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Além do que se vê

Ao entrar em um avião e ver em funcionamento toda aquela estrutura que, além de gigantesca, aparenta ser extremamente minuciosa, quem nunca se perguntou coisas do tipo: quem faz e como é feito o reparo das peças da aeronave? Como saber se tudo está funcionando em perfeita ordem? Quem é o responsável por dizer que este avião está seguro para voar?

1 de junho de 2015

Ao entrar em um avião e ver em funcionamento toda aquela estrutura que, além de gigantesca, aparenta ser extremamente minuciosa, quem nunca se perguntou coisas do tipo: quem faz e como é feito o reparo das peças da aeronave? Como saber se tudo está funcionando em perfeita ordem? Quem é o responsável por dizer este avião está seguro para voar? Ou ainda, se alguma peça der problema, o que acontece com a aeronave? Volta para a fábrica ou a companhia aérea contrata alguém para consertar?
Pois bem, talvez um dos motivos que fazem surgir perguntas como essa seja o fato de raramente (ou nunca) aparecer a imagem de pessoas realizando a manutenção das aeronaves. Entretanto, existe uma profissão cuja especialização é justamente a mecânica das diversas partes que compõem todo o complexo da aeronave, seja ela de asa rotativa (helicópteros, por exemplo), seja de asa fixa convencional (aviões).
Com o aumento do mercado da aviação civil, a profissão de Mecânico em Manutenção de Aeronaves tem crescido consideravelmente, tendo alta empregabilidade e um dos melhores salários de nível técnico, algumas vezes maior que o salário de profissionais com graduação.
Uma profissão em ascensão, mas que ainda é pouco procurada. Assim pode ser definido o mecânico de aeronaves que trabalha diariamente com manutenção e cuidados de aviões e helicópteros e, com isso, garante segurança a quem deles usufrui.
No entanto, mais do que trabalhar com peças, planejamento e prevenção são fundamentais para o sucesso na profissão. Valderimar Teixeira atua no ramo há 40 anos e explica que a paixão pela profissão nasceu quando ainda era criança. Quando eu tinha dez anos e morava no Rio de Janeiro, estava jogando bola com meus amigos e havia um avião voando e também um monomotor fazendo acrobacias. Os dois chocaram-se resultando em queda. Desde então eu decidi que seria mecânico de aviões para evitar que outros acidentes ocorressem, afirma. A proximidade de sua casa com o aeroclube também o influenciou a se encantar por aeronaves.
Valderimar, atualmente, faz parte da reserva da Força Aérea Brasileira (FAB) e atua em um órgão federal. Para chegar até lá, longos caminhos foram traçados. Tenho formação militar de duração de dois anos. Foram quatro semestres de aprendizado básico, formação de célula (estrutura), grupo de motor e aviônicos (parte eletrônica). Nesse período você aprende a ser militar e, também, a ter uma profissão. Não é fácil, mas vale a pena, ressalta.
Atualmente, há cursos em escolas especializadas homologadas pela ANAC, sendo necessário possuir o ensino médio completo. É preciso ressaltar que esta é uma profissão que exige bastante conhecimento e especializações em cada modelo de aeronave. Outro conhecimento necessário é o da língua inglesa, uma vez que se trabalha bastante com manuais e demais instrumentos na língua, explica.
A ANAC também efetua uma prova para atestar os conhecimentos e, então, emite a certificação para exercer a profissão. No entanto, além disso, há um período como auxiliar de manutenção e, então, após este ‘estágio há uma nova avaliação para receber o certificado de habilitação técnica.
Aperfeiçoamento constante e grande responsabilidade são alguns dos itens mais instigantes da profissão.
Para Valderimar, a atual rotina se difere das vividas anteriormente, quando dava aula em São Paulo em escolas de mecânica. Atualmente, ele trabalha durante 15 dias e folga 15. Essa foi uma escolha minha. A profissão não exige que seja assim, explica.
Apesar de bem remunerada e em extrema ascensão em todo o Brasil, a engenharia de manutenção precede possíveis acontecimentos e, por conta disso, também exige concentração e pressão. Sempre digo que a manutenção preventiva é o anjo da guarda de quem voa pelos ares brasileiros. Afinal, precisamos nos antecipar as situações e efetuar verificações antes e depois dos voos para garantir a segurança de quem utiliza a aeronave, explica.
Durante seis anos Valderimar trabalhou com aviões. Hoje em dia sua atuação está focada em helicópteros. No Brasil são cerca de 1.200 helicópteros registrados para aviação civil, sendo esta considerada uma das mais seguras do mundo e em constante crescimento, ressalta.
A falta de profissionais da área também é observada por Valderimar. Observo que a profissão não tem idade máxima para trabalhar e a formação completa leva de sete a oito anos. No entanto, o tempo dedicado a especialização é recompensado. Novos profissionais serão extremamente necessários tendo em vista o crescimento do mercado e da aviação. A falta de profissionais pode ser observada em todo o território nacional, explica.
Como o trabalho, atualmente, lhe permite estar 15 dias junto a família, Valderimar e a esposa, Diana, viajam pelo Brasil para conhecer cidades brasileiras. Como trabalho com aeronaves, gostamos de utilizar o carro para fazer nossas viagens. Efetivamente já conhecemos 220 municípios brasileiros e passamos por todos os estados do país, afirma.
A idade, nesta profissão, não é empecilho para crescimento. Nessa profissão, a idade e a experiência podem contar a seu favor. Acima de 40 anos sem experiência pode ser uma desvantagem, mas você pode ter acumulado outras vantagens nesses anos, como o domínio de um idioma. Com experiência o mercado abre portas, enaltece.
Apesar de parecer masculina, a profissão não é exclusiva para homens. As mulheres também podem ser mecânicas de aeronaves, pois o que importa é competência, reitera.
O trabalho do Mecânico de Manutenção na aviação civil é fundamental para a segurança e o bom desempenho das aeronaves. Nem sempre é possível vê-lo em atividade, mas a importância dessa profissão vai além do que se imagina.

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