Contra-Ataque
Por que os árbitros erram tanto?
Já virou rotina. Você chega no local de trabalho pra tirar uma onda do seu amigo, devido a derrota do time do cara no dia anterior. Peito estufado, sorriso malicioso aberto e a piada pronta. Você se aproxima, chega andando como quem não quer nada, braços pra trás, olhar de canto de olho… Quando você vai mandar aquela sacaneada, o rapaz responde: “Ah, mas viu alí, se não fosse aquele pênalti. Se não fosse aquela expulsão injusta e aquele gol anulado…”. É impressionante, em 99% das situações acontece perfeitamente isso como relatei. Todo jogo, em especial clássico, todo santo clássico, um time é redondamente garfado pela arbitragem. Ai vem aquele papinho conservador em relação ao fato de hoje em dia termos inúmeras câmeras. Até se o jogador espirra, é possível detectar quantos decibéis esse espirro provocou e em que isso influenciou na rotação da Terra. Pura “demagogia”. O fato é que a arbitragem vem errando escandalosamente cada ano mais e mais. O nível da arbitragem está fraco, concordo. Mas tem um fator crucial que ninguém notou até agora. Vejam só, antigamente o futebol era mais bem jogado. Era um futebol mais tranqüilo, mais jogado. Os erros de arbitragem aconteciam, sim. Mas eram numa quantidade muito menor. Um jogador antigamente, no término do jogo, correu o equivalente a 6 quilômetros. Hoje temos um futebol altamente físico, corrido, atuante praticamente na velocidade da luz. Um jogador no término da partida, correu quatorze quilômetros. Mais que o dobro. Ou seja, o futebol está infinitamente mais rápido, do tiro de meta a uma finalização lá no gol ofensivo, questão de segundos. Aí que está o problema. Até qualquer narrador da Globo, assim que bate os olhos num lance em primeira instância (nem digo de replay), já acerta. Mas o coitado do árbitro errou e aplicou o inverso do que deveria ter marcado. Qualquer torcedor vendo a imagem, de primeira mesmo, ao vivo, acerta e já sabe se é falta ou não. Mas o coitado do árbitro erra. Por que será? Será que sabemos mais que o árbitro que está alí. Ou será que os árbitros não estão dando conta de acompanhar esse ritmo alucinante imposto pelos jogadores? Tenho certeza que se os árbitros estivessem mais próximos dos lances, quando eles ocorrem, teriam um ótimo índice de acerto. A questão é que não estão conseguindo acompanhar, o ritmo está maluco demais. Aí longe da jogada, acaba tendo uma visão deturpada em decorrência da distância, mesmo. A solução? Condicionar os árbitros como triatletas, nível triatlhon, para conseguir suportar o ritmo frenético de 22 jogadores mais a bola, ou então, determinar a utilização de dois árbitros por partida, um em cada campo. Essa alternativa aliás, eu acho a mais interessante. Daria uma reduzida considerável no índice absurdo de erros de arbitragem, que sempre acabam, decidindo as partidas.