Editorial
Nem só com buracos se faz uma pauta.
Nem só com buracos se faz uma pauta.
Pode ser facilmente constatado que nas edições mais recentes do Jornal de Pomerode o que não falta são buracos para ilustrar suas páginas, mesmo com uma operação organizada pela Secretaria de Obras, que visa a recuperação parcial dos locais que necessitam com urgência de melhorias definitivas.
Contudo, a situação é muito mais complexa. Os buraquinhos de outrora estão se transformando em crateras, colocando em risco a vida de quem trafega pelas vias. Uma sucessão de erros é constatada, sendo o primeiro deles o fato de que as empreiteiras responsáveis querem vencer a licitação e para tal, jogam o preço lá em baixo.
Como deixaram de obter o lucro desejado, se veem na prerrogativa de economizar, poupando em material de qualidade, poupando no trabalho desenvolvido, pavimentando com películas superficiais que, em pouco tempo, começam a descamar. Em muitos casos, antes mesmo da inauguração de uma obra esperada por muitos anos pela comunidade que ali reside ou que utiliza a via com frequência, no ir e vir do dia a dia.
E erra-se ainda na fiscalização. Se paga em duplicidade, e o que é pior, em muitos casos com a contrapartida da população. Os fiscais acabam deixando, por negligência ou imperícia, que o trabalho seja concluso, mesmo sabendo, pela experiência e histórico de obras em nossa cidade, que os erros e as falhas vão aparecer em poucos meses, através de buracos, desníveis e afins.
Parece que o dinheiro público está em uma constante desvalorização e que não tem a mesma valoração do que o privado. No caso da contratação de uma empresa para a realização de um serviço em um imóvel particular, vamos cobrar exaustivamente para que a obra seja condizente com o quanto suamos para economizar o suficiente para concretizá-la. O mesmo zelo não acontece com as obras públicas.
Primar por critérios técnicos em licitações e contratações de empresas prestadoras de serviço para a Administração Municipal, bem como, trabalhar em prol da criação de canais de fiscalização efetiva, para acompanhar projetos e cobrar o atingimento de padrões mínimos de qualidade, é o básico a ser esperado em respeito à população.
E neste contexto, não tem como a imprensa fechar os olhos, não tem como os vereadores deixarem de fiscalizar e usar a tribuna para reclamar, incessantemente, dos buracos que estamos colecionando em Pomerode.
As redes sociais da mesma forma, através dos perfis de seus usuários, bombardeiam diariamente com postagens de fotos e desabafos, noticiando aquilo que todos sabem, uma vasta lista de pontos nos quatro cantos de nossa cidade, onde a pavimentação deixa a desejar.
E quando sente no bolso, o brasileiro reclama mesmo, coloca a boca no trombone. E aqui, na Cidade Mais Alemã do Brasil, não é diferente. Porém, o que não se pode deixar de lembrar é que não é só o bolso que dói (por pagar impostos revertidos em obras de péssima qualidade, por ter que realizar reparos em automóveis e motocicletas envolvidas em acidentes de trânsito, por dar contrapartida a obras públicas sem que se tenha a qualidade esperada). Dói muito mais as fatalidades registradas, as vítimas de um trânsito caótico, consequência da imprudência dos motoristas nada cautelosos, agravado pelas condições de vias urbanas e rodovias.