Nos bastidores do Zoológico
Chegou a minha vez de sair da rotina e a escolha realmente não tem nada de parecido com meu cotidiano. Escolhi passar algumas horas e assumir a função de tratador de animais do zoológico da nossa cidade. Uma experiência única e de grande relevância.
Chegou a minha vez de sair da rotina e a escolha realmente não tem nada de parecido com meu cotidiano. Escolhi passar algumas horas e assumir a função de tratador de animais do zoológico da nossa cidade. Uma experiência única e de grande relevância.
Confesso que acordar às 05h30min, não é pra lá algo muito confortável, mas resolvi assumir o compromisso e estou muito satisfeito por minha escolha. Já na entrada, fui recebido por um velho conhecido meu, Rui Gebauer, que me levou até a cozinha e me apresentou ao Leandro, biólogo, e seu auxiliar Evandro.
Na primeira etapa recebi todas as explicações das separações dos alimentos e preparo. Colocando-me a disposição comecei a ajudar a cortar as frutas, moer as carnes, separar as porções nas suas medidas corretas e após isso, fui a campo, tratar meus primeiros bichinhos. A escolha foram os tigres.
Fiquei ansioso e preocupado, pois tratar felinos desse tamanho e de instinto predador requer cuidados especiais. Mas tudo correu na sua normalidade. Continuando, foi a vez dos ursos, dos macacos, dos animais em quarentena, das aves, sempre seguindo um cronograma e uma logística muito bem organizada pela equipe e seguida por meus companheiros Rui e Willian.
Fiquei muito seguro em tudo, pois os cuidados que tínhamos, principalmente na parte da segurança para evitar qualquer acidente, nos fazem ficar atento aos pequenos detalhes, sempre seguidos com rigor, um fator imprescindível para a realização desse trabalho.
Um dos momentos interessantes foi a hora de conhecer e tratar Sultão e Charles, os dois chimpanzés do zoo. Na subida da escada que levava até a parte interna do recinto deles, na companhia da Jaciara, fotógrafa do Jornal, entramos juntamente com Willian e Rui, mas sentimos um comportamento estranho dos dois, rejeitando, a princípio, nossa presença.
Naquele momento entendi que estávamos invadindo o território deles e que nos estranharam. Em algumas oportunidades, Sultão enchia a boca de água e cuspia, molhando a todos. Entre risos, Rui confessou que nem ele havia passado por isso, mas que era normal, os chimpanzés terem essas atitudes de repudio. Saímos, limpamos a parte externa do recinto e retornamos a parte interna. Desta vez Sultão e Charles já estavam calmos e aceitaram nossa presença, e num momento curioso e divertido, consegui alimentar Charles, com gelatina.
Digo que foram algumas horas de uma pequena experiência fantástica. Verificar de perto toda uma logística, em que mais de 1.500 animais precisam ser alimentados em seus horários, utilizando mais de 500 quilos de comida por dia, merece toda admiração, respeito e apoio. O crescimento do Zoológico de Pomerode se deve muito a essas pessoas e principalmente pela equipe que reúne hoje, mais de 35 profissionais.
Quero agradecer ao Maurício Bruns, diretor do zoo pela oportunidade cedida, ao biólogo Leandro, ao Evandro, Rui e Willian pelo acompanhamento e ensinamentos. Com certeza saio com mais admiração a essas pessoas que trabalham nos bastidores deste empreendimento, que vem crescendo e é o maior orgulho turístico de Pomerode.