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Doação de Medula Óssea é um gesto de cidadania

O Brasil tem apenas cerca de 410 mil doadores voluntários de medula óssea, de acordo com os dados do REDOME.

23 de junho de 2007

De acordo com o Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (REDOME), o Brasil conta hoje com cerca de 410 mil doadores voluntários de medula óssea cadastrados, número ainda muito baixo para um país com uma população de cerca de 170 milhões de habitantes, segundo dados do IBGE. Na Alemanha, por exemplo, dos 82,4 milhões de habitantes, cerca de quatro milhões estão cadastrados no banco de doadores do país, o DKMS.


No ano passado, no Brasil, das mais de duas mil pessoas que estão na espera de um transplante de medula, apenas 110 foram transplantadas. Destes, 77 foram feitos através do REDOME (Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea) e do BSCU (Banco de Sangue de Cordão Umbilical). Os 33 transplantes restantes foram realizados com ajuda dos bancos internacionais, em que o custo de cada um chega a U$ 42 mil.


Um dos tipos de tratamento de leucemia é realizado por meio do transplante de medula óssea, que consiste na injeção de células saudáveis contidas no material colhido na medula do paciente, podendo, assim, produzir células sangüíneas saudáveis e controlar a doença.


Suely Walton é uma das doadoras voluntárias. Na última Conferência Internacional de Onco-Hematologia, promovida pela Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (ABRALE), entre os dias 25 e 27 de maio, Suely comentou sobre esta experiência. “Perdi meu irmão com leucemia em março de 1992, e nesta época, não havia banco de medula e infelizmente eu não era compatível com ele”, relatou. Em dezembro do mesmo ano foi aberto o primeiro banco e ela se cadastrou, e fez a primeira doação de medula óssea não-aparentada no Brasil em 1995, a uma menina de 11 anos que tinha apenas mais um ano de vida. A segunda doação foi em 2000. “Eu tive a felicidade de poder doar duas vezes, ser compatível com uma pessoa é difícil, com duas é mais difícil ainda. Doe por amor e não pela dor. Cadastre-se em um Banco”, finaliza Suely.


De acordo com a presidente da ABRALE, Merula Steagall, essa dificuldade em encontrar um doador compatível ocorre porque há muitas misturas de raça no Brasil, e a combinação genética deve ser totalmente igual. “Por isso, em um país tão grande como o nosso, precisamos de muitos doadores para que as chances de se encontrar uma pessoa compatível aumentem e, assim, podermos atender aos pacientes que aguardam por um transplante de medula óssea”.


Transplante de medula óssea


Existem três tipos de transplante: autólogo, em que são coletadas e utilizadas células da medula do próprio paciente; alogênico, quando as células são retiradas do cordão umbilical ou da medula óssea de um doador compatível previamente selecionado; e singênico, que provém do irmão gêmeo idêntico. Para ser doador de medula, a pessoa tem que ter entre 18 e 55 anos. Caso não esteja nesta faixa etária, mas gozando de boas condições de saúde, após avaliação médica pode-se abrir exceção.

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