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Dicas e cuidados com a alimentação na Páscoa

Pais devem ficar atentos para que filhos não exagerem nos ovos de Páscoa. Excessos podem trazer riscos à saúde, como intoxicações e aumento do peso.

13 de abril de 2006


A Páscoa se aproxima. As crianças, cada vez mais ansiosas, aguardam o momento de abrir os tradicionais ovos de chocolate. As donas de casa se preocupam em escolher o peixe para o tradicional almoço da Sexta-Feira Santa. Nessa data, alguns cuidados com a alimentação são importantes, como observar atentamente o peixe durante as compras e evitar que as crianças comam chocolate em excesso.


O principal ingrediente dos ovos de Páscoa, o chocolate, possui um alto teor de gorduras e açúcares, substâncias que em excesso podem prejudicar a saúde. “Além do chocolate, recheios usados nos ovos, como caramelo e nozes, aumentam a dose de calorias e, conseqüentemente, os riscos à saúde”, afirma a técnica da Coordenação Geral da Política de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde, Dillian Goulart. “Se consumidos em excesso, produtos como chocolate podem trazer problemas a longo prazo, como o aumento do peso e das taxas de colesterol no organismo”, observa.


Alimentos como os chocolates também apresentam uma quantidade considerável de gordura vegetal hidrogenada, principal composto das gorduras trans. Dillian lembra que o consumo excessivo de produtos ricos em gorduras trans pode elevar a quantidade do colesterol total e do colesterol ruim (LDL) e reduzir os níveis de colesterol bom (HDL) no corpo. Isso aumenta o risco de doenças cardiovasculares. Segundo as autoridades em saúde, não existe recomendação para a ingestão de gorduras trans. O ideal é que se consuma o mínimo possível essas substâncias.


Os pais e responsáveis devem estar atentos ao consumo de chocolates pelas crianças, tanto na Páscoa quanto no resto do ano. Não se deve deixar que elas substituam refeições pelo chocolate, porque este produto não possui todos os nutrientes necessários para o desenvolvimento da saúde das crianças. Por ser um alimento de difícil absorção pelo organismo, o chocolate pode causar indisposições que atingem o estômago e o intestino. O ideal é que os pais conversem com os filhos sobre a importância do consumo moderado dos ovos de Páscoa e outras guloseimas. Os pais devem ainda ter cuidado com a higiene bucal das crianças. Os altos teores de açúcar presentes nos chocolates contribuem para o surgimento de cáries nos dentes.


O chocolate não traz somente males à saúde; existem também os benefícios em seu consumo. “Os chocolates feitos ao leite são ricos em proteínas e cálcio, duas substâncias importantes para o fortalecimento dos ossos”, explica Dillian Goulart. Por serem calóricos, os chocolates são estimulantes e aumentam as reservas de energia do organismo. As gorduras presentes neste alimento são benéficas se consumidas em pequenas quantidades. No entanto, este consumo não deve ultrapassar 30% dos valores diários de calorias necessárias.


Para quem está de regime ou não pode consumir alimentos com açúcar, uma opção na Páscoa são os ovos diet e light. Deve-se apenas ter uma certa atenção na hora de escolher o produto. Os alimentos diet geralmente restringem o açúcar. Já os produtos light vêm com quantidades menores de substâncias como açúcar, sal, gorduras e carboidratos. Alimentos com redução de 30% de gordura, já são considerados light. “Recomenda-se verificar na embalagem do produto se existe uma pequena restrição ou ausência total de açucares e gorduras”, sugere Dillian Goulart. Essa medida evita que uma pessoa consuma substâncias que tragam danos à sua saúde.


É importante atenção na hora de escolher o peixe


Por conta da tradição cristã, que recomenda evitar as carnes na Sexta-feira Santa, o consumo de peixes aumenta muito nessa época do ano. Os consumidores devem estar atentos na hora de adquirir os produtos típicos da data, especialmente os peixes que são extremamente perecíveis. .


Antes de comprar frutos do mar ou peixes frescos, é preciso observar o aspecto do produto. “Se a pessoa vai comprar peixe, por exemplo, deve prestar atenção se ele apresenta pele firme e olhos brilhantes e salientes. As escamas devem estar unidas, fortemente aderidas à pele e brilhantes”, recomenda a Gerente de Inspeção e Controle de Riscos de Alimentos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Ana Virgínia Figueiredo.


Outro cuidado importante ao se comprar pescado diz respeito à temperatura de conservação desses alimentos. Produtos frescos, como os peixes, devem ser mantidos sob refrigeração de no máximo 8°C e estar dispostos sobre uma camada de gelo ou em equipamento de refrigeração. Recomenda-se também que consumidor veja se o local onde o produto está exposto apresenta boas condições de higiene. Os funcionários devem ser asseados e utilizar protetor para os cabelos e uniformes limpos e apropriados para a atividade.


Os peixes congelados embalados devem ser acondicionados de acordo com as recomendações do fabricante quanto à temperatura. É imprescindível conferir o prazo de validade no ato da compra. “Os produtos não podem estar amolecidos ou com acúmulo de líquidos, um sinal de que eles já passaram por um processo de descongelamento”, lembra Ana Virgínia.


O bacalhau, na maioria das vezes, não é conservado sob refrigeração e sim por meio da adição de grande quantidade de sal, o que não dispensa cuidados. Sua exposição para venda deve ser em local limpo e protegido de poeira e insetos. Também não pode conter manchas e a coloração deve ser característica do produto.


Outro artigo típico da Páscoa que merece atenção do consumidor na hora da compra são os ovos de chocolate. “Os ovos também devem estar acondicionados em locais bem arejados, sem incidência direta de luz solar ou contato com umidade”, diz Ana Virgínia Figueiredo. Prazo de validade e embalagem íntegra, sem furos, constituem itens importantes. As mesmas recomendações valem para os ovos de Páscoa artesanais. “As pessoas devem adquirir ovos que contenham informações obrigatórias como nome do produto, fabricante, endereço e prazo de validade e se contém ou não glúten”, afirma Ana Virgínia.

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