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Um século de conhecimento

O maior desejo de um homem é viver a vida da melhor maneira possível e chegar à terceira idade tão bem quanto se deseja, com saúde e disposição.

1 de junho de 2015

O maior desejo de um homem é viver a vida da melhor maneira possível e chegar à terceira idade tão bem quanto se deseja, com saúde e disposição. E quando o assunto é terceira idade, o que realmente se espera é chegar a 80, 85, 90 anos de idade? Ou, mais do que isso, completar um centenário de vida?Essa etapa, com certeza, seu Rodolfo Borinelli já pode comemorar. Afinal, foi no Dia do Trabalhador que ele completou 100 anos de idade, histórias e vivências. Foi no dia 1º de maio que ele, junto com o filho e demais moradores do Centro de Convivência Pommernheim, celebraram a chegada de uma data tão incomum e sonhada por muitos.
Seu Rudolfo mora no Pommernheim há cerca de seis meses e chegou ao local trazido pelo filho, Dorval, que apresentava problemas de saúde e não mais poderia cuidar sozinho do pai. Mas antes disso, muita coisa aconteceu nessa vida.
Falando, na maior parte do tempo italiano, a comunicação acontece através de seu filho Dorval, durante a entrevista. Natural de Rio dos Cedros, seu Rodolfo é viúvo e pai de nove filhos, três deles já falecidos. A família grande resultou em 21 netos e 12 bisnetos.
A família mora em outros municípios, como Timbó, Joinville, Barra Velha e Florianópolis, mas isso não permite que o amor diminua.
Sempre saudável e trabalhador, seu Rodolfo se viu dependente de empregadas quando sua esposa faleceu aos 86 anos de idade, em 2000. A partir daí ele se viu dependente de outra pessoa. Foi quando, depois de algum tempo eu sai de Florianópolis e vim morar com meu pai, conta Dorval.
A necessidade de manter alguém presente durante as 24h do dia, fez com que a rotina de seu Dorval também mudasse e, com isso, passasse a cuidar, em tempo integral, de seu pai. Voltei para Rio dos Cedros e essa mudança na rotina também me consumiu e adoeci, explica.
Durante toda a sua vida, seu Rodolfo foi carroceiro e açougueiro, até que foi trabalhar na antiga Força e Luz, atualmente conhecida como Celesc. Após 35 anos de trabalho, foi aposentado por invalidez, por conta de uma doença que o atingiu na época. Em 1998, a aposentadoria por idade também chegou.
Enquanto trabalhava e morava em Rio dos Cedros, seu Rodolfo era conhecido como café de festa, ou seja, não poderia faltar. Meu pai sempre foi muito festeiro e aproveitava a vida. Quando ele não estava presente em um evento, era como se a festa estivesse incompleta. Essa alegria o fez chegar até aqui, afirma o filho.
Quando questionado se imaginava chegar até os 100 anos de idade, seu Rodolfo é enfático e diz que imagina sim que chegaria tão longe. O segredo? Força para trabalhar, afirma.
O filho conta que também já pensou sobre o assunto e tem, além do trabalho, outra teoria para a questão. Liberdade. Uma pessoa livre vive mais. Vejo o passarinho que voa livre, mesmo sem amor. Amar é levar a sério as consequências. Meu pai era livre, não se incomodava com os problemas e essa falta de preocupação o fazia viver bem, com tudo, afirma.
Quando era mais novo os passatempos preferidos de seu Rodolfo eram jogar bocha e pescar. Quando não enxergava mais o bolin, eu me colocava em frente a ele e não havia erro. Ele acertaria a jogada, com certeza, conta o filho.
A rotina de Rodolfo mudou há dois anos quando, após um coágulo abaixo do joelho, teve que amputar a perna. Isso só foi possível porque o médico disse que ou amputava ou convivia com a dor. Depois de bastante tempo insistindo, a cirurgia foi efetuada. Desde lá as coisas mudaram para ele, conta o filho.
A chegada de Rodolfo ao Pommernheim aconteceu depois que o filho se viu dividido entre a própria saúde e o acompanhamento integral ao pai. Fui conhecer diversos centros e aqui, em Pomerode, eu percebi que a estrutura, o acompanhamento e toda a assistência necessária seriam efetuadas da melhor maneira possível. E acertei. Claro que a adaptação sempre é difícil, pois ninguém quer sair de casa, conta Dorval.
A sensação de mudança é o principal fator que seu Rodolfo reprova em sua nova rotina. No entanto, seu Dorval sabe que é bom pra ele também e sempre o visita. Eu o visito de duas a três vezes por semana. E essas visitas constantes são para provar que mesmo longe estou aqui. E sempre que for preciso, estarei também, afirma.
O fato de abrir mão de sua rotina e de sua vida para cuidar do pai, faz com que seu Dorval transforme o sentimento mais nobre do mundo em um exemplo para toda a sociedade. Onde não há limites para querer o bem do próximo, dos pais.
Ainda lúcido, as limitações de Rodolfo são unicamente físicas. Sempre atento à conversa, os olhos brilhando e o sorriso no rosto eram videntes amostras de que a recordação de sua vida passava também em sua mente.
Recordações de uma vida que conta com mais de 30 mil dias, muitas histórias e lembranças que serão eternas na memória de seu Rodolfo. Uma vida que completa 100 anos de momentos e sentimentos únicos. Um sonho e desejo de muitos, inclusive de seu filho. Se for pra chegar como ele, com saúde, eu gostaria. Mas apenas assim, enaltece.

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