Pomerodenses comentam beijo gay de “Amor à Vida”
Durante o último capítulo da novela Amor à Vida, o beijo entre os personagens Félix (Mateus Solano) e Niko (Thiago Fragoso), dividiu a opinião da audiência brasileira. Há quem tenha considerado um ato de liberdade de expressão e quem ainda tenha considerado um ato de repúdio. Uma enquete realizada pelo JP para saber o que os pomerodense pensam sobre o assunto evidenciou essa divisão.
Na sexta-feira, 31 de janeiro, durante o último capítulo da novela Amor à Vida, o beijo entre os personagens Félix (Mateus Solano) e Niko (Thiago Fragoso), dividiu a opinião da audiência brasileira. Há quem tenha considerado um ato de liberdade de expressão e quem ainda tenha considerado um ato de repúdio.
Uma enquete realizada pelo JP para saber o que os pomerodense pensam sobre o assunto evidenciou essa divisão. Alguns acreditam que este seja um salto dado pela emissora para questionar o preconceito, afinal o tema já foi pauta de outras novelas que no final decepcionaram por banirem o beijo. Para usuária do Facebook, Ivete da Silva, a emissora usou o seu poder para conscientizar as pessoas, Pessoas preconceituosas, acabam dando o aval para crimes contra os homossexuais. A orientação sexual nada tem a ver com doença. São pessoas, humanos, filhos do nosso mesmo pai e portanto nossos irmãos. A internauta, Márcia Lima, não considera como preconceito o fato de algumas pessoas não aceitarem o homossexualismo Aceitar ou não é uma opção. Assim como a opção de se tornar homossexual. A mídia mostra o que o povo quer ver, o que dá Ibope. Temos que ter bom senso em diferenciar o que é bom ou ruim para nossa vida e respeitar o próximo e suas escolhas, pois o certo e o errado só Deus pode julgar.
Alvaro Araújo acredita que a população brasileira não superou o preconceito e não acredita que a Rede Globo tenha sido ousada ao veicular o beijo. Temos milhares de tabus que poderiam ser quebrados. A Globo poderia mostrar o rico trabalhando duro para manter seus padrões, o racismo contra o negro, a crueldade entre patroas e empregadas, sobre a importância do voto. Essas coisas a gente não vê na TV. Já Denis J. Alves acredita que o último capítulo foi bastante ousado. Isso só mostrou que ainda não superamos o preconceito. Basta ver as reações. Ianna Rocha concorda, O Brasil não superou o preconceito. O que é isso? Os tempos mudaram. Não devemos julgar ninguém seja pela cor de pele sexualidade. Somos todos seres humanos, temos o direito à liberdade e merecemos respeito. Eu já sofri preconceito por ser nordestina, mas amo Pomerode e daqui não saio.
Em entrevista à Veja São Paulo, o autor, Walcyr Carrasco, afirma que a novela buscava pluralidade e que, não apenas o beijo gay foi mostrado, mas outros núcleos falando sobre relações familiares Nesse final, mostrei desde a criança evangélica sendo apresentada à comunidade até o beijo gay. Estamos numa democracia e todos têm que aprender a conviver e têm o direito de ser quem são. A novela é um avanço em termos de colocar questões sociais, como beijo gay. O capítulo final colocou várias situações de família: a evangélica (Gina e Elias), a tradicional (Paloma e Bruno), a moderna (Michel, Patrícia, Guto e Sílvia). Coloquei os gays numa situação familiar com filhos indo para escola, Félix cuidando do pai doente. Dentro desse contexto, cabia o beijo. Minha única orientação foi que eles dessem um beijo de amor. Escrevi a cena que quis. Optei por uma sequência cotidiana comum em muitos lares, afinal, fiz uma novela sobre família. Eu estou muito feliz que o beijo entre Félix e Niko aconteceu. Foi um avanço em termo de direitos humanos e por mostrar que as famílias são diferentes, mas são famílias., explica o autor.