Simbologia à flor da pele
Logo que chegaram a redação, as tatuagens do casal Márcia Norenberg Amaral e Ricardo Akira Shoji, despertaram atenção e curiosidade. E são muitas. De cores vibrantes e desenhos detalhados, o corpo parece se tornar a tela viva de algum artista do período do realismo.
Logo que chegaram a redação, as tatuagens do casal Márcia Norenberg Amaral e Ricardo Akira Shoji, despertaram atenção e curiosidade. E são muitas. De cores vibrantes e desenhos detalhados, o corpo parece se tornar a tela viva de algum artista do período do realismo.
O casal está junto há 17 anos, mas a paixão pela tatuagem começou há aproximadamente quatro anos. Ricardo tem 41 anos e fez a primeira tatuagem aos 15, mas foi só 21 anos mais tarde que de fato se entregou ao gosto. Queria fazer um tigre nas costas e esposa foi junto. Ao chegarem lá, Márcia, hoje com 42 anos, se encantou e decidiu que faria uma também. No dia seguinte lá estava no estúdio para tatuar um anjinho na perna. Queria saber o tamanho da dor que sentiria, por isso decidi fazer um desenho pequeno. A dor foi suportável e o resultado agradou tanto que passou a fazer pelo menos quatro por ano.
A sessão mais demorada foi de seis horas e o desenho era o espírito do dragão na parte superior do braço, que representa força. Aliás, a maioria das tatuagens de Márcia tem um significado. Muito mística, procura escolher desenhos com significados, e ela afirma que o símbolo atrai aquilo que representa. Além do dragão, tem uma carpa, que significa perseverança e uma coruja para sabedoria. Jamais escolhe um desenho por modismo. Todos são escolhidos de acordo com ciclos de sua vida. Um deles, o preferido de Márcia, é uma fênix, um pássaro que segundo a mitologia grega renasce das cinzas. Foi de um período em que perdeu alguém muito querido, e achou que a vida não tinha mais sentido. Mas conseguiu se reerguer graças ao apoio de amigos e quando viu a imagem sabia que era perfeita para ela.
As tatuagens mais recentes são quatro e foram feitas todas de uma vez só. São, um símbolo do infinito em forma de dragão, uma clave de sol no pulso, um olho de Hórus e uma gata egípcia. Márcia não se arrepende de nenhuma tatuagem que fez. Teve que cobrir um desenho que tinha em função de um maior que queria fazer, e não combinaria com o anterior. O local onde sentiu mais dor foi na costela.
O marido, Ricardo, despertou o gosto na esposa e por consequência também foi despertado por ela. O casal se programa para fazer as tatuagens. Separam por projetos os desenhos que mais gostam e fazem quando é possível. No geral fazem uma vez por ano, pois são doadores de sangue e esse é o prazo mínimo para poder doar após um procedimento de tatuagem.
Para Ricardo, os símbolos também são importantes e gosta muito dos tigres, pois representam perseverança, o que combina perfeitamente com sua personalidade um pouco autoritária. Queria um bem grande nas costas e só foi fazer quando veio morar em Pomerode. É natural de São Paulo e passou um período no Japão, ao chegar na cidade junto com a esposa foi procurar a tatuadora Lucy Lee, concretizou o desejo…e viciou. A preferida é a do samurai, que olha todo dia. Todas as tatuagens foram feitas com Lucy, que se tornou grande amiga do casal. Tatuador é como um médico, um dentista, é preciso depositar confiança, explica Ricardo.
O casal afirma que não sofre preconceito diretamente, mas Márcia é conhecida por loira tatuada. No trabalho não precisam esconder as tatuagens, mas as pessoas olham. Alguns com curiosidade outros com espanto. Márcia fala que as crianças se divertem, algumas acham que é figurinha e querem tocar.