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Fibra, força e dignidade

Lavar uma média de 15 caminhões e 20 carros. Quem leu este número, com certeza, se assusta e acha que muitos homens devem estar envolvidos neste trabalho.

1 de junho de 2015

Lavar uma média de 15 caminhões e 20 carros por sábado. Quem leu este número, com certeza, se assusta e acha que muitos homens devem estar envolvidos neste trabalho. Pois quem teve este pensamento, se engana. Quem lava todos esses veículos, logicamente com a ajuda de alguns funcionários, mas está à frente do trabalho braçal que a função exige, é Sandra Cordeiro, de 39 anos.
Mas essa não é a única ocupação desta mulher guerreira e batalhadora, na mais pura essência do ser mulher. Além de lavar todos esses veículos, e muitos mais, Sandra ainda se divide nas tarefas de mãe, esposa e dona de casa.
A história de Sandra, com a lavação de veículos, começa há pelo menos dez anos. Durante sete, ela trabalhou em um posto de combustíveis da cidade, na mesma função. Depois deste período, resolveu colocar em ação seu espírito empreendedor e começou seu próprio negócio.
E o espírito não é apenas empreendedor nos negócios. Ela precisa empreender na vida em geral, para dar conta de tudo.
Para fazer tudo isso e dar conta, é preciso ter uma cabeça muito boa. Se você não tem pensamentos bons, nada vai para frente, diz ela.
Histórias de espanto e curiosidade, mas muito mais de admiração rondam Sandra e sua profissão. Ela conta que certa vez, dois homens chegaram para entregar um caminhão que seria lavado. E quando viram que ela é quem lavaria o veículo, se espantaram. Eles ainda falaram que acharam que eu só dava as ordens, que eu ficava no escritório. Mas isso não é para mim, eu coloco mesmo é a ‘mão na massa. E muitas pessoas como esses dois homens, se surpreendem, conta.
Já houve até vezes em que alguns homens revelaram para a proprietária da lavação, que gostariam que suas esposas estivessem na função de Sandra, durante um dia. Eles dizem que algumas mulheres trabalham em escritório, tem de tudo, do bom e do melhor e ainda reclamam; já ouvi isso algumas vezes, revela.
A mãe de quatro filhas, diz que gosta muito do que faz, que esta é a sua vida. Trabalhar entre quatro paredes, ‘presa a uma sala, não a faria feliz, embora a família e o marido já pediram várias vezes para que ela vendesse a lavação. Meu marido acha muito judiado esse serviço. Mas eu nunca acato isso; primeiro porque eu gosto de trabalhar nessa área, faço muitos amigos aqui; e também é um dinheiro que ajuda a sustentar a família e se eu não gostasse do que eu faço hoje, meu negócio não iria prá frente, conta.
A lavadora de veículos conta que se não fosse trabalhar em uma lavação de carros, certamente sua função seria outra e, segundo ela, realmente qualquer outra, qualquer que seja. Olha, eu só não aprendi duas coisas na minha vida prá ganhar dinheiro: a matar e a roubar. O resto eu faço tudo. Tudo mesmo. Sei dirigir caminhão, carreta, trator, patrola. Se precisar abrir um valo na beira da estrada, eu faço; se precisar roçar um pasto, eu roço; oque precisar fazer eu vou fazer, explica.
Sandra conta que as filhas ajudam no serviço da lavação, quando podem, mas a prioridade são os estudos, para que elas possam ter um futuro melhor e promissor.
Ela diz que como qualquer mulher e mãe, fica dividida muitas vezes, quando as filhas pedem mais atenção. Mas ela as faz entender que o trabalho é necessário e é o que proporciona o conforto e os benefícios que as meninas têm.
Aos finais de semana, eu gosto de estar com elas, com meu marido, me dedico inteiramente à minha família. Às vezes é difícil, porque minhas filhas são adolescentes e elas arrumam seus compromissos, suas festinhas para ir também; e é esse o momento que eu tenho para me dedicar integralmente a elas, explica.
Apesar de ter todo o serviço da lavação e de casa, nos finais de semana, agora, ela dedica a si e à família. Sim, agora, pois até pouco tempo, a carga horário de Sandra era de segunda-feira a segunda-feira, sem folga.
Nas horas vagas, ela diz que gosta de pescar, de sair com a família e ir a uma pizzaria, almoçar fora.
Não importa a profissão, a função ou a ocupação de Sandra. Mas o que a faz ainda mais especial, é a força de vontade e a dedicação tanto ao trabalho como a família. Eu tenho um lema na minha vida: eu quero, eu posso, eu consigo. E acho que deveria ser o lema de todas as mulheres e de todo mundo, pois quem tem essas palavras na vida e quer alcançar um objetivo, com certeza vai conseguir. Basta querer e poder, aconselha.
Sandra diz que todas as mulheres deveriam acreditar mais em si mesmas, acreditar que podem conseguir tudo o que quiserem. Basta se dar valor e se amar acima de qualquer coisa, finaliza.

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