Hummes, de 78 anos, arcebispo emérito de São Paulo; dom Odilo Scherer, de 63 anos, atual cardeal arcebispo de São Paulo; dom João Braz de Aviz, de 66 anos, que mora em Roma e é prefeito das congregações dos religiosos em Roma; e dom Geraldo Majella Agnelo, de 79 anos, atual arcebispo emérito de Salvador (BA).
Ao todo, o Brasil tem nove integrantes no Colégio Cardinalício do Vaticano, mas quatro deles já ultrapassaram a idade limite. De acordo com o Vaticano, a Igreja Católica poderá ter um novo Papa para as festas da Páscoa, no próximo dia 31 de março.
'A decisão do Papa Bento XVI está prevista no direito canônico. Nós aceitamos com dor no coração, mas entendemos e aceitamos o desejo do Santo Papa', disse Nicioli.

Para entender – Em comunicado, Bento XVI, que tem 85 anos, afirmou que vai deixar a liderança da Igreja Católica Apostólica Romana devido à idade avançada, por 'não ter mais forças' para exercer as obrigações do cargo. O Vaticano negou que uma doença tenha sido o motivo da renúncia.
Bento XVI foi eleito para suceder João Paulo II, um dos pontífices mais populares da história. Ele foi escolhido em 19 de abril de 2005, quando tinha 78 anos, 20 anos mais velho do que seu predecessor quando foi eleito.
Nos últimos meses, o Papa parecia cada vez mais frágil em suas aparições públicas, muitas vezes precisando de ajuda para caminhar. Em seu livro de entrevistas publicado em 2010, Bento XVI já havia falado sobre a possibilidade de renunciar, caso não tivesse condições de continuar no cargo.

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