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Elefantes, mas bons amigos

Amigo é amigo. Não importa cor, credo ou classe social. A empatia acontece quando dois seres se identificam, se respeitam, e por consequência se apreciam. Dia 20 de julho, os amigos celebraram a graça de se ter alguém em quem confiar.

1 de junho de 2015

Amigo é amigo. Não importa cor, credo ou classe social. A empatia acontece quando dois seres se identificam, se respeitam, e por consequência se apreciam. Dia 20 de julho, os amigos celebraram a graça de se ter alguém em quem confiar. É bom estar em boa companhia. Os livro, filmes e músicas já retrataram várias histórias de amizade. Tom Jobim disse É impossível ser feliz sozinho, talvez (e muito provavelmente) ele estivesse se referindo a um amor. Mas o que é a amizade senão a pura, gratuita e desinteressada manifestação do amor? Não o amor romântico, mas o amor genuíno. Amor de irmão. Quem nunca ouviu o termo Amigos irmãos? Quer laço mais bonito que esse? Ter um irmão por opção.

Amor de irmão não precisa necessariamente acontecer de ser humano para ser humano. Às vezes, e não muito de repente, acontece o amor de homem e bicho. Muitos de nós temos nossos cães e gatos, tratados praticamente como membros da família. Eles têm nomes próprios e sabem disso, respondem à isso. E já que a amizade com nossos animais domésticos vem de tantos séculos, por que não podemos ser amigos de espécies menos esperadas?

Pedro Ricardo Donato tem 34 anos e está há 7 deles atuando como tratador de animais no Zoológico de Pomerode. Começou porque sempre gostou de estar perto de bichos. Atualmente tem dez gatos e um cachorro em sua residência. O gosto pelos felinos é algo que carrega há muito tempo e já cuidou da espécie em sua função de tratador. Ele conta que tigres, leões e pumas são gatos grandes. Agem como tais. Sobretudo o puma. Também respondem pelo nome, gostam de carinho e tudo mais que os gatinhos domésticos gostam. Cuidou deles por um bom tempo, mas teve de abandonar a função para dedicar mais tempo as duas elefoas, a Kênia e a Alika, que também vivem lá. Não precisou muito para que a amizade com as paquidermes que pesam pelo menos cinco toneladas se manifestasse.

Os elefantes são animais muito inteligentes. Têm uma memória muito boa. Elas me conhecem, quando chego correm em minha direção e levantam as enormes patas para eu começar a casquear. Elas entendem comandos de várias línguas. Inglês, alemão e até linguagem cigana. Os tratadores faziam isso por medo de perderem o emprego e davam comandos específicos para que somente ele pudessem ter o controle desses animais, explica Pedro. Das peculiaridades sobre os elefantes destaca-se o alto nível de curiosidade. Pedro conta que elas sabem exatamente quando ele coloca um medicamento em meio a um lanchinho. Outro aspecto interessante é o fato dos elefantes enterrarem seus falecidos. O tratador conta uma história que aconteceu com um trabalhador em um zoo de outra cidade que também tratava o elefante e que um dia, foi morto pelo animal. Os funcionários do zoológico só perceberam o ocorrido por causa do mau cheiro que tomou conta do recinto e foram descobrir o corpo escondido embaixo de um tablado, dias depois. Essa é outra característica dos elefantes. Guardam muita mágoa e podem se vingar.

Cada bicho tem uma personalidade, mas uma coisa que têm em comum é o reconhecimento pelo tratador. Depois de cinco anos no zoo de Pomerode, Pedro foi atuar no Beto Carreiro, mas sentiu falta dos antigos amigos e voltou para a cidade depois de três meses. Seu retorno foi marcado por muita alegria. Todos os animais o reconheceram. A sensação foi incrível. Senti que estava reencontrando grandes amigos, o reconhecimento foi imediato, conta. Para retribuir Pedro as vezes quebra a rotina e agracia as amigas com um saboroso picolé. Feliz dia do amigo!

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