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Transplante de rim proporciona nova vida a pomerodense

Depois de cinco anos e 18 dias fazendo hemodiálise, Heinz Köning, 48 anos, recebeu a boa notícia de que iria finalmente receber um rim.

3 de novembro de 2005

Depois de cinco anos e 18 dias fazendo hemodiálise, Heinz Köning, 48 anos, recebeu a boa notícia de que iria finalmente receber um rim. A informação foi tida como um verdadeiro milagre. Ele se recorda da maratona das sessões de hemodiálises, que eram cumpridas três vezes por semana e tinham duração de quatro horas cada. Nos braços, as veias grossas e dilatadas confirmam a rotina semanal.


O transplante foi realizado no dia 11 de outubro, no Hospital Santa Isabel, em Blumenau. Heinz não sabe muito sobre o doador, apenas que era um rapaz de aproximadamente 30 anos e que havia sofrido um acidente no trânsito. Mais três órgãos ficaram no Santa Isabel: coração, fígado e outro rim.


A doença se manifestou em Heinz no ano de 2000, na época de inverno. “Comecei a sentir dor. Fui até o hospital e lá descobriram que eu tinha problema nos rins”. De Pomerode foi encaminhado então para uma clínica em Blumenau, onde foram feitos vários exames. Foi nesta época que teve que retirar o rim esquerdo.


Com apenas um rim, Heinz entrou na lista de espera para um transplante. Vários exames foram feitos com familiares, mas nenhum deles se mostrou compatível. “Foi um milagre muito grande. Uma pessoa que eu nunca conheci foi quem salvou a minha vida”, lembra emocionado.


Mesmo precisando tomar 24 comprimidos por dia, e sabendo que a medicação será necessária para toda vida, Heinz diz sentir que renasceu. “A doação de órgãos é um gesto tão grande, praticamente impossível de expressar em palavras. Uma única pessoa pode salvar várias vidas. Isso não tem como agradecer”.


Projeto incentiva doação de órgãos


BLUMENAU – Visando aumentar o número de doadores de órgãos, o vereador Jean Kuhlmann (PFL) encaminhou na terça-feira (01/11), um anteprojeto de lei que dispensa as pessoas de pagamentos de taxas e tarifas ao serviço funerário municipal, quando optarem pela doação de órgãos.


“O objetivo do projeto é mudar radicalmente a vida de quem aguarda um transplante. Queremos facilitar a vida das pessoas que esperam por um milagre, mas para isto, precisamos da ajuda dos familiares, dos amigos e principalmente dos médicos. Os números precisam mudar o mais rápido possível e Blumenau pode ser pioneira neste assunto”, comenta Jean Kuhlmann.


O Ministério da Saúde estima que aproximadamente metade (47%) dos casos de morte encefálica não são notificados às centrais de transplante. Quando comunicados, apenas uma minoria é efetuado As maiores dificuldades encontradas são a precariedade do treinamento médico, à pouca infra-estrutura hospitalar para os procedimentos necessários, o baixo nível de divulgação e conscientização ou ainda, à falta de incentivo por parte do poder público. O Ministério da Saúde informa ainda que 63 mil pessoas estão à espera de um transplante hoje no Brasil.


O projeto inclui as despesas com os três cemitérios municipais (ruas Progresso, Bahia e João Pessoa). Hoje, os gastos giram em torno de R$ 700,00 caso a pessoa precise adquirir o terreno, além do sepultamento, exumação e embelezamento (R$ 96,86 sepultamento; R$ 96,86 exumação; R$ 29 embelezamento; R$ 483,14 o terreno e R$ 29 renovação a cada cinco anos).


De acordo com dados da prefeitura de Blumenau aproximadamente 170 pessoas morrem por mês. Conforme o médico cirurgião Mauro Igreja, a realidade de doadores de órgãos não chega a 2% deste quadro. “Este projeto é um passo importante para a cidade de Blumenau”, relata Mauro. O fator mais preocupante é a falta de conscientização das pessoas a respeito do assunto.


O anteprojeto busca ainda ampla divulgação do tema, promovendo a fixação de placas informativas em todos os hospitais e postos de saúde, obrigando também a direção dos hospitais de comunicarem a existência da lei.

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