Amor e arte
Tatuadora de Pomerode conta quais desenhos estão fazendo sucesso entre os que querem fazer a arte no corpo e diz que quem faz uma, costuma repetir a dose
Vicia!, foi a resposta que a tatuadora, Luciana (mais conhecida como Lucy Lee), deu ao ser questionada se a arte no corpo é algo, como diz na embalagem de um salgadinho, impossível de fazer uma só. E ela é prova viva disso. Perguntei o número de tatuagens que tinha e não soube responder. Perdi a conta de quantas são, disse enquanto ensaiava um cálculo mental. Tenho meia perna fechada, meio braço e mais outras tantas…parei de contar individualmente, agora conto a composição inteira. O marido Rogério, que também participou da entrevista, trabalha junto no estúdio Lucy Lee Tattoo, ela como tatuadora, ele como body piercing e também possuidor de composições inteiras de tatuagens. Ambos concordam que chega um momento, em que não tem mais como contar de maneira individual.
O casal é bastante ativo. Tocam o negócio há nove anos. Luciana nasceu artista, desenha e faz pinturas a óleo desde muito jovem. O gosto pela tatuagem também veio cedo. Fez a primeira aos 16 anos, com a permissão da mãe que por sinal escolheu o desenho. É um pegasus (cavalo com asas) na altura da nuca. Hoje ela não gosta mais porque fez por influência, queria mesmo um dragão que acabou sendo sua segunda tatuagem. Pela experiência, a artista não recomenda que ninguém se deixe influenciar na escolha do desenho, ao decidir fazer uma tatuagem. É importante ser uma imagem escolhida pela pessoa, que tenha um significado ou um apreço. Modismos passam e o risco de arrependimento é grande.
Mas maior ainda pode ser o arrependimento de quem escreve o nome de namorado. Não adianta, no momento da paixão a vontade é que dure para sempre, o que nem sempre acontece verdadeiramente. Por isso, Lucy tem algumas regras para tatuar nomes de namorados. Só faz o nome se os dois fizerem e avisa de antemão que não cobrirá o desenho caso alguém se arrependa. Desse modo a pessoa que quer correr o risco, pensará duas vezes antes de fazer.
Luciana começou a tatuar por causa do marido que lhe deu um kit de tatuagem de aniversário. A primeira tatuagem que fez foi nela mesma, uma cereja no antebraço. De todos os desenhos que possui, tem um apreço especial por um corvo que fez em homenagem ao filme homônimo (The Crow) estrelado pelo ator Brandon Lee. Aliás o sobrenome Lee vem do nome do ator, de quem Luciana é fã.
O público do estúdio fica na faixa etária de 18 a 30 anos em sua maioria, mas claro que existem outros casos, já tatuou cliente com 60 anos. As mulheres gostam muito de desenhos como flores e borboletas. Os homens gostam muito de tribais. Atualmente a procura por filtro de sonhos e o símbolo do infinito tem sido grande.
A artista faz algumas recomendações para quem quer fazer uma tatuagem. O ideal é procurar um tatuador de confiança, que não faça um trabalho mal feito e que siga regras da vigilância sanitária. Outro aspecto é o cuidado posterior a tatuagem. É preciso seguir os procedimentos específicos que o tatuador passa, para garantir uma boa cicatrização.