Geral

“Vai catar caramujo”

Na tarde da última terça-feira, 22 de abril, representantes da Vigilância Sanitária, o Secretário de Planejamento, Mauricio Eduardo Gorigoitía Vega e o prefeito de Pomerode, Rolf Nicolodelli, reuniram-se com moradores em uma convocação, afim de debater o problema da infestação de caramujos africanos na região de Testo Alto.

1 de junho de 2015

Na tarde da última terça-feira, 22 de abril, representantes da Vigilância Sanitária, o Secretário de Planejamento, Mauricio Eduardo Gorigoitía Vega e o prefeito de Pomerode, Rolf Nicolodelli, reuniram-se com moradores em uma convocação, afim de debater o problema da infestação de caramujos africanos na região de Testo Alto. Na ocasião o representante da Vigilância Sanitária, Jeancarlo Hille, explicou sobre a procedência do molusco e orientou aos cerca de 30 moradores presentes na reunião como atuar no controle da infestação.

Os agentes sugeriram aos moradores um controle por meio de um mutirão e que deve ser feito por todos de modo manual. Ou seja, os moradores deverão coletar os animais, devidamente protegidos com luvas ou sacos plásticos, abrir uma vala de aproximadamente 40 centímetros para jogar os caramujos africanos, quebrar as cascas com uma ferramenta adequada e jogar uma camada de cal por cima ou então queimá-los. Contudo uma das moradoras advertiu sobre o mau cheiro da queima, que segundo ela, assemelha-se ao aroma de chifre de boi queimado. Enquanto isso outros reclamaram sobre a possibilidade de que o vizinho não faça o trabalho dele, e que a prefeitura deveria intervir de maneira mais efetiva.

O Secretário de Planejamento, entretanto, disse não haver recursos financeiros disponíveis para isso no momento e apresentou como solução a instalação de duas bombonas para descarte dos caramujos africanos. A primeira será instalada no número 705 da rua Anna Achterberg e a segunda ficará localizada na rua Carlos Belz, na altura do número 880.

Os moradores deverão recolher os moluscos em suas residências, principalmente nos períodos do início da manhã e início da noite, quando os caramujos estão mais ativos, quebrá-los e colocá-los em sacos plásticos para serem descartados nas bombonas. Assim que os recipientes estiverem cheios, a Vigilância Sanitária deve ser avisada para um recolhimento e incineração em local apropriado. Os arredores, que não as residências particulares, devem ficar a cargo também dos moradores da região.

Para o morador da região Marcos Hornburg a solução não será eficaz pois não atenderá a todas as localidades. A ação não vai resolver. Em 2012, devido a uma questão com um vizinho precisei modificar o curso do meu esgoto, que era canalizado, mas acabou ficando a céu aberto. Fui obrigado a fechá-lo sob acusação da Secretaria de Planejamento de minha residência se tratar de um foco do caramujo. O esgoto foi canalizado, mas em outras residências outros focos continuam abertos. Acredito que o problema seria solucionado se a prefeitura acompanhasse essas ações mais de perto, queixa-se o morador.

O problema já havia acontecido em 2012 e foi controlado desta forma. A Vigilância Sanitária adverte que aos moradores para que não utilizem pesticidas no combate a praga, para não haver o risco de contaminação do solo. Também não recomendam o uso de sal ou pó de café. Essas ações funcionam em algumas localidades, como no interior de São Paulo, onde também existem infestações dentre outras regiões brasileiras. Reconhecer o caramujo africano é simples. Possui concha em formato cônico, com borda afiada de cor cinza escuro e estrias castanha.

O grande perigo do caramujo provém da transmissão de um verme nematoide, o Angiostrongylus, causador da angiostrongiliase meningoencefálica, que paralisa o sistema nervoso central com extrema gravidade. Pode causar também o angiostrongiliase abdominal, doença caracterizada pelo comprometimento dos órgãos abdominais, especialmente da região do intestino grosso.

O caramujo africano introduzido de modo clandestino no Brasil em 1988, como alternativa ao cultivo do escargot e que acabou virando praga. Sua concha mede entre 15 e 20 centímetros de altura e entre 10 e 12 de comprimento, podendo pesar 200 gramas.

Notícias relacionadas