Polêmica marca primeiro dia de Festa
A mudança que gerou grande polêmica na primeira noite da Festa Pomerana ocorreu na tarde do mesmo dia 10 de janeiro. Com o intuito de melhorar o fluxo da Avenida 21 de Janeiro, a Gerência de Trânsito de Pomerode instalou placas de proibido parar e estacionar nas duas quadras que antecedem a entrada da Festa
A mudança que gerou grande polêmica na primeira noite da Festa Pomerana ocorreu na tarde do mesmo dia 10 de janeiro. Com o intuito de melhorar o fluxo da Avenida 21 de Janeiro, a Gerência de Trânsito de Pomerode instalou placas de proibido parar e estacionar nas duas quadras que antecedem a entrada da Festa para que os veículos que fossem entrar no Pavilhão ficassem a direita e os demais seguissem pela esquerda. Além disso, a placa que indicava ponto de táxi foi colocada na Rua Juergen Weege, onde veículos também foram guinchados por conta do estacionamento não autorizado.
No entanto, essa situação causou incômodo aos condutores dos 12 veículos que foram guinchados durante a noite. O local, até este ano, sempre foi ponto de estacionamento de veículos devido a sua proximidade com o Parque de Eventos, mas este ano não mais puderam ser utilizadas as vagas.
Pomerodenses e turistas que tiveram seus carros guinchados na primeira noite do evento enalteceram sua indignação com a situação, não pela multa proriamente dita, por conta da infração de trânsito, mas pelo fato do local não possuir nenhum agente que orientasse sobre a recente mudança, além da falta de pintura da faixa amarela no meio fio e da distância entre uma placa e outra.
O tumulto começou após o desfile oficial do evento quando os primeiros veículos foram guinchados por uma empresa de Timbó. Com isso, todos os veículos ficaram retidos na cidade vizinha.
A liberação dos veículos, por sua vez, ocorreu na manhã de sábado, após uma intensa avaliação da situação. Caso contrário, os veículos só poderiam ser retirados na segunda-feira. Com o pagamento da taxa de guincho, no valor de R$124,00, os condutores puderam retirar seus carros e ir para casa. A multa pela infração de trânsito será enviada pelos correios.
José Henrique, morador de Timbó, que teve seu veículo recolhido por estacionar próximo à Wox Club, enalteceu sua indignação através de uma carta enviada à Prefeitura, Getran, Câmara de Vereadores e Jornal de Pomerode. Em seu parecer sobre a situação, José Henrique informou que passa constantemente por Pomerode e desconhecia as placas. Estacionei meu carro próximo ao Parque Municipal, quase em frente ao posto policial, onde não fui, em nenhum momento, comunicado sofre a impossibilidade de estacionar no local. Assisti ao desfile e depois entrei na festa com minha esposa, minha filha de 12 anos e um amigo de fora que convidei para conhecer o evento. Por volta das 21h saímos da Festa e para meu espanto meu carro estava sendo guinchado. Perguntei ao guarda onde estava a placa, que se localizava a uns 80 metros, que me informou que, devido ao fato de ter duvidado da questão, levaria meu carro. Fiquei a pé, sem a chave da minha casa, sem controle para abrir meu portão, tive que pegar um táxi para Timbó e esperar o guincho voltar ao pátio para pegar a chave isso a meia noite, explica.
Os veículos foram liberados na manhã do dia seguinte e José Henrique conta que novamente teve um gasto para voltar a Pomerode e, depois, ir a Timbó novamente. No sábado peguei outro táxi até Pomerode e aguardei até às 9h30min para a liberação do veículo, que somente iria ocorrer na segunda-feira, após às 13h, conforme a responsável pela Getran. Aí, então, voltei a Timbó para, após o pagamento da taxa, retirar meu carro no pátio da empresa de guincho, enaltece.
José Henrique conta ainda que conversou com as outras dez pessoas que tiveram seus veículos guinchados na noite de sexta-feira e todas mostraram a sua indignação com a situação. Conversei com dez pessoas que também tiveram seus veículos guinchados e que estavam indignadas. Pessoas, inclusive, de outro estado e um senhor de idade que teve seu carro apreendido e voltou a pé de Pomerode até Timbó, pois não havia mais táxis para levá-lo, informou.
O condutor finalizou declarando a situação como decepcionante. Decepcionante este tipo de atitude cruel, pois colocaram a placa às 15h de sexta-feira e sem aviso aos motoristas, sem supervisão da Polícia Militar e do Trânsito, para, no mínimo, orientar, pois havia pessoas de fora e de Pomerode que não sabiam da colocação das placas, sendo um evento importante e de altíssimo movimento de veículos da cidade e de visitantes. É lamentável que várias pessoas, agora, não mais voltarão e nem indicarão a Festa e a cidade de Pomerode, completou.
Palavra da Gerência de Trânsito – A autoridade de trânsito de Pomerode, Tatiana Leite Slomp, esclarece a situação dizendo que a instalação foi efetuada para melhorar o fluxo e que as placas serão retiradas depois da Festa Pomerana. A CCO da Festa Pomerana nos procurou e solicitou que o problema das filas para a entrada na Festa pudesse ser solucionado e a única maneira para isso é melhorar o fluxo, ressalta.
Tatiana informou ainda que a Getran não efetuou a fiscalização no dia em questão, mas sim, apenas a orientação e que a multa foi aplicada pela Polícia Militar. A instalação foi efetuada na tarde de sexta-feira, apenas para o evento, com o objetivo de melhorar o fluxo na via. Em anos anteriores as filas eram constatadas por quilômetros, o que não aconteceu este ano. A Getran não fiscalizou e, tampouco, mandou guinchar os veículos neste dia. A fiscalização é e pode ser realizada por nós, mas, nesse caso, não foi, pois estávamos apenas efetuando a orientação nas vias, afirma.
Quando o assunto é a pintura do meio fio para orientação da proibição, Tatiana explica que a obrigatoriedade disso não existe. Havendo a placa de sinalização, a pintura do meio fio não é obrigatória. É preciso esclarecer que somente a pintura não proíbe o estacionamento, se não estiver acompanhada da placa. No entanto, a placa por si só já indica a proibição, mesmo que o meio fio não esteja pintado. As placas estão localizadas nas duas quadras que antecedem a entrada do estacionamento da Festa Pomerana, a legislação pede que, num trecho de 60 metros, haja apenas uma placa de sinalização, mas no trecho em questão há várias indicando a proibição, esclarece.
Os condutores que estacionaram seus carros em local proibido e chegaram antes da notificação, retiraram seus veículos e nada sofreram. Através do sistema de som da Festa Pomerana foi anunciado que os veículos estacionados em locais proibidos seriam notificados e sofrendo medidas administrativas, que, neste caso, é o guinchamento. Os que apareceram para retirar seus veículos foram embora sem sofrer nenhuma penalidade, complementa.
Quanto à liberação dos veículos, a autoridade conta que isso fica
a encargo da Polícia Civil, por meio do Citran de Pomerode. A liberação dos veículos ocorre após autorização do Citran. Há um convênio entre Polícias Militar e Civil e Getran, onde cada uma tem a sua competência. No caso de liberação, a competência é do Citran. Entrando em contato com o responsável do órgão na cidade, foi acordado que os veículos seriam liberados no sábado, apesar da Polícia Civil não efetuar plantões para estes casos no fim de semana e trabalha a partir das 13h, na segunda-feira. Na manhã de sábado foi liberada a sala de trânsito, localizada no Pelotão da Polícia Militar, para que eu, como autoridade de trânsito, pudesse efetuar essa liberação. Com a guia para esta liberação os condutores puderam ir ao pátio da empresa de guincho retirar seus veículos. Lembrando que essa autorização de liberação foi me dada pelo Citran, pois fica a encargo deles, explica.
Outra situação que indignou os condutores foi o fato de alguns deles estarem presentes na hora em que seus veículos foram guinchados, mas não poderem levar seus carros para casa, apesar de não se absterem do pagamento da multa. A partir do momento em que a multa é preenchida e o guincho chamado ou o carro já estar no caminhão guincho não é possível liberar o veículo. Não há convênio com empresa de guincho e ninguém recebe comissão. A empresa venceu uma licitação e leva o carro quando chamada, então emite uma guia, valor este tabelado e que não pode ser recebido em dinheiro, apenas através de autenticação automática de lotéricas, bancos e afins, e após pagamento o condutor retira seu veículo, enaltece Tatiana.
Tatiana finaliza explicando que as placas instaladas obedecem ao manual de sinalização do Contran, resolução 180. É preciso enaltecer que existem leis para serem cumpridas e que toda e qualquer sinalização de trânsito a obedece, finaliza.
Palavra da Polícia Militar – A comandante da Polícia Militar de Pomerode, tenente Carolina Maria Bachmann, explica que o estacionamento foi proibido em virtude dos congestionamentos registrados em festas anteriores. O intuito é melhorar a fluidez do trânsito e há um consenso da população quanto a isso. As placas estavam ali, bem ostensivas. Quanto as faixas não terem sido pintadas, não é uma exigência do código de trânsito, basta que haja sinalização vertical e esta existia, ressalta.
O principal objetivo desta proibição é melhorar o fluxo do trânsito, com os carros parados, este intuito não foi atingido. Quando os policiais chegaram para trabalhar após o desfile, pois, até então, estavam atuando nele, perceberam que o local estava tomado de veículos. Ainda houve a preocupação de anunciar as pessoas que haviam estacionado ali. Obrigatoriamente não precisaria ser feito, tendo em vista que havia quatro placas bem expressivas. E havendo essa preocupação muitos condutores foram retirar seus veículos, explica.
O local destinado para os táxis, visando facilitar o acesso dos turistas, também foi ocupado. No ano passado existia um local destinado aos táxis do outro lado da via. No entanto, se o intuito é facilitar o acesso é preciso destina e um local exclusivo a eles. Os taxistas foram credenciados para trabalhar na Festa e orientados para obedecer esta fila e, assim, também efetuar o rodízio. No entanto, esse acesso estava bloqueado por conta dos veículos ali estacionados. Então, os taxistas que estavam participando do evento não poderiam atender às orientações por conta disso. E a única forma de sanar o problema foi remover os veículos. Neste caso, a medida administrativa cabível, trabalhando no que diz a lei, enaltece.
De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro, no artigo 271,o veículo será removido para o depósito fixado pelo órgão ou entidade competente, com circunscrição sobre a via.