Geral

Dedicação em prol da Nação

Mostrar à população o verdadeiro valor das Forças Armadas Brasileiras, principalmente quando o assunto é a ocupação na Amazônia, em uma reportagem foto-jornalística.

1 de junho de 2015

Mostrar à população o verdadeiro valor das Forças Armadas Brasileiras, principalmente quando o assunto é a ocupação na Amazônia, em uma reportagem foto-jornalística. Este foi o assunto do Projeto Experimental em Comunicação realizado pelo acadêmico de jornalismo do Instituto Blumenauense de Ensino Superior, Rafael Lopes de Matos.Ele, que é Capitão-de-Fragata da Marinha do Brasil, esteve na Amazônia no mês de março, para a realização deste trabalho, vivenciando a rotina daqueles que trabalham e realizam a integração com a população local, uma vez que a maioria não possui nenhum tipo de contato com o mundo exterior. A observação presencial e cuidadosa, com suporte em recursos disponibilizados pela tecnologia, foi a metodologia utilizada para processar o registro foto-jornalístico da presença militar brasileira nos confins da Amazônia. Sem desprestigiar a contribuição do Exército Brasileiro e da Força Aérea Brasileira, o enfoque foi a missão da Marinha do Brasil no atendimento das tarefas que lhe são atribuídas para promover a segurança e integração do homem amazônico no contexto da sociedade nacional, ressalta o acadêmico.
Como aquela região é praticamente desprovida da ausência do Estado, em virtude de seu amplo território estar coberto por vegetação e ser protegido pelas leis ambientais, que proíbem a exploração, as comunidades que ali se estabeleceram e as populações nativas, possuem pouco ou quase nenhum contato com o mundo exterior. Aí é que entra o trabalho das Forças Armadas, que distribuem unidades militares nas comunidades, para atendê-las nas questões mais básicas, como saúde, educação e outros apoios logísticos. Como em muitos destes lugares, o acesso é feito somente via embarcações, as Forças Armadas, apesar de não ser a sua função constitucional levam um pouco de dignidade para essas pessoas. Por isso, resolvi, literalmente, embarcar nesta aventura e dar visibilidade à contribuição histórica das Forças Armadas na defesa e integração da Amazônia Ocidental brasileira. A Nação brasileira precisa saber como e por quem é feita a defesa e manutenção da soberania do país em uma região que compreende 25% do território nacional, com 25 mil quilômetros de rios navegáveis, 11 mil quilômetros de fronteiras terrestres e um espaço aéreo formado por quatro Estados, conta.
O comandante Matos ressalta ainda que, muitas vezes, o único contato dos nativos com o mundo exterior se dá pela presença das Forças Armadas. Os combatentes são treinados para realizar este tipo de tarefa e procuram não interferir na parte cultural destas populações. Dentre elas, está um grande número de etnias indígenas preservadas, cujo valor histórico, antropológico e cultural não encontram paralelo em nenhum outro lugar do mundo. Por isso, o cuidado para que não sofram quaisquer interferências do mundo externo.
Sua viagem durou 16 dias e destes, oito permaneceu embarcado no Navio de Assistência Hospitalar (NAsH) Soares de Meirelles (U-21), o mais novo do Comando da Flotilha do Amazonas, incorporado à Marinha Brasileira em 2010. Durante o seu trabalho, visitou a cidade de Novo Airão, cujo acesso se dá pelo Rio Negro. As imagens produzidas foram captadas durante a travessia entre Manaus e Novo Airão, tanto na ida quanto na volta. A execução dos exercícios entre navios, com aeronaves e com a tropa de fuzileiros navais permitiu a obtenção de imagens que materializavam as ações militares na proteção da Amazônia. Por outro lado, a operação de assistência médico-hospitalar junto à comunidade possibilitou o registro foto-jornalístico da presença militar na região, para a consecução da segurança e integração do homem amazônico, ressalta.
Matos destaca que há uma grande disparidade entre Manaus e o restante da Amazônia, visto que o desenvolvimento ficou restrito à capital do Amazonas, grande parte pelo surgimento da Zona Franca de Manaus, na década de 60. Aquela região tornou-se forte economicamente, tanto que, atualmente, existe cerca de 800 empresas multinacionais na Zona Franca. Mas este quadro não está presente no restante da Amazônia. As populações das pequenas cidades, como a própria Novo Airão, são submetidas às dificuldades impostas pela falta de saneamento básico, infraestrutura e outros benefícios como água tratada e energia elétrica de qualidade. Naquela cidade, por exemplo, a maioria das residências não possui fossa sanitária, a energia é produzida por gerador à diesel, a água encanada chega às residências sem nenhum tipo de tratamento e os esgotos correm à céu aberto. Por isso, devemos ter consciência do quanto é importante o trabalho das Forças Armadas no resgate da dignidade dos ribeirinhos.
Além dos registros fotográficos, o trabalho também se baseou em entrevistas, tanto com militares, quanto com os nativos da região. Dentre os entrevistados, estão o Vice-Almirante, Antônio Carlos Frade Carneiro, então Comandante do 9º Distrito Naval; Major-Brigadeiro do Ar, Marco Antônio Careballo Perez, Comandante do 7º Comando Aéreo Regional; e o General-de-Brigada, José Luiz Jaborandy Junior, Chefe do Estado-Maior do Comando Militar da Amazônia. Todos versaram sobre a atuação do Exército, Marinha e Aeronáutica em solo amazônico, sob diferentes aspectos.
As negociações para a realização do trabalho remonta o segundo semestre de 2012, e passaram por diversas etapas, com a autorização formal e definitiva feita pelo Ofício nº 06-34, de 30 de novembro de 2012, do Comando do 9º Distrito Naval. Foi uma alegria imensa, pois sei o quanto é valoroso o trabalho das Forças Armadas no território brasileiro. Por isso, não medi esforços para que este projeto experimental fosse realizado, o que me deu uma satisfação muito grande, ressaltou Matos.
A presença militar no Norte do país, principalmente na Região Amazônica, é de suma importância, pois devido às suas riquezas e biodiversidade, é alvo de interesses de pessoas e intituições cujos propósitos nem sempre estão muito claros. Como é uma área de fronteira, ela é muito ‘cobiçada e precisa estar protegida todo o instante. A colaboração destes abnegados fardados, que fazem o patrulhamento, terrestre, aéreo e fluvial, deve ser exaltada, uma vez que a maioria dos brasileiros nem sequer sonham o quanto a Floresta Amazônica é rica. Inclusive, foi descoberto recentemente, um reservatório de água maior do que o Aquífero Guarani, o que faz dele o maior do mundo. Portanto, a Amazônia deve ser, sempre, prioridade máxima em matéria de proteção e segurança, pondera. Matos acrescenta que, por este motivo, naquela região há pobreza, mas não miséria. Isto se dá pelo fato dos moradores terem a floresta à sua disposição, com tudo o que ela pode proporcionar.
Segundo o acadêmico, mesmo com a defasagem de homens, as Forças Armadas buscam fazer o trabalho da melhor forma possível, o que é muito valorizado no trabalho realizado por ele. O Exército possui 27 mil homens na região, número que poderia, tranquilamente, ser duplicado. A Aeronáutica conta com oito mil combatentes e a Marinha, apenas 2.700, que cobrem cerca de 25 mil km de hidrovias. Por isso, o respeito e a consideração que se deve devotar por aquela fração de militares que servem à Nação na Amazônia.
Rafael Lopes de Matos encerra seu trabalho, mostrando que a presença militar na região serve de alento para os moradores. Para compreender a dimensão das dificuldades enfrentadas pelo povo amazônico que ainda vive realidades nesse formato, em pleno século 21, tem-se que aprofundar nos mistérios das selvas da Amazônia, nos seus contos, nas suas lendas e na coragem do seu povo que a habita e lhe dá significado. Em se compreendendo um pouco da alma do povo amazônico, talvez seja possível compreender o significado da silhueta de um navio pintado de cinza que surge silencioso na curva do rio, trazendo no seu ventre a chama da esperança. Talvez seja possível compreender o significado de um avião ou helicóptero pousando em uma clareira perdida na selva, trazendo em suas asas o remédio e o conforto tão esperado. Talvez seja possível compreender o significado do suor misturado à lágrima que escorre no rosto do soldado que exulta na singeleza de poder servir a quem dele precisa. São esses abnegados fardados que fazem grande a Amazônia Ocidental brasileira. São esses abnegados fardados que a Nação brasileira precisa conhecer.

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