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Construindo sonhos

A partir desta edição, durante o mês de maio, o Jornal de Pomerode vai publicar a Série Profissões, falando sobre a mão-de-obra existente em nosso município, além de curiosidades sobre algumas destas profissões, que fomentam a economia pomerodense. Abrindo a série de reportagens, falaremos sobre um dos primeiros ofícios surgidos no mundo: o de pedreiro.

1 de junho de 2015

A partir desta edição, durante o mês de maio, o Jornal de Pomerode vai publicar a Série Profissões, falando sobre a mão-de-obra existente em nosso município, além de curiosidades sobre algumas destas profissões, que fomentam a economia pomerodense.Abrindo a série de reportagens, falaremos sobre um dos primeiros ofícios surgidos no mundo: o de pedreiro. Na antiguidade, principalmente no mundo árabe, chamava-se alvanel aquele que levantava alvenarias de pedras, tijolos ou outros materiais.
A denominação pedreiro vem do latim petrarium, relativo às pedras. Trata-se do oficial que trabalha elevando paredes em pedras, tijolos ou outros materiais como o concreto na modernidade. O termo pedreiro-de-mão-cheia refere-se ao oficial que executava paredes de taipa-de-mão ou de sebe (casa de taipa), enchendo com as mãos nuas os trançados de pau a pique com o barro. Hoje, esta expressão denomina aqueles que realizam seus afazeres de maneira adequada, com profissionalismo e responsabilidade.
Um destes pedreiros-de-mão-cheia conversou com a reportagem do Jornal de Pomerode. Trata-se do gasparense Altair Sidnei de Oliveira, o popular Baixo. Dos seus 37 anos de vida, há 24 trabalha entre tijolos, cimento, areia e ferro, o que lhe dá muita propriedade para falar de suas experiências e de suas perspectivas para a profissão, no futuro.
Baixo começou no ofício aos 14 anos e, diferentemente de muitos, não foi influenciado por ninguém. Naquela época, parei de estudar e, para não ficar parado, comecei como servente de pedreiro. Quem me ensinou a trabalhar foi o sr. Mário Laurentino. Atuei como servente durante quatro anos, a partir daí, comecei efetivamente como pedreiro, profissão a qual atuo até hoje, com muito orgulho.
Com o conhecimento que adquiriu, Baixo garante que pode realizar qualquer serviço em uma obra, do fundamento ao acabamento. Eu procurei sempre prestar atenção nos outros, para buscar o conhecimento. Agindo assim, consegui aprender a fazer de tudo em uma obra. Eu procuro trabalhar com muito zelo e dedicação, para que os meus clientes fiquem satisfeitos com o serviço. Infelizmente, há muitos que não pensam assim, pensando somente no dinheiro que vão ganhar. Claro, receber é consequência do seu trabalho, mas ele tem que ser bem feito, ressalta.
Com certeza, trabalhar de sol a sol não é para qualquer um, por isso o pedreiro diz que a profissão pode estar com seus dias contados. Infelizmente, os jovens de hoje em dia não querem mais saber de trabalhar no pesado. Apesar de ser bem remunerada, a profissão pode acabar, no futuro, uma vez que há a falta de mão-de-obra especializada. Mas me sinto realizado sendo pedreiro, não me vejo fazendo outra coisa. Neste meio tempo, cheguei a trabalhar em uma fábrica, mas não deu muito certo. Se fosse só pelo dinheiro e se eu não gostasse, com certeza, buscaria outra coisa para fazer, diz.
Esta dedicação não é abalada, nem nos momentos difíceis. Devido ao esforço repetitivo, o profissional teve alguns problemas no tendão do braço e no ombro. No caso do braço, tive que fazer 20 sessões de fisioterapia para melhorar. Já no ombro, foram 10. Fora as outras dificuldades, como trabalhar no sol durante o verão. Se eu não fosse tão apaixonado pelo que faço, com certeza já teria desistido.
Morando em Pomerode há 10 anos, Baixo diz que o começo, como sempre, foi difícil, uma vez que precisava se estabelecer na Cidade Mais Alemã do Brasil. Durante uns oito anos, eu cheguei a trabalhar de segunda a segunda, para que o sustento da minha família fosse garantido. Hoje em dia, meu ritmo diminuiu, mas ainda cumpro as minhas 10 horas diárias de trabalho.
Nada nessa vida se consegue sozinho, nem mesmo neste ofício, pois um bom pedreiro precisa ter ao seu lado um bom servente, que é aquele quem o auxilia. Por isso, a sintonia entre os dois precisa ser perfeita. O sucesso de uma profissão é o trabalho em parceria. Um bom servente faz com que a obra avance, sem qualquer tipo de contratempo. Eu procuro trabalhar com pessoas responsáveis ao meu lado, que garantam o bom andamento da construção, com qualidade e segurança. Isso é primordial no resultado final, ressalta Baixo.
Quero continuar contribuindo para a construção de Pomerode. Muitas obras já passaram pelas minhas mãos e, tenho certeza, que outras mais virão. Quando se trabalha com paixão, o resultado aparece. E na minha profissão, não é diferente. De tijolo em tijolo, vou garantindo o sustento da minha família e fazendo do meu dia-a-dia, algo que valha a pena, finaliza.

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