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Rolezinho: Protesto da era digital

Criados em resposta à lei que proíbe bailes funks nas ruas da capital paulista, os encontros marcados pela internet por fãs do estilo musical em shoppings estão se espalhando pelo País.Nesses encontros, apelidados de 'rolezinhos' e embalados pelo funk estilo ostentação (que faz apologia a bens materiais), jovens, em sua…

1 de junho de 2015

Criados em resposta à lei que proíbe bailes funks nas ruas da capital paulista, os encontros marcados pela internet por fãs do estilo musical em shoppings estão se espalhando pelo País.Nesses encontros, apelidados de 'rolezinhos' e embalados pelo funk estilo ostentação (que faz apologia a bens materiais), jovens, em sua maioria negros e de periferia, reúnem-se nos corredores dos centros comerciais para 'zoar, pegar geral, se divertir etc', como eles mesmo definem nas redes sociais.
Tudo começou no dia 07 de dezembro de 2013, quando seis mil jovens, a maioria com idade entre 14 e 17 anos, combinaram pelo Facebook de se reunir e ouvir funk ostentação no estacionamento do Shopping Metrô Itaquera, em São Paulo.
Quando a reunião começou, a segurança do shopping tentou dispersar os jovens, então eles rumaram para o interior do prédio. Quem fazia compras no momento pensou se tratar de um arrastão e a confusão começou. Foi assim que o 'rolezinho' ganhou a mídia nacional e se tornou conhecido por todo o país.
Um shopping de São Paulo conseguiu liminar proibindo a entrada de jovens para um 'rolezinho' e o assunto ganhou as redes sociais. Outros seis shoppings paulistanos obtiveram respaldo judicial para realizar uma triagem entre os adolescentes.
A maneira como está sendo feita a abordagem policial a esses jovens também tem gerado grande repercussão.
Para os comerciantes o 'rolezinho' é considerado baderna, algazarra. Eles alegam que os centros comerciais são locais impróprios para abrigar este tipo de encontro e que no meio de jovens que querem apenas se divertir, se escondem criminosos e pessoas mal intencionadas. Para algumas pessoas, no entanto, a medida é racista e preconceituosa, vista como segregação do público de classes populares, que os 'rolezinhos' são um ressentimento dos jovens consumidores de classes populares que se afirmam ao ocupar o espaço com um movimento de massa, sinônimo de luxo e poder aquisitivo, como os shoppings.
O fato é que estes encontros agora ganharam todo o país e estão sendo realizados como uma forma de protesto. Em Belo Horizonte, jovens combinaram um 'rolezinho' anunciado como 'apartheid às avessas'. Até o início do mês que vem, há encontros marcados também no Distrito Federal, em Fortaleza e Salvador.
Em Blumenau, jovens estão marcando, através de rede social, um 'rolezinho' que irá acontecer no dia 02 de fevereiro, no Shopping Neumarkt.

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