Mais que brincar, desenvolver-se
Dra. Francielle Tosatti alerta sobre a importância de brincar quando se é criança, além de incentivar a participação
familiar no desenvolvimento infantil
As atividades lúdicas são extremamente importantes no aprendizado das crianças, pois são atividades que buscam o desenvolvimento, estimulam a curiosidade, a autoconfiança e a autonomia. A partir de jogos, brinquedos e brincadeiras, a criança consegue criar, imaginar, fazer de conta, experimentar, aprender e se comunicar.
Para a médica pediatra, Dra. Francielle Tosatti, brincar é essencial. “O “brincar” é uma condição essencial ao desenvolvimento da criança. É brincando que a criança descobre que tem dois lados e que a mão pode segurar ou jogar! É assim, através do brincar, que a criança desenvolve habilidades importantes como atenção, memória e imaginação. A fantasia da brincadeira faz com que a criança experimente novos sentimentos, libere-se do medo e conheça o novo, funciona como um treino para a vida adulta. É através da brincadeira que a criança aprende o que pode e o que não pode. Nesse contexto, os brinquedos e os jogos funcionam como uma ponte, entre o real e o imaginário”, destaca.
Uma dúvida que pode surgir aos pais é a questão “escolher a melhor opção”. No mundo atual, existem diversos tipos de brinquedos, brincadeiras e opções quando o assunto é brincar. Desta forma, a pediatra alerta e questiona. “Um dos principais norteadores na escolha do brinquedo é que ele seja seguro. O brinquedo deve ter o certificado do Inmetro, isso significa que foi testado e não possui materiais tóxicos, pontas, peças cortantes ou de fácil remoção. Uma boa maneira de acertar na escolha é questionando: “Quais as possibilidade que esse brinquedo traz para a criança criar?” Hoje, os brinquedos trazem tudo pronto: personagem, cenário e história pré-estabelecida, não deixam espaço para a criança usar a criatividade. Aposte na simplicidade! Veja se com esse brinquedo a criança pode montar, desmontar, colorir, fazer sons, treinar equilíbrio, inventar histórias. O melhor brinquedo é aquele que é um convite a brincadeira e não a brincadeira em si”, afirma.
No entanto, nem só de brinquedos vive uma criança. E engana-se quem pensa que compra-los vá suprir a necessidade da convivência familiar. Sendo assim, incentivar o seu filho é fundamental. “A melhor maneira de um pai estimular seu filho, no dia a dia, é estar presente, envolver-se. Imersos nas rotinas de trabalho, muitos pais encontram nos games e brinquedos uma forma de compensar a sua ausência. Ilusão. Não há brinquedo no mundo, por mais tecnológico, educacional ou recreativo que seja, que substitua a presença dos pais na brincadeira. Apenas uma hora do seu dia com seu filho e um pedaço de papel em branco ou uma caixa de sapato pode criar mundos no universo dele”, completa.
E, o mais importante a ser lembrado é: criança deve ser criança. “O marketing, os produtos e os comerciais estão afetando cada vez mais o desenvolvimento das crianças. Obesidade infantil, estresse familiar e a adultização da infância crescem na mesma velocidade que as brincadeiras antigas são deixadas de lado, substituídas pela tecnologia e pela segurança de ter o filho em casa. Mas a criança…ela precisa ser criança! Precisa brincar ao ar livre, correr, cair e ralar o joelho, isso é um verdadeiro aprendizado! É assim que se aprende limites e obediência. A criança precisa brincar de pega-pega e esconde-esconde, amarelinha, andar de balanço na praça e interagir com outras crianças. Nesse dia das crianças, ensine uma brincadeira da sua infância ao seu filho”, finaliza Dra. Francielle.