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O diabetes na mira da saúde

Estima-se que 11% da população brasileira maior de 40 anos sofra de diabetes. Dados do Ministério da Saúde também contabilizam o surgimento de 250 mil novos casos de diabetes por ano no país.

27 de outubro de 2005

Estima-se que 11% da população brasileira maior de 40 anos sofra de diabetes. Dados do Ministério da Saúde também contabilizam o surgimento de 250 mil novos casos de diabetes por ano no país. Atribui-se o crescimento da doença, principalmente, ao aumento do número de pessoas acima do peso e sedentárias. É esse o tema que a campanha Pratique Saúde do Ministério da Saúde vai abordar na sua segunda etapa.


Entre os dias 23 e 30 deste mês, o assunto da série de peças publicitárias, veiculada em rádios, TVs, cartazes e anúncios de revistas, será o controle e prevenção do diabetes em grupos de risco. O Pratique Saúde pretende sensibilizar os portadores de diabetes para adoção de alguns hábitos mais saudáveis, como uso adequado dos medicamentos, prática regular de atividades físicas e adoção de alimentação balanceada.


Sob o slogan “Diabetes – seu corpo fala: evite o açúcar e controle a glicemia”, a campanha alerta os portadores da doença para que não consumam açúcar.


Alimentos processados e industrializados


devem ser evitados


Não consumir açúcar é o principal lembrete que o Pratique Saúde faz ao diabético. Os médicos recomendam que pessoas nessas condições evitem alimentos processados e industrializados, como doces, bolos, massas e salgados. Uma boa dica é trocar a carne vermelha por frango e peixes. Alimentação correta, associada à atividade física, pode representar menos complicações no futuro e melhor qualidade de vida.


No que diz respeito à atividade física, estudos comprovam que a prática correta e regular, orientada por um profissional de saúde pode ajudar no controle da glicemia ou baixar o nível da substância no sangue. Quem não consegue freqüentar academias de ginástica pode buscar outras opções de prática de atividade física, como caminhar 30 minutos diariamente, andar de bicicleta ou nadar.


“A atividade física tem de ser incorporada ao cotidiano das pessoas de forma prazerosa. No caso do diabético que utiliza remédio oral ou mesmo insulina, ele vai diminuir a dose desses remédios e pode até deixar de usá-los se fizer atividade física rotineira bem orientada”, lembra Rosa Sampaio.


Assim como a hipertensão, a diabetes é uma das maiores causas de doenças cérebrovasculares (infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral). Outra complicação decorrente é a retinopatia, que pode levar à cegueira. Diabetes não controlado também pode gerar problemas nos membros inferiores, principalmente no pé, o que, algumas vezes provoca lesões e feridas crônicas e até amputações.


Tratamento e política de medicamentos


No Sistema Único de Saúde (SUS) cresce a demanda por diálises; na maioria desses casos comprovou-se que a insuficiência renal é decorrente de hipertensão e diabetes.


O tratamento de diabetes nas unidades de saúde do SUS inclui o chamado tratamento medicamentoso e o não medicamentoso. A política de medicamentos compreende a distribuição gratuita de medicamentos orais mais utilizados pelos diabéticos Tipo II (de controle mais simples) e a insulina NPH (para o diabético Tipo I).


O aspecto não-medicamentoso, além da orientação individual, inclui a formação de grupos de portadores de hipertensão e diabetes e familiares que contam com a orientação de enfermeiros, educadores físicos, nutricionistas e outros profissionais de saúde na prática da chamada Educação em Saúde.


A iniciativa inclui caminhadas, orientação alimentar, gerenciamento de estresse, informação sobre o agravo e a melhor forma de controlá-lo. Durante a prática de atividades, ocorre a troca de vivências e experiências de vida entre os pacientes e seus familiares, para elevar a auto-estima e favorecer o auto-cuidado, atitude fundamental no controle adequado da doença e na prevenção das complicações.


Pomerode, como qualquer cidade que tenha o programa PSF implantado, tem, entre outras obrigações, a de manter um programa para hipertensos e diabéticos denominado Hiperdia. Atualmente, existem em Pomerode 240 pessoas portadoras de diabetes.


Segundo o médico cardiologista Hamilton Petito, secretário da Saúde, todas estas pessoas recebem orientação dietética pela nutricionista, participam de reuniões de grupo uma vez ao mês, onde discutem a respeito da doença e suas complicações, além da importância do controle de sua patologia. A Secretaria de Saúde também distribui gratuitamente insulina e outros medicamentos utilizados por via oral.


Outra idéia, que está sendo formulada pelo Ministério da Saúde, analisa a melhor forma de utilizar o trabalho do agente comunitário de saúde no controle das doenças crônicas, principalmente em ações educativas de promoção da saúde, prevenção de agravos em grupos de risco e na adesão ao tratamento pelos portadores.


Essas são abordagens fundamentais e de grande complexidade, por lidar com práticas e atividades pouco tradicionais e que recebem pouca atenção por parte das equipes de atenção básica. Essas abordagens vêm sendo enfatizadas no desenho dos sistemas de saúde para enfrentar a grande epidemia de doenças crônicas em todo o mundo.


Uma doença crônica e que requer cuidados


Diabetes é uma doença crônica que se caracteriza pelo aumento da glicemia (açúcar no sangue). Considera-se diabética a pessoa que realizar exame de sangue e encontrar valores de glicemia maiores do que 126mg/dl em jejum ou acima de 200mg/dl nas outras horas do dia.


O Pratique Saúde tem ações direcionadas para as chamadas doenças crônicas como hipertensão e diabetes. O direcionamento das duas primeiras fases da campanha foi dado a esses temas em razão de os fatores de risco para os dois agravos serem muito semelhantes, com destaque à alimentação não saudável ou inadequada ? que leva a sobrepeso e obesidade, dislipidemias (aumento de colesterol e triglicérides) e outros distúrbios metabólicos ? e ao sendetarismo. Esses aspectos são muito comuns na vida moderna.


O foco do Pratique Saúde se concentra nessa área, denominada não-medicamentosa e que depende do comportamento e da mudança voluntária de hábitos de vida. “O Pratique Saúde pretende, a partir da informação e sensibilização das pessoas, levá-las a mudar alguns de seus hábitos de vida na direção de práticas e comportamentos mais saudáveis e, assim, prevenir ou controlar mais adequadamente o quadro de hipertensão ou diabetes e suas complicações”, explica a coordenadora da Política Nacional de Hipertensão e Diabetes do Ministério da Saúde, Rosa Sampaio.


Enfatiza que a campanha é voltada, sobretudo, para hipertensos e diabéticos já diagnosticados, no sentido de priorizar o tratamento não medicamentoso como parte importante e fundamental de todo o processo terapêutico, e não para se evitar o diabetes.


Para a prevenção do diabetes, o Ministério da Saúde desenvolve uma série de ações que dão suporte ao Pratique Saúde, como o Guia Alimentar da População Brasileira, já lançado.


Agentes comunitários


Com o projeto, os agentes comunitários levariam à população dicas de alimentação, prática de atividade física, adesão ao tratamento e orientações para acabar com estigmas sobre dietas e para provar que a comida do diabético pode ser palatável.

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