Nascidos em Timbó
As mães pomerodenses atendidas pelo Sistema Único de Saúde, ainda não podem ter seus filhos na cidade.
As mães pomerodenses atendidas pelo Sistema Único de Saúde, ainda não podem ter seus filhos na cidade. A falta de pediatra que trabalhe no sistema de sobreaviso, 24 horas por dias, todos os dias do ano, é a causa do problema.
Para Tatiana Maass, grávida de sete meses, a falta do profissional a preocupa na hora do nascimento de seu primeiro filho, Victor. A notícia me preocupou pelo fato de não saber o que fazer na hora do parto. Além disso, o desejo de ter meu filho em Pomerode faz parte da minha gravidez, afirma.
Tatiana possivelmente conseguirá ter seu filho em Pomerode, pois, após tentar consulta através do SUS, acabou optando por realizar seu pré-natal de maneira particular. Descobri que estava grávida em fevereiro e, pelo SUS, a data disponível mais próxima seria em abril. Sem falar que meu ultrassom seria possível, apenas, em junho ou julho. Devido a isso, eu e meu namorado Rafael, decidimos fazer as consultas de forma particular, conta.
Os nascimentos efetuados de maneira particular e/ou planos de saúde estão sendo realizados de forma normal no Hospital e Maternidade Rio do Testo, de acordo com o Diretor Executivo da Instituição, Rolf Kühn. Gestantes com convênio que estejam realizando acompanhamento da gestação com os obstetras de Pomerode estão sendo avaliadas pelos profissionais médicos, onde os mesmos decidem onde será o atendimento do trabalho de parto, explica.
Enquanto isso, temporariamente, todas as gestantes SUS com entrada pelo Pronto Atendimento do HMRT estão sendo avaliadas pelo médico e enfermeira plantonista e, após a avaliação, encaminhadas para o Hospital Oase, de Timbó, para acompanhamento do trabalho de parto e nascimento do bebê.
Em relação as pacientes que estão efetuando acompanhamento da gestação nas unidades de saúde municipais, a Secretária de Saúde, Kelly Dallmann, explica o processo de encaminhamento ao Hospital Oase, em Timbó. As gestantes realizam o pré-natal nas unidades de saúde da família, em caso de necessidade são acompanhadas também pelo Obstetra do Núcleo de Apoio a Saúde da Família. Durante estas consultas recebem orientações quanto a evolução da gestação, bem como sinais de trabalho de parto, ou avaliação de cesáreas prévias, e dependendo de cada caso que está sendo acompanhado são encaminhadas para avaliação no Hospital OASE.
Após a realização do parto retornam para nossas unidades de saúde e continuam recebendo acompanhamento das equipes, bem como o recém-nascido, explica.
A preocupação de mãe, no entanto, vai além do local onde o bebê nasce. O maior receio fica por conta de, na hora em que mais se precisa, o profissional que lhe atendeu durante toda a gestação não estar presente. É realizar todo o pré-natal aqui e ser atendida por um desconhecido na hora do nascimento. Não é questão de duvidar da qualidade, mas de segurança, completa.
Para a Secretaria de Saúde, o envio das gestantes para Timbó foi a maneira mais prática para manter a qualidade no atendimento. Os serviços estão sendo desenvolvidos conforme normativas e diretrizes do Ministério da Saúde, com atenção maior devido ao fato de não ser mais o fluxo de encaminhamento para o Hospital e Maternidade Rio do Testo. Para todos nós, a facilidade é muito maior utilizando os recursos disponíveis pelo nosso hospital. No entanto, garantimos a integralidade da assistência com a referência no Hospital e Maternidade OASE, em Timbó, na questão dos partos e internações, e no momento foi o mais razoável a fazer para manter a qualidade do atendimento. Assim como todos, esperamos que esta situação seja resolvida o quanto antes para voltarmos a ter toda estrutura completa em nosso município, reitera a Secretária.
Desde o dia 1º de agosto, data em que o HMRT encontra-se sem pediatra sobreaviso, cinco crianças já nasceram no município vizinho. Temos a informação que foram atendidos 22 pacientes de Pomerode no mês de agosto no Hospital Oase, entre eles gestantes, mulheres e crianças pois o sobreaviso abrange obstetrícia, ginecologia e pediatria. Além desse atendimento, cinco nascimentos foram registrados, afirma Rolf Kühn.
Para solucionar o problema, a Secretaria de Saúde e o Hospital e Maternidade Rio do Testo, estão divulgando a vaga e efetuando entrevistas com os interessados. Tanto o Hospital, como a Secretaria de Saúde, estão realizando divulgação da necessidade de pediatra para o Hospital. Nós, Secretaria de Saúde e Hospital, fizemos contato com uma pediatra esta semana, e estamos negociando sua vinda para o município, reitera a Secretária de Saúde.
A maior dificuldade, no entanto, está relacionada à falta de médicos pediatras no mercado, bem como a falta de disponibilidade na carga horária dos pediatras de Pomerode e região. Sabe-se que há cada vez menos profissionais pediatras no mercado, e os que existem já estão com sua carga horária de trabalho preenchida e não querem arriscar mudança de cidade. Por outro lado, o ideal seríamos pegar um médico em fim de especialização para vir trabalhar no município, mas até nas residências médicas não se consegue preencher as vagas para a formação de pediatra. Esta realidade se reflete na dificuldade em conseguir o profissional para realizar o sobreaviso no Hospital do município. Pomerode não é a única cidade com este problema, outros municípios da região também estão passando pela mesma situação. No município de Pomerode há quatro pediatras, dois no Hospital Rio do Testo, que realizam os atendimentos por convênios ou particular, e dois na Secretaria de Saúde, que atendem os pacientes SUS, porém nenhum deles tem interesse em realizar o sobreaviso. Não estamos sem realizar os atendimentos nesta área. O que não há é profissional para realizar o sobreaviso de sala de parto e internações pelo SUS a nível hospitalar, frisa Kelly.
Mesmo que a busca por soluções seja constante, não há como prever quando o problema será resolvido. Dependemos da aceitação de um ou dois profissionais pediatras para realizar o sobreaviso no hospital 24h/dia, afirma Kelly.
A direção do HMRT reitera que a expectativa é solucionar a situação o mais breve possível, para normalizar o atendimento das gestantes na nossa instituição. Caso alguém tenha alguma indicação, que faça a gentileza de enviar o contato aos cuidados do RH (marlise.rh@hmrt.com.br) ou fone: 47 3395-3851, enaltece Rolf.
Apesar de não ser uma situação confortável para nós, pedimos a compreensão e o entendimento dos usuários do Sistema Único de Saúde, para que num futuro próximo tenhamos novamente uma equipe de profissionais para fazer sobreaviso no hospital do município, finaliza a Secretária.
Rolf Kühn termina explanando a insatisfação com a situação. Não estamos nada satisfeitos em não poder atender momentaneamente a comunidade pomerodense através do SUS, nos serviços de obstetrícia, ginecologia e pediatria. Portanto manteremos a divulgação e busca pelos contatos para agilizar esta contratação, conclui.