Volta à normalidade
Superada a enchente, a vida volta ao normal no Pommerheim graças
à solidariedade.
Os momentos que eles passaram há pouco mais de dois meses nunca serão esquecidos, mas a apreensão hoje dá vez aos sorrisos estampados nos rostos dos 42 idosos que vivem na Centro de Convivência Pommerheim e volta a viver a rotina normal de antes da enchente.
Porém, mesmo que tenha passado por esse período de tempestade, literalmente, a bonança sempre passa às margens do abrigo. Por isso toda e qualquer ajuda é sempre bem-vinda.
Foi justamente essa ajuda, que veio até mesmo de cidades vizinhas, que possibilitou o Pommerheim renascer e retomar suas atividades na casa 30 dias depois e hoje estar com sua plenitude no atendimento aos seus preciosos hóspedes. Isso porque na enchente de 10 de março deste ano, eles ficaram ilhados. A água invadiu as dependências, atingindo aproximadamente um metro.
O socorro não foi imediato, até porque, os próprios administradores e voluntários estavam também ilhados em outros pontos da cidade e eles precisaram ficar na varanda e nas salas da parte administrativa, único local que não foi atingido. O impacto psicológico nesses idosos podia ter sido muito maior, pois ficaram quase um mês abrigados na Paróquia São Ludgero (da Igreja Católica), no Centro, de forma improvisada e sem uma certeza de quando iriam retornar para o Pommerheim. Porém, foi graças aos trabalhos da psicóloga que eles conseguiram compreender a necessidade de deixar o local e superar esse período de improviso. “Eles perguntavam o tempo inteiro, quando iriam voltar. Não foi fácil dormir em colchões e ainda ter disponível apenas dois banheiros, um feminino e outro masculino”, conta a administradora do Centro de Convivência, Elisa Francener.
Elisa recorda que para diminuir a ansiedade deles eram mostrados vídeos de como estava o andamento das reformas e assim conseguiam passar tranquilidade para eles. “Não foi fácil porque eles ficaram com medo de chuva. Quando ainda estavam na igreja abrigados, qualquer chuva eles pensavam que iria alagar lá também”, recordou a administradora.
Depois que a água abaixou, foi a hora de contabilizar os estragos e segundo o diretor da casa, Fred Zibell, ainda não se tem todo o prejuízo calculado, pois há reparos a fazer e equipamentos a ser comprados para repor os que foram danificados pela tragédia. “As portas ainda faltam ser trocadas, assim como também precisamos comprar as cadeiras de rodas, mas deve chegar a uns R$ 250 mil de prejuízo”, comentou Fred, sobre algumas das necessidades que a casa ainda tem para recuperar tudo que a chuva estragou.
Outro setor da casa bastante atingido foi a cozinha, que precisará ganhar novos móveis, porém nesse caso respeitando as exigências da vigilância sanitária. Para tanto há projeto tramitando, para a obtenção dos recursos necessários. Outro fator importante, para a superação do trauma que foi ver o lar deles alagado, foi organizar um retorno harmonioso. “Fizemos um café e os voluntários enfeitaram as dependências. Tudo para eles ficarem menos confusos já que houve mudanças de quartos. Porém, era visível a felicidade deles pelo retorno”, relembra Elisa, destacando, que o tratamento psicológico foi contínuo.
Solidariedade
A recuperação, como já foi dito, só foi possível graças à solidariedade do povo pomerodense, da classe empresarial, de amigos de outra cidades e do poder público. “Não podemos reclamar. Nunca tínhamos passado por isso antes e vimos que um grande número de pessoas da cidade abraçaram a causa e nos ajudaram. Até mesmo, pessoas jurídicas e físicas de cidades vizinhas não e furtaram ao auxílio”, diz de forma agradecida o diretor Fred.
Até hoje ações vem sendo feitas para ajudar a casa nesta recuperação. No sábado, 14/05, foi realizado um café para arrecadar fundos para o Pommerheim. O sucesso foi grande e muita gente prestigiou o evento. No mesmo dia a casa recebeu uma grande quantidade de mantimentos doados por alunos da FURB, que fizeram uma gincana e conseguiram dois itens que os idosos mais precisavam: meias e fraldas.
Quem também realizou um evento para angariar doações para o Pommerheim, foi a danceteria Momma, que reuniu diversas bandas, que abriram mão do cachê em prol da causa. A juventude aderiu ao apelo do proprietário da casa e foi um sucesso o evento que trocou a entrada por alimentos não perecíveis destinados ao abrigo.
Inclusive, a administradora ressalta que neste momento a casa não está precisando de alimentos não perecíveis, pois os estoques estão cheios, tamanha tem sido a ajuda de todos. Porém, fraldas, água de coco, curativos e luvas são coisas que sempre há necessidade e quem quiser doar basta procurar a casa.
Outra carência da casa hoje é uma nova máquina de lavar. Ela será usada exclusivamente para material de cozinha, como panos de louça e toalhas. “A que tínhamos estragou com a chuva e hoje ainda temos essa necessidade”, destacou Elisa, que também lembrou das luzes de emergência, que aguardam alguma doação ou recursos para comprá-las.
Projetos
Segundo Fred Zibell, há diversos projetos tramitando nas esferas, municipal, estadual e federal. Eles tratam da humanização da Casa de Convivência e de implantação de novos serviços, que irão melhorar a qualidade de vida dos idosos que estão ali internados. “São projetos que visam promover melhoras no jardim, ter implantada ortoterapia, petterapia e equipamentos de fisioterapia”, destacou. Além disso, a intenção da instituição é desenvolver um projeto de aproximadamente R$ 300 mil, para fazer cozinha e refeitório novos.
Plano de ação
A experiência de como agir nestas situações adversas os administradores adquiriram, porém caso haja uma nova enchente como a de março, não será possível fazer nada diferente. Principalmente porque ações preventivas exigem investimentos altos, hoje de difícil acesso para o Pommerheim. Um exemplo seria ter um sistema de esgoto e de bombeamento da água, para evitar a inundação. Porém, isso iria demandar altos investimentos. Entretanto, algo mais viável é pensado pela direção. “Temos vontade de fazer um muro de contenção para evitar a entrada da água”, revelou Fred, que afirma que ninguém está preparado para algo como o que aconteceu há dois meses. “Não existe um plano de evacuação, se acontecer novamente teremos que levar os idosos para onde não foi atingido, a exemplo da igreja. Mas o bom é rezarmos para que não aconteça de novo”, enfatizou Fred.
Melhorias
Durante a reforma foi preciso pintar as paredes, recuperar eletrodomésticos e utensílios que foram destruídos pela água que invadiu o abrigo. Porém, há males que vem para o bem. Pois, todos os quartos que antes tinham mobiliário distinto em cada leito, agora estão sendo substituídos por kits, de cama hospitalar, armário e poltrona, todos padronizados. A geladeira, que quando foi encontrada estava tombada e estragada, foi substituída por uma nova e mais moderna.