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Prontos para navegar

“Ô, marinheiro, marinheiro. Marinheiro só. Ô, quem te ensinou a nadar? Marinheiro só. Ou foi o tombo do navio? Marinheiro só. Ou foi o balanço do mar? Marinheiro só.” Esses versos de Caetano Veloso se encaixam muito bem para justificar a doação recebida pelo Corpo de Bombeiros Voluntários de Pomerode….

4 de junho de 2011

“Ô, marinheiro, marinheiro. Marinheiro só. Ô, quem te ensinou a nadar? Marinheiro só. Ou foi o tombo do navio? Marinheiro só. Ou foi o balanço do mar? Marinheiro só.” Esses versos de Caetano Veloso se encaixam muito bem para justificar a doação recebida pelo Corpo de Bombeiros Voluntários de Pomerode. Apesar de não ser um tombo do navio, propriamente dito foi a adversidade enfrentada por pai e filho, bombeiros voluntários, durante a enchente de março deste ano, que fizeram Ademir Krahn, o pai e Marcos César Krahn, o filho, construírem um barco e doarem para a corporação da qual fazem parte.
Os dois durante a enchente precisaram improvisar móveis como boias ou balsas para salvar pessoas que tiveram suas casas atingidas pelas águas da chuva. Situações extremas que poderiam ser resolvidas com mais eficiência caso os mesmos tivessem os equipamentos adequados para o resgate.
Passado os momentos de tensão cada voluntário resolveu ajudar de alguma forma. Como a corporação teve muitos bens destruídos cada um foi fazendo a sua parte.
Geladeira, fogão, sofá, computadores foram alguns dos equipamentos recebidos, mas para Marcos, a sua contribuição deveria ser algo que possibilitasse uma melhor resposta caso um episódio como o de março volte a acontecer.
Mas como fazer um barco, se ele trabalha como analista de controladoria na Bosch Rexroth e seu pai lidera a solda na empresa Andritz? Simples. Era necessário saber apenas o tipo de madeira e como manuseá-las para ter um resultado final positivo, como garante o pai. A inspiração não veio do famoso espinafre do marinheiro Popeye e sim dos tempos que Ademir ajudava o pai na marcenaria e de ver outros familiares atuando no ramo.
Um mês depois estava lá o transporte náutico que irá contribuir para o resgate de vítimas. Ele tem capacidade para dois socorristas e mais duas vítimas; mede 3,5 metros e custou aproximadamente R$ 500. Caso fossem comprar um igual, o Corpo de Bombeiros precisaria desembolsar entre R$ 1.500 e R$ 2 mil. Mas com a boa vontade e empenho desses voluntários, a economia foi feita e a corporação ganhou um reforço importante.
O material usado é o apropriado, compensado naval revestido de fibra de vidro e o teste do equipamento foi feito na lagoa do Pavilhão da Festa Pomerana. A doação foi motivo de brincadeiras saudáveis dos colegas, que apelidaram a embarcação de Titanic, mas Ademir garante que como aqui não tem gelo, não há nada para atrapalhar. “Fizemos isso para nunca mais passarmos por uma situação como a que o Marcos vivenciou. Ele precisou retirar uma senhora inconsciente de uma casa, a nado com ela sob uma escada. Agora os pomerodenses poderão ser resgatados com mais segurança”, disse Ademir.

Outros planos
Parece que Ademir e Marcos gostaram do ofício de construtores de barco. Tanto que já têm planejado mais duas embarcações, um veleiro e uma lancha a motor para servir de lazer nos fins de semana na praia.

Preparação
A doação foi muito importante e destacada pelo comandante da corporação Vilmar Volkmann. “Em situação das águas subirem muito rápido teremos um maior poder de resposta com essa embarcação”, garante o comandante.
Vilmar reforça que agora será feito um treinamento com os voluntários, de modo que todos estejam aptos e preparados para usar o barco caso necessário. “Vou programar um curso de resgate no Rio Itajaí-Açu, com a equipe de Indaial para que todos possam atuar com segurança. Assim, só tenho a agradecer esse dois que procuraram o conhecimento para desenvolver esse barco e doá-lo para ajudar a comunidade”, destacou.

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