Mulheres de todas as raças, cores e profissões
Um mundo talvez um pouco masculino. Um mundo talvez até um pouco desconfortável, mas um mundo que, com certeza, as mulheres têm tirado de letra, mesmo diante do machismo. Há quem diga que a profissão de frentista é melhor executada por homens. Porém, não existem nem estudos, nem estatísticas que comprovem essa suposição.
Um mundo talvez um pouco masculino. Um mundo talvez até um pouco desconfortável, mas um mundo que, com certeza, as mulheres têm tirado de letra, mesmo diante do machismo. Há quem diga que a profissão de frentista é melhor executada por homens. Porém, não existem nem estudos, nem estatísticas que comprovem essa suposição. O fato é que o mercado existe, e as mulheres tem quebrado esses paradigmas profissionais, mostrando que abastecer o carro, dar aquela olhadinha na água e óleo e calibrar os pneus do carro não é apenas uma profissão de homens.
Maria Luciana Jantsch, de 35 anos, é frentista há oito. No atual local de trabalho, já está há cinco ocupando a mesma função. À espera do primeiro bebê, grávida de seis meses, Maria diz que no início da profissão, foi difícil. No começo, as mulheres nem os homens gostavam de ser atendidos por mulheres. Eles achavam que a gente não tinha conhecimento suficiente para abastecer e fazer os procedimentos padrões, como olhar a água e o óleo. Olhavam de cara feia, mas acabavam sendo atendidos por nós mulheres, se não houvesse outra pessoa, relembra Maria.
Os anos se passaram e, segundo a frentista, muitas situações foram se tornando corriqueiras. Outras mudaram com o passar do tempo, mas Maria diz que nunca desistiu, mesmo diante do preconceito inicial e das dificuldades.
Muita coisa mudou. Hoje tem muita mulher dirigindo por aí que não sabe que precisa trocar água e óleo, mas também tem muitas que sabem e já pedem isso, então nós mulheres estamos aí para nos ajudar mutuamente, relata.
O que existe ainda, de acordo com Maria, é que as pessoas mais antigas, principalmente os homens, não gostam de ter o carro abastecido por mulheres. Eles pedem para que algum homem os atenda, pois eles acreditam que as mulheres não estejam por dentro do ‘assunto de abastecimento, revela.
Independente da função, trabalhar em um posto de combustíveis, sempre foi alvo de comentários e preconceito machista. Micaella Silva Vieira, de 24 anos, é caixa em um outro posto de combustíveis da cidade e trabalha na função há cinco meses.
Segundo ela, algumas pessoas ainda acham estranho uma mulher trabalhar em um local como este. Mas é um profissão como qualquer outra, afirma.
Micaella, que é casada e mãe de um filho, diz que esse mundo em postos de combustíveis é bastante masculino. São vários produtos, para diversas funções além do ‘básico, que é trocar água e óleo e outros fatores que a gente precisa saber. Antes, muitas vezes, eu nem estava atenta a alguns detalhes que hoje eu sei que precisam ser observados; essa função hoje não é apenas do meu marido, eu também contribuo, conta.
Justamente por ser um mundo bem masculino é que Micaella diz que é preciso se enturmar com os colegas de trabalho. Ou você se enturma e fica por dentro dos assuntos, ou você fica isolada, revela.
E como o trabalho com os colegas é diário, é preciso haver essa união, segundo ela, pois esses momentos, além do trabalho em si, também geram aprendizados.
O lado bom de tudo isso para as mulheres é que além de terem um serviço, elas mostram que, com o passar do tempo, a mulher está tomando seu lugar no mercado de trabalho e sendo respeitada pelos seus esforços. Parabéns a todas as mulheres frentistas pelo trabalho, e parabéns aos homens também que estão mostrando respeito a elas.