Uma trajetória de paixão pelo hospital
O laboratório ainda é o mesmo, embora atualmente conte com alguns equipamentos mais sofisticados e alguns funcionários a mais. Mas as lembranças são eternas, e moram no coração do Sr. Vilson Sandrini, responsável pelo laboratório de análises clínicas há cerca de 45 anos. Sandrini chegou um ano após a Schwester…
O laboratório ainda é o mesmo, embora atualmente conte com alguns equipamentos mais sofisticados e alguns funcionários a mais. Mas as lembranças são eternas, e moram no coração do Sr. Vilson Sandrini, responsável pelo laboratório de análises clínicas há cerca de 45 anos.
Sandrini chegou um ano após a Schwester Anita ao HMRT. Teve a oportunidade de conhecer Pomerode a convite do ex-prefeito, mas o bioquímico foi recusado no início, segundo ele, por um desentendimento religioso. ?Eles acharam que eu era enviado de uma entidade católica, ai não fui bem recebido, devido a inimizade que já existia entre as duas religiões, oriunda de um desentendimento recente entre as duas igrejas?.
Retornou algum tempo depois, a convite da própria Anita, que anos mais tarde, se tornou uma mãe e amiga de Vilson. ?Eu fui embora, montei um laboratório em Balneário Camboriú, dois meses depois me chamaram. Perguntaram se eu queria, e eu disse que sim. A Schwester Anita informou que outros vieram procurar a vaga, mas ela me queria, e então eu voltei?, lembrou. No retorno, conta que foi recebido muito bem, após o esclarecimento a cerca da contratação.
Entre todas as histórias vividas no local, ele se recorda das muitas vezes que precisou passar 24horas diretas no hospital, pois não tinha substitutos. ?O doutor Horst Wilhelm tinha acabado de chegar. Às vezes ele saia, entrava em férias, eu ficava sozinho e acabava dando um atendimento superficial aos pacientes, porque não tinha nenhum outro médico disponível, só eu e ele?.
Os primeiros anos vividos nas dependências do HMRT não foram fáceis, recorda. ?Quase todos os tijolos que foram colocados a gente observou. Desde o começo também tinha a falta de dinheiro, que quando vinha, normalmente chegava de pedidos do pastor à Alemanha. Dificilmente as pessoas pagavam os atendimentos e o dinheiro era só o que pedíamos ou arrecadado com festas e doações?. Ele recorda que as obras do início da construção do HMRT eram sempre de dinheiro arrecadado, para ele, elas poderiam ser chamadas de ?obras de caridade?.
Não existiam feriados nem datas comemorativas nesse período. Segundo Vilson, a vida de todos que trabalhavam no hospital era exclusiva do mesmo. ?Trabalhávamos 24 horas por dia, porque não tinha ninguém para cobrir nossa ausência. Não tinha carnaval, ano novo, nada, se tinha paciente, tínhamos que ficar aqui?. Mas as coisas melhoraram, segundo ele, já que os aparelhos mais modernos, encontrados na atualidade, contribuem para o andamento mais rápido dos casos.
Emocionado, Sandrini também lamenta as principais dificuldades que o hospital vivenciou. ?A época mais difícil foi o começo. Não tínhamos dinheiro para muita coisa, até a medicação era controlada, não podíamos dar em abundância, pois não dispúnhamos de dinheiro a toda hora?. Segundo ele, antigamente não recebia nada para ficar de plantão. O sobreaviso também não era pago, e nenhum paciente pagava pelos serviços nas madrugadas ou finais de semana.
O que chama a atenção de Sandrini, também é o reconhecimento da população pomerodense. ?Eu já atendi os pais, avós, eles próprios no laboratório, e as pessoas veem isso, acredito que elas gostam de mim?.
Para ele, viver sem aquele local, não teria mais sentido. ?Se hoje o hospital fechasse, a população toda iria sofrer, os primeiros atendimentos teriam que ser feitos e Blumenau, e muitos não resistiriam. Além disso, só de pensar que nenhum pomerodense voltaria a nascer aqui, ficaríamos muito triste?.