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De Pomerode para o Complexo do Alemão

Thiago Dias é um jovem de 20 anos, pomerodense, que acaba de retornar de uma missão incrível. Ele, com outros militares do 23º Batalhão de Infantaria de Blumenau, ficaram durante três meses no Complexo de Favelas do Alemão, no Rio de Janeiro. Tomada pelas forças armadas e policiais no final…

5 de setembro de 2011

Thiago Dias é um jovem de 20 anos, pomerodense, que acaba de retornar de uma missão incrível. Ele, com outros militares do 23º Batalhão de Infantaria de Blumenau, ficaram durante três meses no Complexo de Favelas do Alemão, no Rio de Janeiro.
Tomada pelas forças armadas e policiais no final do ano passado, hoje a localidade segue com a presença do Exército para a manutenção da ordem e impedir que o poder paralelo do tráfico de drogas retome o domínio sobre aquela comunidade.
Foi justamente isso que Thiago e seus companheiros foram fazer em uma “terra de alemão”, onde todos hoje se respeitam, porém pelo medo e não por uma simpatia pelas forças de ocupação.
Voluntário para todas as missões do Exército, Thiago, conta que desde que se alistou soube que esse era seu destino e vocação, e mesmo não tendo sido selecionado para embarcar nas forças de paz do Haiti, não desanimou e se manteve pronto para uma nova oportunidade.
Ela chegou, e foi em um território que vendo pela TV poderia ser ainda mais hostil que o que encontraria na ilha caribenha.
Isso mesmo, apesar de pacificada e com as forças armadas agindo em conjunto com a Polícia Militar no interior das favelas que compõem o Complexo, a desconfiança é muito grande e o tráfico de drogas não deixou de exercer seu papel dentro daquela comunidade.
Thiago conta que patrulhando os becos e alguns pontos estratégicos da favela é possível ver muitos suspeitos, mas a postura desses mudou, como explicou o soldado que esteve na localidade e trabalhou no processo de pacificação da favela. “Quando fazemos blitz e entramos nos becos é possível reconhecer quem está de malandragem na rua. Os bandidos ainda estão ali, mas como não querem se incomodar não entram mais em conflito com a PM e muito menos com o Exército”, revelou o pomerodense.
Thiago conta que o medo ainda impera e aqueles que aprovam a ocupação do Estado na comunidade, mostram esse contentamento de maneira bem tímida, pois ainda temem represálias. “Sabemos que os bandidos estão ali, mas nem sempre temos provas para prendê-los. Mas é fácil perceber, pois quando chegamos eles começam a se comunicar pelo rádio comunicador. Nem sempre conseguimos comprovar a atividade ilícita e sem isso nada podemos fazer, a não ser inibir a movimentação deles”, contou Thiago.
Segundo Thiago, durante o período que esteve no Complexo de Alemão, não foi preciso usar a força de maneira mais contundente. Conforme contou, apenas balas de borracha foram disparadas para intimidar suspeitos, mas destacou que o objetivo dos militares é se aproximar e se entrosar com a comunidade, ganhando assim a confiança da população, e não serem repressivos. “As crianças foram as primeiras a se aproximarem. Alguns ainda têm medo, mas o mais engraçado são os bêbados, que vêm nos abraçar e nos cumprimentar. Isso acontece mesmo perto daqueles que eles sabem que tem envolvimento com o tráfico”, disse achando graça da situação.
Para Thiago, todo esse tempo que ficou na comunidade foi uma experiência única e que lhe ensinou muita coisa. “É difícil descrever, mas é certo que temos que estar preparados psicológica e moralmente para uma operação dessas. Lá nos deparamos com briga de casal e que temos que intervir de maneira segura”, recordou a experiência.
Além de Thiago estavam no mesmo grupo, militares de Blumenau, Florianópolis, Criciúma e Tubarão, e todos retornaram no dia 21/08, sendo substituído pela Brigada Paraquedista do Rio de Janeiro, que ficará até outubro quando será instalada uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP).

Turista
Além de policiar as favelas do Complexo do Alemão, Thiago aproveitou a sua primeira visita a Cidade Maravilhosa para conhecer os pontos turísticos mais famosos da capital do Rio de Janeiro. O soldado, nos momentos de folga, foi ao Cristo Redentor, em Copacabana e conheceu o shopping Rio Sul, um dos mais tradicionais da cidade, que fica situado em Botafogo, na Zona Sul. O militar por pouco não participou do Desafio da Paz, prova de atletismo que aconteceu em maio no Complexo do Alemão. “Eu iria correr essa prova, mas no dia acabei ficando de serviço e não participei”, lembrou o pomerodense.

Próximos passos
Thiago está de volta ao 23º BPI e agora aguarda ser chamado para uma nova missão, que deve acontecer no final de setembro. Pelo menos é o que espera o soldado. “Pode ser que vá para o Mato Grosso para realizar operações nas fronteiras, mas isso ainda não está definido”, disse o soldado que sempre é voluntário para essas missões e sonha em 2012, ir ainda mais longe. “Desde pequeno via filmes e tinha a vontade de ser militar. Quando meu irmão serviu o Exército e o via voltando para casa de farda esse desejo aumentou. Hoje sou voluntário para ir para o Haiti e sonho com isso. Quem estava no Complexo do Alemão e já tinha estado em Porto Príncipe, dizia que lá era mais tranquilo do que no Rio. Isso porque a população haitiana tem simpatia pelo Exército brasileiro, principalmente as crianças, diferente do que acontece no Morro do Alemão”, comentou o jovem, que mesmo sabendo dos riscos e deixando a família apreensiva diz que se tivesse que voltar ao Rio de Janeiro, seria voluntário novamente, mas deixa claro que hoje a meta é mesmo o Haiti.

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