?Meu Deus. Ajuda-me para que eu consiga captar recursos para ajudar estas famílias?
Com olheiras e marcas de expressão no rosto que denunciavam as noites passadas em claro, o Prefeito Paulo Pizzolatti atendeu a redação do Jornal de Pomerode em seu gabinete, na primeira hora da manhã de segunda-feira. A retrospectiva dos últimos acontecimentos foi feita através de um relato emocionado. “No momento…
Com olheiras e marcas de expressão no rosto que denunciavam as noites passadas em claro, o Prefeito Paulo Pizzolatti atendeu a redação do Jornal de Pomerode em seu gabinete, na primeira hora da manhã de segunda-feira. A retrospectiva dos últimos acontecimentos foi feita através de um relato emocionado. “No momento da inundação, quando acompanhávamos a elevação do nível do rio, já tínhamos ideia do que enfrentaríamos. Nossa primeira preocupação foi trabalhar no resgate de famílias. Foi dramático. Pessoas ilhadas em suas casas, na parte superior de móveis, desesperadas com medo de morrer afogadas. Tivemos juntamente com os bombeiros, que arrombar residências. Crianças foram resgatadas de barcos, caíram nas correntezas, sendo salvas pelos bombeiros que utilizaram cordas”.
Estudantes passando as noites em ônibus, famílias que tiveram que entrar nas águas para chegar em suas casas, bens materiais adquiridos ao longo de vidas inteiras perdidos de uma hora para outra, foram algumas situações apontadas pelo prefeito. “Neste momento atuei como prefeito e como médico. Duas coisas não saiam da minha cabeça, os atendimentos as pessoas que precisavam ser medicadas e que eu atendi, além da questão dos recursos para reconstruir a cidade. Pensava: Meu Deus. Ajuda-me para que eu consiga captar recursos para ajudar estas famílias”.
Conta que uma das primeiras ações foi preparar uma equipe para auxiliar a Defesa Civil do município. “Tínhamos que montar uma estrutura para minimizar os problemas e danos que estavam sendo registrados. Famílias se arriscaram, colocaram em risco suas vidas na tentativa desesperada de salvar poucos objetos, de tentar preservar os bens materiais. Cada desolação que eu constatava nas pessoas doía também em mim”.
Paulo Pizzolatti ressalta que não menos importantes foram os prejuízos materiais sofridos pelas empresas, que tiveram grande parte de seus parques fabris comprometidos. “Na manhã de sábado, nas primeiras vistorias que realizei, não acreditava no que estava vendo, não reconhecia nossa cidade, que estava descaracterizada em decorrência da lama, dos entulhos empilhados nas calçadas, da sujeira que estava em nossas ruas. O abastecimento de energia elétrica e de água estava comprometido em algumas localidades. Temos uma equipe limitada, mas iniciamos o atendimento logo na madrugada, tínhamos que liberar o trânsito em alguns pontos críticos para garantir o acesso da comunidade”.
O prefeito solicitou ainda que a população tenha paciência na reconstrução da cidade, já que não depende unicamente do Executivo obter recursos para a realização de obras. “Oficialmente tivemos apenas a liberação de R$ 50 mil. Esse valor é mínimo. Falamos em prejuízos de R$ 6 milhões. Isso apenas tratando-se de bens materiais públicos. Se somarmos os prejuízos de particulares, este valor passa a ser incalculável. Estamos agendando uma audiência em Brasília para tentarmos sensibilizar o Governo Federal. No momento só tivemos manifestações de solidariedade, de recursos ainda nada”.
O chefe do Executivo disse que mesmo com a dificuldade de obter recursos, Pomerode não se eximirá das responsabilidades. “Precisamos de uma contrapartida, de uma melhor distribuição de recursos, para reestabelecer a nossa cidade. Não posso hoje prever quanto tempo demoraremos para reconstruir a cidade, não depende só de nós”.
Com relação aos aterramentos, Paulo Pizzolatti relata que o município já estava se resguardando desta prática e que estavam suspensos por tempo indeterminável. “Temos que nos preocupar novamente com o desassoreamento de nossos rios”.
“Tentaremos a liberação do fundo de garantia, mas acredito que não seja fácil em decorrência de já ter sido liberado pelo Governo Federal há dois anos, em novembro de 2008. Mas as providências legais para a solicitação já foram tomadas. Assinei agora pela manhã um Decreto de Lei para retardar os vencimentos das parcelas do IPTU. Adiamos para o dia 15/04 o vencimento da primeira parcela e do pagamento único, com desconto. Buscaremos também forma de financiamentos, de obtenção de crédito para que as empresas e famílias tenham como se reerguer, para que possam conseguir, ao menos, recomeçar”, relata o prefeito.
“Na manhã de sábado, nas primeiras vistorias que realizei, não acreditava no que estava vendo, não reconhecia nossa cidade, que estava descaracterizada em decorrência da lama, dos entulhos empilhados nas calçadas, da sujeira que estava em nossas ruas.”