Leite materno é o melhor alimento para os bebês
Semana Mundial de Aleitamento enfatiza divulgação da lei que regulamenta a propaganda de bicos, chupetas e mamadeiras.
Até o sexto mês de vida, todos os nutrientes de que o bebê necessita para crescer forte e sadio estão no leite materno. O leite protege a criança contra doenças e ainda fortalece os laços entre mãe e filho. Para conscientizar a população em geral sobre a importância da amamentação, o Ministério da Saúde e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) promovem no Brasil, até a próxima segunda-feira (7), vários eventos em comemoração à Semana Mundial de Aleitamento Materno.
A Semana Mundial de Aleitamento Materno (SMAM) é comemorada em cerca de 120 países desde 1992 e foi idealizada pela World Alliance for Breastfeeding Action ? WABA (Aliança Mundial para Ação em Aleitamento Materno, em português). Todos os anos, a instituição define o tema central da ação, que, em 2006, será “Amamentação. Garantir este direito é responsabilidade de todos”. A organização do evento pretende incentivar a amamentação e combater a propaganda abusiva de produtos que prejudicam o aleitamento materno. “Além de estimular a amamentação, pretendemos fornecer informações sobre a lei que regulamenta o uso de produtos nos primeiros anos de vida”, afirma Cristina Boaretto, técnica do Ministério da Saúde. “A utilização desses produtos deve ser adequada, de forma que não interfiram na saúde e no desenvolvimento das crianças”, esclarece.
Em 2006, o Brasil comemora 25 anos da Política Nacional de Aleitamento Materno, qu já promoveu diversos avanços na área. Dentre essas ações está a lei federal 11.265/06. A elaboração do texto agregou elementos da Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lactentes e Crianças de Primeira Infância, Bicos, Chupetas e Mamadeiras (NBCAL) ? regulamentação da propaganda de produtos que interferem na amamentação como chupetas, bicos e mamadeiras. A lei proíbe, por exemplo, a propaganda de produtos destinados à substituição total ou parcial do leite materno na alimentação de crianças até os seis meses de idade e compostos de nutrientes para recém-nascidos prematuros ou de alto risco. Pela lei, produtos como leites em pó, bicos, mamadeiras e chupetas devem exibir informações sobre os benefícios do aleitamento materno nos rótulos e embalagens. Estabelecimentos de saúde e empresas que não se adequarem à lei podem ser multados ou até impedidos de comercializar os produtos.
Hoje (quinta-feira) haverá mobilizações nos estados para a divulgação da lei. Também está prevista uma reunião do Grupo de Trabalho encarregado de monitorar o cumprimento da Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lactentes e Crianças de Primeira Infância, Bicos, Chupetas e Mamadeiras (NBCAL). Durante a ocasião, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), órgão responsável pela fiscalização do cumprimento da legislação, apresentará os resultados do monitoramento para identificar se a lei está sendo cumprida. O levantamento foi realizado de abril a junho de 2006 em estabelecimentos comerciais e meios de comunicação em todo o país.
Benefícios ? Para a divulgação da campanha, o Ministério da Saúde distribuiu um milhão de fôlderes e 300 mil cartazes. A madrinha da campanha é a atriz Cássia Kiss. Conhecida como defensora do aleitamento, ela amamentou os seus quatro filhos, e continua a amamentar o caçula, que tem mais de dois anos.
Segundo a técnica do Ministério da Saúde, Cristina Boaretto, a Semana Mundial de Aleitamento Materno no Brasil pretende mobilizar a sociedade para a importância do aleitamento materno, principalmente os profissionais de saúde e as mães. “Elas devem lembrar que, além de garantir imunidade aos bebês, a amamentação é um momento de troca de afeto entre mãe e filho”, ressalta a técnica.
A amamentação traz várias vantagens para a saúde do bebê. Crianças que mamam têm menos chances de sofrer diarréia, pneumonia, infecções urinárias e de apresentar problemas na arcada dentária no futuro. Para as mães, a amamentação proporciona a redução do sangramento pós-parto, diminuição da incidência de anemia, câncer de mama e ovário. Amamentar também ajuda a mulher a perder o peso adquirido durante a gravidez.
Introdução de outros alimentos tem de ser gradual
Até os primeiros seis meses de vida, os bebês necessitam apenas do leite materno, alimento capaz de fortalecer as defesas do organismo e de garantir um desenvolvimento sadio.
Frutas, verduras, carnes e legumes passam a fazer parte da alimentação quando o bebê completar seis meses de idade. Até os dois anos ou mais, as mães devem continuar amamentando, ao mesmo tempo em que oferecem os alimentos usados pela família.
Durante a gravidez, as mulheres podem se informar sobre as vantagens do aleitamento e sobre como amamentar nos bancos de leite, centros de saúde, hospitais e maternidades ? principalmente os reconhecidos como “Hospital Amigo da Criança” ? e com os agentes e profissionais de saúde do Programa Saúde da Família (PSF).
Hospitais amigos da criança promovem aleitamento
Nos 25 anos de existência, a Política Nacional de Aleitamento incentivou diversas ações importantes na área. Dentre elas está o programa Hospital Amigo da Criança. Ganham o título as maternidades que promovem o aleitamento materno, a partir do treinamento de profissionais para orientar as gestantes e mães sobre as vantagens e manejos dessa prática. Essas unidades devem promover o aleitamento ainda na sala de parto e ajudar as mães de bebês prematuros a manter a lactação e a não aceitar o uso de chupetas e mamadeiras. Atualmente 336 estabelecimentos de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS) foram nomeados Hospitais Amigos da Criança.
As casas de promoção e apoio à amamentação ou Bancos de Leite Humano consistem em outra iniciativa importante. Lá, as mulheres recebem orientações sobre como amamentar e a coletar o leite para doação ao banco, que irá processar e distribuir leite humano.
Todos os estados brasileiros contam com Bancos de Leite Humano, que fornecem leite pasteurizado especialmente para os recém-nascidos prematuros ou doentes. A Rede Nacional de Bancos de Leite Humano do Brasil, a maior do mundo, tem 187 unidades e 29 postos de coleta.
Leis trabalhistas brasileiras que prevêem licenças-maternidade, paternidade e de amamentação são fruto de uma política atenta às necessidades da sociedade como, por exemplo, a lei federal 11.108 de 2005, que garante às parturientes o direito a um acompanhante durante o trabalho de parto no SUS.