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Da terra para a mesa

A rotina começa por volta das 5h30min da manhã, mas não tem hora para terminar. São mais de dois mil metros quadrados de terreno com plantação de verduras e hortaliças que, acima de tudo, recebem o mais belo e precioso tempero: dedicação.

1 de junho de 2015

A rotina começa por volta das 5h30min da manhã, mas não tem hora para terminar. São mais de dois mil metros quadrados de terreno com plantação de verduras e hortaliças que, acima de tudo, recebem o mais belo e precioso tempero: dedicação.
Lauro Goede, de 66 anos, junto com sua esposa, Edeltraud Volkmann, de 62, vivem da venda de sua produção domiciliar há 15 anos. No entanto, a rotina agrícola já faz parte da vida de Seu Lauro, que sempre ajudou o pai, em Pomerode Fundos. Meu pai plantava fumo e eu sempre o ajudei. Em resposta a isso, quando eu tinha 15 anos, ele comprou um terreno para mim e lá plantei tabaco, criei porcos e gado, explica.
Atualmente morando no Centro da cidade, é raro observar, no bairro, a produção agrícola. Coisa que o casal não se vê deixando de fazer. A produção aqui começou de maneira inusitada. Foi quando me casei com a Edeltraud e não conseguia arrumar um emprego, por conta da minha idade. Daí resolvi cultivar as verduras aqui, conta.
E o resultado foi positivo. Hoje são entre 15 e 20 variedades de verduras e hortaliças vendidas para a comunidade que comparece de segunda a sábado para comprar alimentos frescos e saudáveis. Cuidamos com muito carinho de tudo e os produtos são 90% naturais, sendo os agrotóxicos utilizados apenas para manutenção em estações mais quentes. Fora isso, o segredo é carinho e dedicação, relata.
E se hoje a procura é intensa, o começo foi árduo. Nos primeiros anos eu saía para vender os produtos na rua. Participei também da feira que era realizada na Praça Jorge Lacerda, mas que, infelizmente, acabou em 2006. Depois disso fiquei mais conhecido e hoje, as pessoas vem até a minha casa para comprar os produtos, afirma.
E a garantia dos produtos de qualidade é confirmada com o número de clientes que são atendidos semanalmente. São cerca de 50, 60 pessoas por semana. E cuidamos sozinhos de tudo, comenta Edeltraud.
O cuidado com a horta começa no plantio. Compramos as sementes, as plantamos e cuidamos na estufa até transferi-las para a horta. O plantio é realizado sempre na época adequada para que o resultado seja produtos de qualidade, conta Lauro.
Além de muito esforço, o trabalho exige paciência. Afinal, são horas dedicadas à terra, à colheita e à separação dos produtos para vendê-los limpos, separados e pesados. E se essa rotina parece cansar só de imaginar, o casal não se imagina fazendo outra coisa. Eu já trabalhei em fábrica até 2002, quando comecei a auxiliar aqui. Em casa sempre tive horta, então já sabia como trabalhar nisso. E hoje não troco a minha rotina para voltar a uma empresa, afirma Edeltraud.
Além de trabalhar, mexer com a terra também pode ser considerada uma terapia. No entanto, mais do que isso, é também aprendizado. Há tantas pessoas que vêm até aqui que acabamos nos virando em diversos idiomas. Italiano, alemão e espanhol são os mais comuns, conta o marido.
Em épocas onde trabalhar em escritórios e locais com ar-condicionado são tão tradicionais, os trabalhos essenciais para o ser humano, como o plantio de alimentos, é cada vez menos visto. No entanto, é, também, preservado por quem sabe que nasceu para isso. Para cuidar e plantar saúde.

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