Brasil lidera ranking de combate à fome
Pela primeira vez em 15 anos, os índices de fome no mundo diminuíram, e o Brasil, pelo segundo ano consecutivo, lidera a lista dos países que mais combatem esse problema social. O ranking é elaborado pela ONG ActionAid, e mede o progresso de países em desenvolvimento na luta contra a…
Pela primeira vez em 15 anos, os índices de fome no mundo diminuíram, e o Brasil, pelo segundo ano consecutivo, lidera a lista dos países que mais combatem esse problema social.
O ranking é elaborado pela ONG ActionAid, e mede o progresso de países em desenvolvimento na luta contra a pobreza. Entram na análise e fazem parte do relatório oficial, 28 países. Depois do Brasil, China e Vietnã são os países que mais combatem a fome. O último país classificado na lista é a República Democrática do Congo.
Segundo os dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), o número de pessoas desnutridas reduziu de 1.023 bilhão para 925 milhões.
Para eles, essa queda é consequência do crescimento econômico e a queda no preço de alimentos, que iniciou em 2008. De acordo com a FAO, isso ainda não é motivo para comemorar, afinal, são milhões de pessoas no mundo que ainda vivem diariamente com fome, e isso é inaceitável. Continuando as campanhas e as iniciativas de combate à desnutrição, a meta para 2015 é que o número não supere os 400 milhões.
No Brasil, a redução foi de apenas 04% no período de 1990/1992 a 2010, contudo, o objetivo é reduzir a fome pela metade nos próximos anos. Meta que poderá sim ser alcançada, segundo a FAO, já que o crescimento econômico elevado que o Brasil está vivendo caminha para a melhoria da renda da população.
O outro lado da lista
Os dados apresentados mostram que 98% das pessoas subnutridas vivem em países em desenvolvimento, somando um total de 16% da população. Dois terços desse valor vivem distribuídos em sete países: Bangladesh, China, República Democrática do Congo, Etiópia, Índia, Indonésia e Paquistão. Do total, mais de 40% vivem na China e na Índia.
Dentre as regiões globais que mais possuem pessoas desnutridas, estão a Ásia e o Pacífico, com 578 milhões, mas foi nestas regiões que houve o maior declínio de pessoas desnutridas, 80 milhões. Na América Latina e no Caribe, a FAO estima o número de subnutridos em 53 milhões. A África subsaariana foi a região que menos apresentou melhorias na desnutrição, reduzindo em apenas 12 milhões de pessoas.
Solução
Para os pesquisadores, no Brasil, ainda faltam investimentos na agricultura, que façam com que todas as desigualdades diminuam. A pesquisa destaca os programas sociais do governo federal, como o Bolsa Família e o Fome Zero, mas afirma que sem mais avanços, a situação não apresentará melhorias.
A adoção de políticas de incentivo à agricultura em pequenas propriedades pode ser a solução. Nesse segmento, o Brasil está em situação alarmante, inclusive, se colocando apenas na 26ª posição, duas a frente do último colocado, Guatemala.
No relatório publicado, a ONG informa que ?O governo (brasileiro) começou a investir muito mais na agricultura em pequenas propriedades. Entretanto, ainda há um longo caminho para acabar com a fome e reagir às imensas desigualdades históricas que existem entre os pequenos e grandes produtores. O Brasil tem tido a tendência de concentrar seu investimento em agrobusiness, o que contribuiu para a concentração de terras nas mãos de um pequeno número de pessoas?.
O relatório da ActionAid também destacou que a fome causa um prejuízo anual de US$ 450 bilhões para os países mais pobres. Para combater a fome, o país investidor gasta dez vezes menos que com os prejuízos que ela traz ao mesmo. A presidente da ActionAid, Joanna Kerr, mencionou esse fato em entrevista a rede BBC. ?Lutar contra a fome agora vai custar dez vezes menos do que ignorar o problema. (Por causa da fome), todos os anos, a redução da produtividade dos trabalhadores, os problemas de saúde e a oportunidade perdida de buscar educação resultam num custo de bilhões para os países pobres?.
Contudo, a solução ainda não está ao alcance de todos. Pesquisadores afirmam que dos 28 países emergentes analisados no relatório, apenas oito estão a caminho de conseguir cumprir, no prazo previsto, as metas de desenvolvimento do Milênio da ONU para a redução da fome.