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Praga fora de controle

Caramujos africanos são registrados em regiões de Pomerode e, sem predadores naturais, espalham-se com rapidez. O molusco pode até transmitir doenças

1 de junho de 2015

Uma praga sem predador natural
O caramujo-africano é uma espécie considerada praga em diversos países no mundo todo. Foi introduzido ilegalmente no Brasil na década de 1980, com o intuito de oferecer um substituto mais interessante economicamente e de maior peso que o escargot verdadeiro (Helix aspersa).

Em pouco tempo de criação se verificou que o animal não tinha boa aceitação pelo mercado consumidor brasileiro, o que provocou a desistência da maioria dos criadores, que se desfizeram dos animais de forma errônea: liberando os caramujos em jardins, matas ou simplesmente colocando-os no lixo.

Sem saber ao certo como os animais chegaram ou se espalharam, Pomerode também contabiliza registros de sua existência. Mais precisamente, em ruas como Ana Krueger, Ana Achterberg e Carlos Belz, todas localizadas em áreas com bastante vegetação e na região que limita os bairros de Testo Alto e Testo Rega.

Segundo os moradores da região, o problema ocorre desde 2012 e, por conta dos caramujos não possuírem predadores naturais, só tem aumentado. O problema começou no segundo semestre de 2012, quando alguns caramujos foram encontrados na região. Na época, nos foi disponibilizado tambores para coleta dos animais, o que não existe mais desde o fim do mesmo ano. Então, estamos por conta própria nos livrando de um animal que não tem predador natural e que é uma praga, comentam.

Os responsáveis pelas Vigilâncias Epidemiológica e Sanitárias de Pomerode explicam que tem conhecimento do caso desde 2012 e que ações foram efetuadas já na época. O caso foi encabeçado pela Vigilância Epidemiológica em 2012 na região de Testo Alto com orientação. Na época, foram confeccionados folders, foi realizada reunião com a comunidade e com a equipe do ESF de Testo Alto, onde a ponte de contato foi o agente comunitário da região. Estas ações foram desencadeadas pela Vigilância Epidemiológica com o auxílio da Vigilância Sanitária. A Vigilância Sanitária se propôs a recolher os caramujos no primeiro momento, até que se encontrasse uma solução para o caso, pois o problema era desconhecido em nosso município. Após alguns dias de coleta, a população foi orientada de como proceder com o manuseio e controle dos caramujos, onde então a própria população ficou encarregada pelo controle do caramujo. A ação é realizada desta forma em todos os municípios, as vigilâncias orientando, quando solicitadas.

Como são hermafroditas (possuem os dois sexos em um mesmo animal) e realizam a autofecundação, basta apenas um indivíduo para que a praga se alastre, afinal são cerca de 400 ovos ao ano por caramujo. Podemos observar centenas de ovos espalhados em nossos terrenos e a única maneira de eliminá-los e incinerando-os. No entanto, há outro problema vinculado a isso: o forte cheiro causado com a incineração, explicam.

As Vigilâncias explicam que além da Vigilância Epidemiológica e Vigilância Sanitária, a população também conta com o apoio dos agentes comunitários nas orientações. Não existe veneno ou outra forma mais eficaz comprovada que possa auxiliar no extermínio destes moluscos e que não agrida o meio-ambiente. Por esta situação, assim como em diversas áreas da saúde pública, a população precisa colaborar para que em conjunto possamos reduzir a quantidade destes caramujos na região afetada. Como orientação, deve-se usar luva ou sacos plásticos para proteger as mãos ao capturar os moluscos, abrir uma cova de aproximadamente 40 cm de profundidade, depositar os caramujos nesta cova, quebrar as conchas, queimar os mesmos e fechar a cova. As luvas ou sacos plásticos usados no manuseio dos moluscos devem ser descartados. Os caramujos não podem ser descartados no lixo, pois o problema será transportado de um local para outro, frisam.

Em Pomerode, os animais podem ser observados em grande quantidade durante a noite, período em que se alimentam e saem de seus abrigos. Na região em questão, os moradores recolhem centenas deles em apenas alguns dias. Eles acabam com nossas hortas e, inclusive, já recolhemos animais que estavam nas paredes de nossas casas, enaltecemos moradores.

A preocupação, no entanto, não envolve apenas a questão de higiene e saúde, mas também das cobras que estão aparecendo na região desde então. Em uma semana eu encontrei mais de dez cobras no meu terreno e, como se não bastasse, são espécies venenosas como jararaca e jararacuçu, contam.

A reclamação dos moradores também é referente ao atendimento prestado pelo Poder Público em relação aos registros. Compramos veneno por conta própria, podamos nossos jardins, espalhamos cal e sal, mas nada disso acaba com os bichos. Sabemos que podem transmitir doenças e os manuseamos com luvas, mas não vou mais incinerá-los no meu jardim, porque isso é questão de saúde pública e precisamos de ajuda. Não queremos que alguém fique doente para que depois medidas sejam tomadas, ressaltam.

Neste sentido, a Vigilância responde que a responsabilidade em nosso município é do setor saúde, no caso vigilâncias em saúde, que engloba a Vigilância Epidemiológica e Vigilância Sanitária. A Vigilância Sanitária, bem como a Vigilância Epidemiológica, nunca passaram a responsabilidade para outros setores, o que não se pode confundir é que todos os órgãos da prefeitura possuem suas atribuições. No entanto, esclarecemos que nunca deixamos de atender um caso sequer de problemas com caramujos quando somos informados. Quando não estamos disponíveis no momento solicitado por virtude de estar em outras atividades, sempre retornamos o contato assim que possível.

O que o departamento também esclarece é que cada cidadão deve fazer a sua parte, coletando os caramujos que se encontram em sua propriedade. Por diversas vezes os profissionais estiveram no local no decorrer destes anos para saber como está o controle, onde fomos sempre informados que o a situação estava sob controle. Em 01 de abril, a Vigilância Sanitária foi procurada por uma moradora da Rua Carlos Belz, informando que havia uma infestação de caramujos em sua propriedade. Na manhã do dia 02 de abril, uma equipe de profissionais formada pela Vigilância Sanitária e Vigilância Epidemiológica foi até o local e orientou a moradora sobre os métodos de controle do molusco e solucionou diversos questionamentos a respeito do assunto. Voltamos a lembrar que a medida mais eficaz de reduzir a presença do molusco é a manual, coleta e destruição dos caramujos individualmente.

O que os moradores pedem é que os tambores para recolhimento voltem a ser colocados para que a incineração seja feita em outros locais, por receio de contaminação ao entrar e contato com o molusco. Quanto a isso, as Vigilâncias justificam que a população foi orientada a usar luvas ou sacolas plásticas durante a captura dos moluscos, para evitar riscos de contaminação. Evitando este contato com a secreção do caramujo, não existe outro perigo, portanto a pessoa para coletar o caramujo não necessita de nenhum outro cuidado, devendo sempre descartá-los em covas. A população não deve esquecer das orientações passadas pelo setor de saúde.

As Vigilâncias finalizam solicitando a parceria entre moradores e entidades. Salientamos que para uma ação do poder público, se faz necessário comunicar o fato à Vigilância Epidemiológica ou Vigilância Sanitária do município. Nas orientações que são passadas para a população, já informamos que é muito difícil erradicar o molusco das áreas em que foi encontrado. Por isto, a importância da população manter o constante controle do molusco conforme orientações dos profissionais da saúde. Periodicamente são realizadas visitas às áreas em que houve incidência do caramujo pelas equipes de saúde pública, completam.

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