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Amantes do livro

O Brasil é conhecido pela falta de cultura da leitura por parte de sua população, mas na contramão desta infeliz constatação existem alguns abnegados, que mesmo na era digital onde a leitura breve e virtual substitui os livros, eles dão exemplo e mostram que o mundo se torna muito maior…

17 de junho de 2011

O Brasil é conhecido pela falta de cultura da leitura por parte de sua população, mas na contramão desta infeliz constatação existem alguns abnegados, que mesmo na era digital onde a leitura breve e virtual substitui os livros, eles dão exemplo e mostram que o mundo se torna muito maior quando abrimos nossas mentes para o universo literário.
Estamos falando de alguns pomerodense que semanalmente marcam presença e visitam a Biblioteca Municipal Marechal Castelo Branco, no Centro de Pomerode. Eles são alguns dos frequentadores mais assíduos e vorazes devoradores de obras literárias que fazem parte do acervo desta casa do saber. São pessoas que contribuem para que a média de livros emprestados seja de 35 por dia. Número baixo se pensarmos que temos uma população de quase 30 mil habitantes, mas importante para servir de exemplo para outros.
Por mais que a tecnologia tenha avançado, os livros ainda são a principal fonte do saber e de evolução intelectual. Sabendo disso, Edson Klemann, 39 anos, visita constantemente a Biblioteca para pegar livros sobre liderança e motivação. Formado em Administração em 2003, o técnico óptico pega em média dois livros a cada quinze dias.
No início o estímulo foi a faculdade e a curiosidade sobre a cidade de Pomerode, mas hoje lê obras de diversas áreas. “Via muitas reportagens sobre o município, mas queria me aprofundar mais e foi assim que peguei o gosto pela leitura”, conta Edson.
Mesmo tendo acesso a internet, o leitor garante que nada substitui o prazer de ler um livro. “A gente se envolve tanto, que não é a mesma coisa que você ler numa tela de computador”, confessa. Essa satisfação Edson garante que é fruto do horizonte que se abriu após “viciar” em ler. “Você começa a ver as coisas de uma forma diferente, adquire cultura e acaba tendo assunto para conversar em qualquer situação. Quem não lê, fica vazio de conteúdo e com um vocabulário limitado”, alerta, considerando que para isso é importante diversificar a leitura.
Todo leitor tem seus autores prediletos ou obras que deixam marcas ao longo do tempo. Para Edson, podemos dizer que o livro “O vendedor de Sonhos”, de Augusto Cury, está na lista daqueles que serão sempre lembrados, deixarão lições e podem ser relidos a qualquer momento, tamanha sua influência e referência.
Desta forma, Edson vai ampliando seus horizontes e para quem quer começar ele deixa a dica. “O segredo é você começar pelos assuntos que você mais domina ou gosta. Depois você expande para outros temas. Quando você vê não consegue mais parar”, afirma.
Esse conselho vale para qualquer um e principalmente para aqueles que dão a desculpa de não ler porque os livros custam caro. “A biblioteca é pública e está à disposição de todos, imagina se muitos aposentados aproveitassem o tempo livre para ler, teriam muito mais qualidade de vida, pois a mente é igual a uma ferramenta, precisa ser estimulada para ser produtiva”, finalizou Edson.

Vício saudável
Assim como Edson, o garçom Mauro Suave, 41 anos, se diz um “viciado” em ler livros. Vício que adquiriu há um ano e meio, aproximadamente, e, que é estimulado a cada dez dias por pelo menos duas obras.
Da literatura estrangeira a nacional, o garçom garante que sua vida mudou depois que começou a ler mais. Primeiro foi a economia no bolso, quando ao invés de comprar as obras passou a visitar a biblioteca. Depois foi a aquisição de conhecimento, que como o próprio define: “não consegui mais parar”.
Mauro hoje é um dos frequentadores mais assíduos da biblioteca e está sempre pegando algo novo para ler, como uma obra que ficou marcada em sua mente, “A volta”, que o próprio descreve como uma leitura que vale a pena conferir. “É uma história real, onde o personagem se lembra das outras encarnações. É curioso, que ele se recorda até de detalhes de seus ofícios nas vidas passadas”, frisa o leitor.

Desde cedo
A pequena Luiza Balk Herrmann, sete anos, vive no mundo dos livros desde que nasceu. Filha da bibliotecária, responsável pela Biblioteca Municipal de Pomerode, adquiriu o gosto pela leitura no “ventre” de sua mãe. Antes mesmo de conhecer e dominar o alfabeto, a pequena Luiza, já ouvia sua mãe ler historinhas e isso foi fundamental para se familiarizar com os livros.
Aluna da escola Nossa Senhora de Fátima, Luiza, está sempre com um livrinho da Bibi ou um gibi da Turma da Mônica em mãos e garante: “aprendo muito com eles, principalmente lições de boas maneiras, que tem nesta série”, diz a menina, que quando está lendo nem pisca os olhos, como destaca a mãe, Viviane Balk Herrmann.
Mas não é só da série Bibi e da Turma da Mônica que Luiza gosta. Segundo a mãe, ela já conhece quase todo o acervo da biblioteca. “Ela vem comigo pra cá e participa de alguns projetos que temos como a Hora do Conto. Já leu muitas obras”, disse a mãe orgulhosa.
Vivendo neste ambiente, não poderia se esperar outra coisa, senão, que Luiza fosse apaixonada por livros. Mas o melhor de tudo isso é que ela tem consciência da importância de ler e sabe que disseminar essa paixão irá garantir mais leitores no futuro. “Eu falo para meus amiguinhos que não gostam de ler, o quanto é bom. Além disso, sempre leio para minha irmãzinha de três anos. Ela escolhe o livro e eu leio”, conta a pequena leitora.

Exemplo
Quanto mais cedo se dedicar ao hábito da leitura, mais conhecimento você irá adquirir ao longo da vida. Porém, uma coisa é certa. A formação de novos leitores está diretamente relacionada à referência dos pais, que certamente produzirão filhos com o hábito da leitura. A prova disso é o caso do jovem Roger Samuel Maas, 13 anos, aluno da Escola Curt Brandes. Ele via a mãe, Isenailde G. Maas, constantemente pegar livros na biblioteca e começou a frequentar o espaço com ela. “Foi vindo com minha mãe à biblioteca que peguei gosto pela leitura”, conta o jovem que destaca a importância de ler para ter uma boa formação.
Essa consciência faz com que Roger estimule seus colegas de classe a ler. “Tenho muitos amigos que não gostam de ler, mas digo sempre para eles como faz bem”, considera o jovem, que cobra o hábito da leitura até mesmo do pai, Gerson Maas. “Dizem que é muito bom ter esse vício, mas eu ainda não consegui”, confessa o pai, que se orgulha do filho gostar tanto de ler. “É um costume saudável e ajuda ele na escola. Ele não tira nota menor que sete e meio. Quem também gosta são os professores, que sempre o elogiam por isso”, revela o pai.
Roger vai à biblioteca duas vezes por semana e tem nas obras de ação suas preferidas. “Estou sempre com um livro à mão e sempre que tenho um tempinho paro e dou uma lida, mas antes de dormir é a melhor hora”, confessa.

A biblioteca
Casos como os de Edson, Roger, Mauro e Luiza são comuns em Pomerode, mas ainda são poucos perto da população da cidade. Conforme a bibliotecária, Viviane Balk Herrmann, a média de empréstimos mês é de 700 livros, mas a frequência é superior porque há muitos jovens e crianças que vão fazer pesquisas para escola. Sem contar pessoas que frequentam a biblioteca para ler as revistas semanais e os jornais, como destaca Viviane, porém ainda são índices aquém do ideal. “Há os que vêm toda semana para ver os classificados e muitos para pegar livros, mas como em todo o Brasil, o número de leitores ainda é inferior ao ideal”, revela.
A Biblioteca foi fundada em 28 de junho de 1968 e hoje tem um acervo de 15 mil títulos, sendo seis mil em língua alemã. No idioma estrangeiro referido é um dos maiores acervos da região. “Tem gente que vem de Indaial e Timbó para pegar livros na nossa biblioteca”, disse.
Com títulos atuais e lançamentos, a bibliotecária garante que os leitores da cidade estão bem servidos. “Temos uma grande procura pelas trilogias best-sellers como Crepúsculo e outras. Conseguimos atender os pedidos dos usuários e todo ano fazemos uma grande aquisição de novas obras”, disse Viviane, que revela ainda que o sucesso do momento é a trilogia de Rick Riordam.
Entre os projetos da biblioteca estão: a Hora do Conto, Biblioteca Móvel e Varal Literário. Para quem quiser pegar livros emprestados, o horário é de segunda a sexta-feira das 7h30min às 12h e das 13h às 17h.

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